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Acessórios e cosméticos podem irritar a pele; saiba como evitar

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Imagem: iStock

Sibele Oliveira

Colaboração para VivaBem

10/04/2020 04h00

De repente, a pele fica vermelha, ressecada e inchada, muitas vezes com erupções, fissuras, crostas e descamações. Aí aparece uma sensação de ardência, queimação ou coceira insuportável e a região fica muito sensível.

Quem nunca passou por isso? São reações da dermatite de contato, uma doença que leva muita gente aos consultórios de dermatologia. Embora pareça um problema sem gravidade, incomoda bastante e nem sempre é fácil de tratar.

"Dermatite de contato é quando uma substância entra em contato com a pele e provoca uma reação inflamatória. Se o quadro for crônico, é uma preocupação eterna, porque limita a qualidade de vida do paciente tanto em tarefas ocupacionais quanto não ocupacionais", afirma Ida Alzira Gomes Duarte, coordenadora do departamento de alergias e dermatoses ocupacionais da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia).

Ela explica que dermatite de contato é um tipo de eczema: o eczema de contato. Como o próprio nome diz, a doença se manifesta pelo contato da pele com algo que a lesiona, mas tem duas causas diferentes.

Uma delas é por irritação, que ocorre quando usamos produtos à base de substâncias químicas ou tocamos nelas acidentalmente, principalmente as abrasivas como ácidos e soda cáustica, que são capazes de queimar a pele. Além de agentes químicos, também pode ser provocada por irritantes físicos, como superfícies ásperas; e biológicos (determinadas plantas e insetos como taturanas).

Mesmo sendo mais fracos, produtos de higiene pessoal e de limpeza doméstica podem causar dermatite de contato irritativa, dependendo da composição química e da frequência com que são usados. É o que acontece com as donas de casa que reclamam das mãos ressecadas depois de fazer uma faxina pesada e por lavar louças todos os dias. Ou com quem passa álcool gel nas mãos o tempo todo. Pensa isso então em tempos de pandemia de coronavírus!

"Lavar as mãos excessivamente provoca dermatite de contato por irritação porque tira a camada protetora da pele", avisa Vitor Reis, dermatologista do Hospital das Clínicas de São Paulo.

A outra causa de dermatite de contato é alérgica. Ao contrário da irritativa, que atinge qualquer pessoa, a alérgica acomete apenas quem desenvolve uma hipersensibilidade a certas substâncias. De uma hora para outra, o sistema de defesa do organismo passa a reagir contra elas produzindo anticorpos.

"Como a gente não nasce com esses anticorpos, nunca temos alergia no primeiro contato com a substância porque eles ainda não existem. Demora no mínimo de 15 a 20 dias para serem feitos no ser humano, vai depender de quanto tempo o organismo leva para criá-los contra essa substância. Então a dermatite de contato alérgica é sempre a partir do segundo contato", esclarece Ida.

Vários produtos naturais e industrializados podem causar dermatite de contato alérgica, do sumo de frutas cítricas a tatuagens de henna e medicamentos de uso tópico. Alguns deles só desencadeiam reações cutâneas quando expostos ao sol.

Os principais causadores

Quem resiste a uma linda bijuteria? Saiba que o sulfato de níquel, matéria-prima usada na fabricação de muitas delas, é o metal responsável pela maior parte dos casos de dermatite de contato.

Da mesma forma, se você gosta de roupas, sandálias, capas de chuva, pulseiras, materiais de escritório e outros produtos feitos de borracha (incluindo o látex), pode desenvolver a doença graças a um composto químico alergênico chamado tiuram-mix.

Junto com os acessórios, calçados, vestuário e objetos, cosméticos e itens de higiene também estão entre os principais causadores do problema. Entre eles o esmalte de unha, produzido com toluenosulfonamida, um diluente que irrita bastante a pele.

Outra substância que tem chamado a atenção dos pesquisadores é o conservante isotiazolinona, presente na composição de perfumes, cremes e loções hidratantes, xampus, condicionadores, sabonetes, lenços umedecidos, produtos de limpeza e até tintas de parede.

O departamento de dermatologia da USP (Universidade de São Paulo) está pesquisando a substância. "A tiazolinona, comercializada sob o nome Kathon CG, está começando a dar mais alergia do que antes. Estamos estudando o mecanismo de ação dela. Está aumentando porque as pessoas estão usando muito, porque virou moda ou está barato. O fato é que há muita gente usando no Brasil e no mundo", enfatiza Vitor.

Outra pesquisa publicada nos Anais Brasileiros de Dermatologia, em 2013, revelou que as substâncias que mais causaram dermatite de contato no período do estudo foram: sulfato de níquel (28,16%), timerosal (16,02%), dicromato de potássio (11,17%), cloreto de cobalto (10,52%), mistura de fragrâncias (8,74%), mistura de carba (7,28%), neomicina (7,28%), parafenilenodiamina (6,96%), PPD-mix (6,63%) e tiuram-mix (6,15%).

E como evitar?

Quando a alergia é identificada, manter distância dos agentes causadores é a melhor forma de acabar de vez com a doença. Para quem trabalha com eles, no entanto, a solução não é tão simples. Profissionais da área da saúde, por exemplo, não têm como deixar de usar luvas cirúrgicas e de procedimentos.

Da mesma forma, pedreiros e serventes não podem evitar o contato com o dicromato de potássio, que está presente no cimento. Assim como os professores precisam usar giz em suas aulas e as tintas fazem parte do dia a dia dos pintores. O pior é que nem sempre há alternativas para substituir esses materiais, como é o caso do cimento.

O dicromato de potássio, aliás, é a substância que mais causa dermatite de contato alérgica nos homens, segundo Ida. Nas mulheres, é o sulfato de níquel. Em geral, a doença está mais presente em adultos —principalmente em mulheres e no exercício da profissão— embora crianças e até bebês possam desenvolvê-la, pelo contato com a urina e as fezes nas fraldas. Costuma aparecer com mais frequência no rosto, no pescoço, nas mãos e nos pés.

Assim que os sintomas surgem, é necessário procurar ajuda médica para saber a causa exata da dermatite de contato. O especialista realiza o exame clínico e costuma solicitar o teste de contato (ou patch test), que investiga se o paciente apresenta reação a até 40 substâncias.

Dependendo do resultado, além da retirada do agente causador, o tratamento é feito com cremes ou pomadas de corticoides ou medicamentos via oral.

Resistir ao impulso de coçar a região é importante para evitar complicações. "Quanto mais a pessoa mexe na área, mais ela vai provocar o ciclo vicioso do prurido. Pode piorar pela manipulação e ter complicações. As principais são infecções por bactérias ou por vírus", alerta Vitor. Usar produtos hipoalergênicos é uma boa dica para prevenir novas crises.

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