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Enrolar um lenço embebido com álcool no pescoço trata dor de garganta?

Check-up 06/05/20 - lenço com álcool - gif
Imagem: Priscila Barbosa

Renata Turbiani

Colaboração para VivaBem

06/05/2020 04h00

São muitos os costumes propagados pelas famílias brasileiras para tratar ou evitar problemas de saúde. Quando o assunto é tosse e dor de garganta, um bastante comum, sobretudo em crianças, é enrolar em volta do pescoço um lenço ou fralda limpo embebido com álcool.

Apesar de muita gente relatar que sente alívio por conta da sensação de calor que o álcool provoca —ele esquenta a região e acaba forçando o organismo a levar mais sangue para lá—, isso se dá apenas momentaneamente. Esse tipo de ação de forma alguma diminui ou faz desaparecerem os sintomas, já que não combate as causas.

E é preciso ficar atento, pois, mesmo que na maioria das vezes a prática não faça mal, podem ocorrer situações com risco potencial. Por exemplo: irritação e queimadura locais, alergia e até intoxicação.

O que causa dor de garganta e tosse?

Dor de garganta e tosse não são doenças, mas sim sinais de que algo no organismo não vai bem —e eles podem aparecer juntos ou separados. Suas causas são divididas em duas: infecciosas e não infecciosas.

No primeiro grupo, as mais frequentes são as infecções provocadas por vírus —mas bactérias e fungos também têm participação—, como laringite, amigdalite, faringite, sinusite, gripe e resfriado. No caso específico da tosse, a lista é ainda maior; inclui pneumonia, bronquite, coqueluche, tuberculose e covid-19, entre outras patologias.

Os fatores considerados não infecciosos são bem variados: uso excessivo da voz, inalação de agentes irritativos, ar seco, poluição, fumaça, alergia, refluxo gastroesofágico, alguns tipos de câncer e tabagismo. A tosse, novamente, tem alguns acréscimos, como uso de determinados medicamentos, asma, edema pulmonar, insuficiência cardíaca etc.

Como se dá o tratamento?

O tratamento da tosse e da dor de garganta vai depender totalmente do diagnóstico, mas quase sempre é feito com o uso de medicamentos —e eles só devem ser prescritos pelo médico.

Por exemplo, se forem infecções, são utilizados anti-inflamatórios, antibióticos ou antifúngicos; analgésicos, pastilhas e xaropes também podem ser recomendados.

Se a causa for refluxo, junto com fármacos como antiácido e protetores gástricos, é preciso promover adequações na dieta, cortando produtos ácidos e gordurosos, e mudar alguns comportamentos, como evitar deitar logo após se alimentar. Nas alergias, a indicação são os antialérgicos.

Além disso, enquanto os sintomas durarem, é importante cuidar da hidratação, ter boa alimentação, não pegar friagem, não fumar e repousar. O uso de própolis, mel e hortelã também alivia o incômodo, assim como gargarejos e chás.

Agora, para que essas situações não venham a ocorrer, a regra é adotar um estilo de vida o mais saudável possível, o que se consegue com dieta equilibrada, prática regular de atividade física, boas noites de sono, combate ao estresse, eliminação de hábitos nocivos (tabagismo e etilismo) e boa higiene, inclusive oral.

Também é fundamental fazer check-ups periódicos, visando adequar o controle de doenças crônicas, assim como a prevenção de novas enfermidades. O indivíduo com melhor estado de saúde geral, consequentemente, apresenta um sistema imunológico mais fortalecido e pronto para atuar de forma competente ao primeiro sinal de "perigo".

Fontes: Fausto Nakandakari, otorrinolaringologista do Hospital Sírio Libanês (SP); Patricia Santoro, otorrinolaringologista membro da ABORL-CCF (Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial) e médica assistente da Divisão de Clínica Otorrinolaringológica do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e Tadeu Fernando Fernandes, presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).