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Apenas 11,8% dos transplantes de órgãos acontecem no Norte e Centro-Oeste

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Imagem: iStock

Da Agência Bori

03/04/2020 12h36

Resumo da notícia

  • As regiões Norte e Centro-Oeste concentram 4,6% e 7,2% dos serviços de transplantes de órgãos sólidos do país
  • São Paulo responde por 10 mil transplantes realizados entre 2001 e 2017, mais do que a somatória de 17 Estados
  • O transplante renal é o mais comum no país, representando 70,2% dos procedimentos

Entre 2001 e 2017, o Brasil registrou aumento de cerca de 150% no número de transplantes de órgãos sólidos, saltando de 3.520 para 8.669 procedimentos. O número de transplantes por milhão de habitantes cresceu de 20 em 2001 para 41 em 2017. Ao todo, foram 99.805 transplantes no período, sendo que 96% deles foram realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Em meio a esse crescimento, no entanto, há uma grande desigualdade na distribuição de serviços especializados e de acesso aos transplantes entre as regiões do país. Apenas 11,8% dos serviços estão no Norte e Centro-Oeste.

É o que aponta estudo de 3 de abril na revista "Epidemiologia e Serviços de Saúde" realizado por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Ciências e Tecnologias em Saúde da Universidade de Brasília.

O país contava em 2017 com 153 centros especializados em transplantes de órgãos sólidos, sendo que a maior fatia estava concentrada na região Sudeste (66 centros). Apenas em São Paulo são 30 serviços, onde foram realizados mais de 10 mil procedimentos ao longo do período estudado - número que supera a somatória dos 17 estados com as menores quantidades de unidade.

No Amapá, Mato Grosso, Roraima e Tocantins não havia um serviço sequer em funcionamento até 2017. A distribuição por região é de 11 serviços (7,2%) no Centro-Oeste; 7 (4,6%) no Norte; 33 (21,6%) no Nordeste; 66 (43,1%) no Sudeste e 36 (23,5%) no Sul.

Os dados são do trabalho de doutorado da farmacêutica Leticia Santana da Silva Soares, feito com orientação da farmacêutica Dayani Galato, que coordena o grupo de pesquisa em Acesso à Medicamentos e Uso Responsável da Universidade de Brasília (AMUR-UnB). De acordo com as autoras, a desigualdade entre as regiões é um reflexo das diferenças entre os Índices de Desenvolvimento Humano Municipais (IDHM). "Além de maior IDHM, as regiões Sudeste e Sul também possuem serviços de saúde mais estruturados.

Lá se concentram grandes centros clínicos, geralmente vinculados às universidades e são regiões mais desenvolvidas economicamente", observa Letícia Soares. Ela aponta que o aumento expressivo no número de procedimentos realizados no país é devido, em grande parte, às campanhas do governo brasileiro incentivando a doação de órgãos. "Somado a isso, com o passar do tempo, houve transferência de tecnologia entre diferentes serviços de saúde, ou seja, novas equipes de transplante foram criadas".

Essa evolução, no entanto, não foi igualitária entre as regiões, conforme acrescenta Dayani Galato. Ela destaca que desenvolver um novo centro de transplante não é algo simples, o que faz disso um desafio maior para as regiões como menor IDHM.

"Mais do que estrutura física é preciso haver equipes capacitadas e comprometidas. Há necessidade de se criar uma rede eficiente de captação de órgãos, bem como equipes que realizem o transplante e acompanhem constantemente esses pacientes.

Um caminho importante é estimular parcerias com hospitais universitários como estratégia para que as desigualdades sejam reduzidas, em especial, para a realização da captação de órgãos, transplante e acompanhamento", detalha.

7 entre 10 são transplantes de rim

Os dados de transplantes de órgãos sólidos efetivados entre 2001 e 2017 apontaram o transplante de rim como o mais frequente, com 70.032 (70,2%), seguido de fígado (22,1%), coração (3,8%), pâncreas associado a rim (2,1%), pulmão (1,0%) e pâncreas isolado (0,8%).

"No mundo todo o rim é, entre os órgãos sólidos, o que mais resulta em transplantes — geralmente relacionados a diabetes e hipertensão, doenças genéticas como rim policístico e uso abusivo de medicamentos anti-inflamatórios por automedicação. É importante destacar que um doador de rim pode beneficiar até dois pacientes em lista de espera", explica Dayani.

O estudo aponta as principais causas de transplantes de órgãos sólidos e apresenta sugestões de estratégicas para a prevenção:

Sugestões de estratégias

Rim
- Promover campanhas que estimulem a adesão ao tratamento, seja medicamentoso, dietético ou prática de atividades físicas de doenças que prevalecem como causas;
- Estimular a adoção de um estilo de vida saudável, o que é capaz de reduzir a incidência de diabetes e hipertensão, além de outros fatores de risco para doenças que levam ao transplante renal;
- Orientar sobre a importância da não automedicação, principalmente de anti-inflamatórios.

Fígado
- As causas mais comuns são o etilismo e a hepatite. O primeiro pode ser evitado com o consumo responsável de bebidas alcoólicas, enquanto a hepatite pode ser tratada gratuitamente pelo SUS e também evitada com vacina ou não compartilhamento de seringas.

Coração
- As principais comorbidades são doenças cardiovasculares, cardiopatias congênitas ou doenças como a de Chagas;
- A hipertensão e outras doenças cardiovasculares podem, na maioria das vezes, ser prevenidas e controladas, tanto com medicamentos quanto com estilo de vida saudável;
- A doença de Chagas, por sua vez, também pode ser prevenida com medidas de controle do vetor (barbeiro).

Pulmão
- A principal causa é o tabagismo, que deveria ser desestimulado mais enfaticamente.

Pâncreas
- Entre os órgãos citados, é o que menos apresenta possibilidade de prevenção. Muitas vezes, o transplante acontece devido ao não funcionamento adequado do órgão na produção da insulina.

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