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Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor


Neuroestimulação e inibição de proteína são esperanças contra Parkinson

Highwaystarz-Photography/IStock
Imagem: Highwaystarz-Photography/IStock

Nicola Ferreira

Da Agência Einstein

02/04/2020 10h33

Tecnologia e conhecimento genético são duas das chaves para encontrar um tratamento mais efetivo contra a doença de Parkinson, enfermidade que afeta mais de 600 mil brasileiros maiores de 60 anos de idade.

Sem cura até hoje, a doença é uma das mais sérias ameaças à saúde de idosos, embora também afete jovens, e se configura como um grande problema de saúde pública com o envelhecimento da população.

Por isso, em todo o mundo a ciência propõe opções que levem à cura ou a métodos eficazes que retardem a progressão da enfermidade.

"Certamente trataremos os pacientes amanhã diferentemente de como tratamos hoje. O futuro é promissor", afirma a neurologista Chien Hsin Fen, do Hospital das Clínicas de São Paulo e membro da comissão científica da Associação Parkinson Brasil.

O que é a doença

Crônica e progressiva, a doença de Parkinson é uma doença degenerativa que afeta o sistema nervoso central. Seus sintomas resultam da diminuição intensa da produção da dopamina, um neurotransmissor —substância química que auxilia na transmissão de mensagens entre as células nervosas envolvidas nos processos de realização dos movimentos voluntários do nosso corpo.

Sem a comunicação entre os neurônios, há perda do controle motor e outras disfunções, como a rigidez nas articulações do punho, cotovelo, ombro, coxas e tornozelo, tremores nos membros superiores, lentidão motora e desequilíbrio.

Conhecidos como "sintomas motores", eles não são os únicos que podem aparecer, pois pode haver a incidência dos "sintomas não-motores" como diminuição do olfato, problemas intestinais e do sono. Esse conjunto de sinais é chamado de parkinsonismo. Ele pode ser causado por diversas doenças, mas em aproximadamente 70% dos casos a causadora é a doença de Parkinson.

A redução da fabricação da dopamina ocorre gradualmente, com o passar do tempo, em todos os indivíduos. "Em uma pessoa normal há a perda de 1% do nível de dopamina no cérebro a cada década", explica o neurologista André Carvalho, do Hospital Israelita Albert Einstein. "No parkinsoniano, a taxa da perda é de 10% ao ano."

Atualmente, o tratamento é restrito a medicamentos que agem na reposição da dopamina perdida. Ou seja, eles apenas melhoram os sintomas apresentados pelo paciente, mas não há cura nem remédios que atrasem a evolução da enfermidade.

Novas pesquisas e o futuro

A ciência está focada principalmente em entender a origem do Parkinson e os mecanismos envolvidos na sua progressão. Uma tecnologia conhecida como Análise multiescala de redes de genes —permite observar mais genes em uma certa região— identificou genes que nunca haviam sido associados à doença.

Um dos mais importantes foi o gene, o STMN2, apontado como um dos mais ativos para o surgimento da doença. A investigação objetiva descobrir quais os fatores genéticos responsáveis por 80% dos casos da síndrome no mundo.

Outra descoberta, feita por pesquisadores do Hospital Johns Hopkins, nos Estados Unidos, pode levar à criação de um medicamento que ajude a frear o desenvolvimento da doença. O alvo é a proteína alfa-sinucleica, produzida no intestino, mas, sabe-se agora, é capaz de viajar pelo corpo e chegar até ao cérebro, onde se acumula sobre os neurônios responsáveis pela produção de dopamina, contribuindo para sua morte. Os cientistas trabalham para encontrar formas de inibir a produção da proteína.

Há casos nos quais é possível realizar um implante de estimuladores na região afetada. "Os eletrodos emitem correntes elétricas que reequilibram o funcionamento de regiões cerebrais afetadas pela doença", explica Carvalho. O método permite uma intervenção mais direta contra a doença, sem o risco de efeitos colaterais como piora da fala.

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