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Com medo de infectar a mãe idosa, técnico de enfermagem dorme no terraço

Joseildo da Silva faz plantões de 24 horas em uma UPA de Campina Grande - Arquivo pessoal
Joseildo da Silva faz plantões de 24 horas em uma UPA de Campina Grande Imagem: Arquivo pessoal

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

10/04/2020 11h40

Nesta sexta (10), após a publicação da reportagem, a Secretária Municipal de Saúde de Campina Grande (PB) informou que está realizando um levantamento com a rede hoteleira da cidade para oferecer hospedagens aos profissionais da saúde que desejam se afastar de familiares no grupo do risco, como é o caso de Joseildo.

Tentando a carreira de jogador de futebol profissional em clubes como o Santa Cruz quando era mais jovem, Joseildo da Silva Batista, 35, não imaginou que um dia atuaria na linha de frente do combate a uma pandemia. O paraibano, que atua como técnico de enfermagem desde 2017, hoje exerce a profissão na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Dr Maia, em Campina Grande (PB).

Ao fim de cada expediente, os pensamentos sobre os pacientes vão se esvaindo e dão lugares à novas preocupações: Joseildo mora com duas irmãs, duas sobrinhas e dona Sofia, sua mãe, uma idosa de 72 anos que sofre de asma, problemas cardiovasculares (teve um infarto recentemente) e é considerada parte do grupo de risco para covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

O local onde ele trabalha é considerado referência para os primeiros atendimentos de pessoas com sintomas de infecção por coronavírus. "Os pacientes que chegam até nós com sintomas leves são mandados para casa com instruções sobre quarentena. Já quem apresenta sinais mais graves, como falta de ar e febre, são mantidos sob nossos cuidados até o encaminhamento para um hospital", explica.

joseildo, enfermeiro  - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Por estar em constantemente em contato com possíveis infectados pelo vírus, Joseildo percebeu, conforme a pandemia avançava no Brasil, que teria que fazer o possível para manter-se longe da família, especialmente de sua mãe.

Além de tomar banho no hospital após o expediente, levar as roupas sujas em um saco e fazer uma nova higienização ao chegar em casa, ele, que antes dividia o quarto com a mãe e uma irmã, passou a dormir do terraço da casa da família. "É bastante frio e tive que trocar o colchão por uma rede porque o colchão estava cheio de ácaro", conta.

Há 10 dias no novo "quarto", o técnico de enfermagem reconhece que a falta de conforto não é ideal para alguém que enfrentará plantões de 24 horas, mas aponta que, com o salário de R$ 946, que usa para ajudar no sustento da casa e pegar pensão a um filho de sete anos, não consegue ir para outro local. Ao compartilhar sua história na internet, Joseildo ganhou até uma vaquinha para ajudá-lo a alugar um espaço.

ARMADURA PRONTA ?SEGUIMOS EM FRENTE.

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"Nos vemos na imagem do paciente e do familiar"

Joseildo conta ter chefes e colegas de trabalho que entendem bem sua situação, mas pela urgência do trabalho, não pode se afastar da profissão. "Não adianta ficar pensando nos nossos problemas o tempo todo. A gente se vê na imagem do paciente e do familiar, que colocam a esperança em nós. Temos que estar focados", afirma.

"Por eu ter passado muita coisa nessa vida, não me assusto com o cenário no trabalho, mas quando você começa a ver amigos, vizinhos, pensar no que pode acontecer, aí é diferente. Pedimos a Deus que tudo isso passe logo", desabafa.

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