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Vírus representam cerca 7% do material genético humano; conheça-os

Fusion Medical Animation/ Unsplash
Imagem: Fusion Medical Animation/ Unsplash

Fábio de Oliveira

Da Agência Einstein

03/04/2020 11h23

"Os vírus fazem parte da humanidade." A frase é do infectologista Jacyr Pasternak, do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, e deixa clara a vulnerabilidade humana a esses agentes infecciosos.

O novo coronavírus é apenas um deles. De acordo com o médico, cerca de 7% do genoma humano é constituído de vírus. "Ninguém sabe como entraram e o que fazem lá." Vários tipos ainda são desconhecidos. "Só no mar há milhões deles", conta o especialista.

O nome dado a esse universo é virosfera. Certos habitantes deste mundo nem tão paralelo assim são bem familiares para nós. Entre eles, o influenza, um vírus com alta capacidade de mutação e responsável pela gripe, o que causa o sarampo, doença que voltou a assustar o mundo depois de ter ficado muito tempo sob controle, e o da poliomielite. Felizmente, existem vacinas para preveni-los.

O vírus da varíola, por outro lado, castigou a humanidade durante séculos e até hoje permanecem na memória coletiva imagens de rostos desfigurados pelas feridas. Ele foi erradicado no início dos anos 1980.

"Hoje só existem amostras em dois laboratórios, ambos do mais alto nível de segurança", explica Pasternak. Um fica nos Estados Unidos e outro na Rússia.

Um artigo publicado na revista científica Molecular Cell Biology descreve assim um vírus: "pequeno parasita que não pode se reproduzir sozinho. Uma vez que infecta uma célula suscetível, contudo, pode direcionar o maquinário celular para produzir mais vírus. Muitos têm RNA ou DNA como material genético. (...) Os vírus mais simples contêm apenas RNA ou DNA o suficiente para codificar quatro proteínas. Os mais complexos podem codificar de 100 a 200 proteínas."

Os coronavírus, por exemplo, são uma família com centenas de integrantes, informa o site do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID, na sigla em inglês), nos Estados Unidos. A maioria circula em animais como porcos, camelos, morcegos e gatos.

Em alguns casos, alguns atingem seres humanos, como o que causava SARS (síndrome respiratória aguda grave) e o novo coronavírus, o culpado pelos casos de covid-19. Sabe-se que, ao todo, sete são capazes de provocar doenças em humanos.

O blog Virololgy (virology.ws), de Vicent Racaniello, professor de microbiologia e imunologia na Universidade Columbia, nos Estados Unidos, catalogou algumas curiosidades sobre esses micro-organismos que são nossos inimigos íntimos:

1. Algumas vespas parasitas depositam ovos em lagartas. Ali eles amadurecem e se tornam vespas adultas. Os ovos contêm um vírus codificado no genoma da vespa, que impede a lagarta de rejeitá-los.

2. Há um milhão de partículas de vírus por mililitro de água do mar —para um total global de 1.030 vírions, uma partícula viral completa e infecciosa. Alinhados de ponta a ponta, estenderiam 200 milhões de anos-luz no espaço.

3. A informação genética dos vírus pode ser DNA ou RNA; fita simples ou dupla; uma molécula ou em pedaços.

4. O nome vírus foi cunhado da palavra latina que significa líquido viscoso ou veneno.

5. Walter Reed (1851-1902), patologista e bacteriologista americano, descobriu o primeiro vírus humano, o da febre amarela, em 1901.

6. Os vírus não estão vivos —são matéria orgânica complexa inanimada. Eles não possuem qualquer forma de energia, metabolismo de carbono e não podem se replicar ou evoluir. Os vírus são reproduzidos e evoluem apenas dentro das células.

7. Mais de 1.016 genomas de vírus da imunodeficiência humana, o HIV, são produzidos diariamente em todo o planeta. Como consequência, milhares de mutantes virais surgem por acaso todos os dias, resistentes a todas as combinações de compostos antivirais em uso ou em desenvolvimento.

8. O primeiro vírus influenza humano foi isolado em 1933. Em 2005, a cepa do vírus influenza pandêmica de 1918 foi construída a partir da sequência de ácidos nucleicos obtida de vítimas da doença.

9. Os maiores vírus conhecidos são os mimivírus, com 400 nanômetros (0,0004 milímetros) de diâmetro. O genoma viral tem 1.200.000 nucleotídeos de comprimento e codifica mais de 900 proteínas.

10. Os menores vírus conhecidos são os circovírus, com 20 nanômetros (0,00002 milímetros) de diâmetro. O genoma viral tem 1.700 nucleotídeos de comprimento e codifica duas proteínas.

Fato adicional: O genoma do HIV-1, que tem cerca de 10.000 nucleotídeos, pode existir como 106.020 sequências diferentes.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado, estima-se que a Via Láctea tenha de 150 a 250 bilhões de estrelas, não 1.011 estrelas. A informação foi retirada do texto pois fica sem sentido a comparação entre o número de estrelas na galáxia e o genoma do HIV-1, que pode existir como 106.020 sequências diferentes.

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