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Pacientes crônicos devem continuar tratamento durante a quarentena

Paciente deve procurar manter o isolamento social, mas sem descuidar dos cuidados com a saúde - Getty Images
Paciente deve procurar manter o isolamento social, mas sem descuidar dos cuidados com a saúde Imagem: Getty Images

Jorna da USP

01/05/2020 15h28

A pandemia do novo coronavírus trouxe uma preocupação a mais: pacientes com doenças crônicas estão deixando de lado seus tratamentos. Seja por medo de irem aos hospitais ou clínicas, seja pela suspensão de atendimentos, essa é uma questão que acende um alerta.

"Pacientes que têm infarto do miocárdio, por exemplo, estão com presença reduzida nas salas de emergência. Não sabemos ainda a razão desse motivo, se é o medo das pessoas irem ao hospital ou pela recomendação de ficar em casa", revela José Eduardo Krieger, professor de Genética e Medicina Molecular e diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Ele reforça que esses pacientes, bem como aqueles que já possuem doenças crônicas e tratamentos contínuos, deveriam estar recebendo atendimento, que é específico. A entrevista completa pode ser ouvida clicando aqui.

De acordo com o professor, o Incor realiza, em média, 250 mil consultas anuais, sendo cerca de 20 mil por mês e aproximadamente mil por dia. Tudo isso está parado devido aos esforços para a covid-19. O HC conseguiu articular a organização de seus vários institutos e, neste momento, o Incor realiza atendimentos e internações de especialidades diferentes. "Hoje, no Incor, são vistos pacientes neurológicos e transplantados, o que normalmente não acontece", explica.

O excelente esforço do HC não é regra para as diversas regiões brasileiras que são deficitárias de uma rede hospitalar complexa e completa. Mas o fato de o Brasil possuir um Sistema Único de Saúde (SUS), que vai dos atendimentos mais simples aos mais complexos, dá uma possibilidade de fazer o próprio sistema em si funcionar e de utilizar novas estratégias, como as tecnológicas. O professor fala que, com a disponibilidade da internet, é possível fazer uma descentralização do atendimento, mesmo mais complexos, por meio de telemedicina, diminuindo, e muito, as filas.

"Isso não só para lidar com essa questão aguda no meio desta crise, mas acredito que algumas dessas mudanças serão incorporadas no sistema", avalia Krieger. O SUS, apesar de receber algumas críticas, é muito importante para milhões de brasileiros que dependem exclusivamente dele. "O Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes que tem um sistema público de saúde. É o único", destaca o professor.

Ele deixa um recado para os pacientes que estão com receio de continuarem o tratamento neste momento: "Existe uma parceria entre o sistema de saúde e o paciente que contribui, e muito, para o sucesso do tratamento. Ele deve seguir as orientações das autoridades, como o isolamento social, mas também, quando for necessário atendimento de saúde, você tem que ir buscar esse atendimento. Tudo isso depende de orientações claras dos governantes e gestores, especialmente os da saúde".

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