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Tenho diabetes: se eu me alimentar bem, posso reduzir a medicação?

Daniel Navas

Colaboração para o VivaBem

14/04/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Sim, pode. Mas o médico só poderá diminuir o medicamento se tiver certeza de que o paciente está realmente com a glicemia controlada
  • É necessário evitar o consumo de farinhas brancas, doces em geral, sucos industrializados, bolos e, claro, o próprio açúcar
  • As frutas devem ser controladas: de 3 a 5 porções por dia, e sempre acompanhadas de algum alimento proteico, gorduroso ou fibroso
  • As ?escapadas? são normais, mas elas alteram o controle glicêmico. Por isso, o é importante administrar a frequência e a intensidade desses eventos

Sim. Mas só é possível reduzir os remédios se o médico tiver certeza do bom controle glicêmico. Essa informação é conseguida através de exames laboratoriais, como glicemia, frutosamina, hemoglobina glicada e por meio do monitoramento realizado pelo próprio paciente com a ajuda da glicemia capilar ou sensores subcutâneos.

De acordo com a SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), é necessário que o endocrinologista e o nutricionista façam uma avaliação individual para indicar a melhor dieta para o paciente. Mas, basicamente, o cardápio deve ter carboidratos na proporção de 45% a 60% do total de calorias do valor energético total (VET). Sempre que possível, carboidratos complexos, com médio a baixo índice glicêmico, como batata-doce, quinoa etc. Ingerir 15% a 20 % do VET de proteínas (carnes, ovo, feijão, lentilha etc), entre 20% a 30% do VET de gorduras totais (dar preferência aos monoinsaturados —azeite, abacate, amendoim — e poliinsaturados —óleo de soja, de milho, linhaça, sardinha, entre outros — e ausência da gordura trans) e mínimo de 20 g de fibras para cada 1.000 kcal.

É de extrema importância para manter o controle glicêmico em dia e aumentar as chances de reduzir os medicamentos do diabetes que o paciente evite o consumo de farinhas brancas, doces em geral, mel, geleias, refrigerantes, bebidas alcoólicas, achocolatados, sucos industrializados, bolos, tapioca e o próprio açúcar. Sempre leia os rótulos de alimentos industrializados, observando se não tem o açúcar em sua composição. Lembrando que o açúcar pode vir com outros nomes, como glicose, xarope de glicose ou de milho, frutose, maltose ou maltodextrina. Mas se não tiver outro jeito, o ideal é escolher a versão diet, que é isenta desse carboidrato.

O consumo de frutas deve ser controlado, em pequenas quantidades, pois esse tipo de alimento contém frutose —o açúcar da fruta. O ideal seria de 3 a 5 porções por dia, e sempre acompanhada de outro alimento proteico, como queijo e iogurtes, por exemplo, ou gorduras boas (castanhas, nozes, amêndoas) ou fibras (chia, linhaça etc). O suco de frutas deve ser evitado, preferindo sempre as frutas inteiras com casca e bagaço.

E a conhecida "escapada" da dieta é praticamente impossível de não acontecer. Porém, essas extravagâncias alimentares pioram o controle glicêmico. Por isso, o paciente precisa administrar a frequência e a intensidade de cada evento, assim como o resultado que essas escapulidas podem gerar de imediato na glicemia. Caso não tenha esses cuidados, são grandes as chances de o médico aumentar a dose do medicamento.

Além do cardápio saudável, também ajuda no controle da glicemia —e em uma possível redução dos remédios — a prática de atividades físicas e a melhor qualidade do sono. Isso porque os exercícios aumentam a sensibilidade à insulina. Já as noites bem dormidas, contribuem para reduzir os hormônios do estresse, como cortisol e adrenalina, que são considerados hiperglicemiantes, ou seja, dificultam a entrada de açúcar em diversas células do organismo. Portanto, é importante seguir sempre as recomendações médicas para manter o diabetes equilibrado, e assim, evitar uma ingestão demasiada de medicamentos.

Fontes: Bruna Mambrini, nutricionista da Clínica NutriCilla, em São Paulo; Danilo Romano, endocrinologista do Hospital Samaritano, em São Paulo; Maria Fernanda Barca, membro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia); Renato Zilli, endocrinologista do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo; Rosângela Rea, professora adjunta e coordenadora da unidade de diabetes do SEMPR (Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital de Clínicas) da UFPR (Universidade do Paraná) e membro da SBEM; e Vivian Ragasso, nutricionista do CEME no COTP (Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa) e nutricionista clínica do Instituto Cohen de Ortopedia, Reabilitação e Medicina do Esporte, em São Paulo.

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