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Análise diz que espirro pode espalhar partículas contaminadas por até 8 m

Reprodução/Popular Science
Imagem: Reprodução/Popular Science

De VivaBem, em São Paulo

01/04/2020 11h46

Evitar sair de casa e, quando estiver na rua, tentar manter uma distância de 1,5 m a 2 m ao conversar ou até mesmo cruzar com alguém. Essa é a recomendação da OMS (Organização Mundial de Saúde) e do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos para evitar que uma pessoa transmita o novo coronavírus a outros indivíduos por meio de gotículas de salivas que viajam pelo ar quando falamos, espirramos ou tossimos.

No entanto, artigo publicado no periódico JAMA, em 26 de março, traz evidências de que essa distância pode não ser suficiente para impedir a contaminação, já que as partículas jogadas no ar após um espirro podem viajar por um espaço maior. A análise foi escrita pela cientista Lydia Bourouiba, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts).

Bourouiba, que em 2016 liderou uma equipe para analisar a qual distância as partículas liberadas no espirro poderiam chegar, afirma que, além das gotículas maiores, que de fato não viajam por uma distância longa por serem mais pesadas, as gotículas menores formam uma espécie de "nuvem gasosa" que também acaba se movimentando pelo ambiente.

Essa "nuvem gasosa" pode transportar gotículas de todos os tamanhos e é emitida quando uma pessoa espirra ou tosse (em menor escala, já que o espirro coloca mais pressão na saída do corpo). A nuvem é apenas parcialmente mitigada com o uso do braço.

A capacidade de ir mais longe do que o antecipado explicaria, por exemplo, porque o novo coronavírus foi encontrado no sistema de ventilação de salas hospitalares com pacientes contaminados na China.

Crédito do vídeo: Turbulent Gas Clouds and Respiratory Pathogen Emissions, JAMA (2020) | O estudo analisou apenas a capacidade de gotículas viajarem no ar após um espirro, não foi feito especificamente com pacientes com coronavírus.

Por que isso é importante?

Embora não seja atual, o estudo conduzido por Bourouiba teoricamente poderia ter implicações para a pandemia de covid-19, já que a distância recomendada pelas autoridades entre duas pessoas é menor. Na prática, no entanto, para o público em geral, pouca coisa deve mudar.

"O estudo reforça a necessidade de seguir a etiqueta respiratória", afirma Layla Almeida, coordenadora médica da plataforma de telemedicina Conexa Saúde e médica da Clínica São Vicente da Gávea, no Rio de Janeiro. "Se você estiver com sintomas respiratórios, fique em casa para evitar contaminar mais pessoas, já que um espirro ou uma tosse são muitas vezes reflexos e não conseguimos segurar", afirma. Também é importante redobrar a atenção na hora de lavar as mãos e trocar de roupa ao chegar em casa, por exemplo.

O infectologista João Prats, da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, lembra ainda que o estudo citado no artigo não analisa a quantidade de coronavírus presente na suspensão de partículas geradas pelo espirro. "Precisamos saber se a carga viral contida ali é suficiente para infectar uma superfície ou um ser humano, e isso ainda depende de mais análises", explica.

Almeida concorda. "Não sabemos, por exemplo, se há uma interferência de fatores como temperatura e umidade nessas partículas, o que poderia ou não inviabilizar o vírus", diz.

Profissionais da saúde precisam de proteção

Para hospitais e profissionais da saúde que estão na linha de frente lidando com pacientes contaminados, no entanto, a discussão levantada pelo artigo é bastante pertinente. "Uma hipótese é que o uso de máscaras, por exemplo, poderia ser recomendado para pacientes internados, evitando essa dispersão no ambiente e também reduzindo a chance de contaminação entre médicos", afirma Prats.

O próprio artigo de Bourouiba pede que sejam tomadas melhores medidas para proteger os profissionais de saúde. "Existe urgência na revisão das diretrizes atualmente dadas pela OMS e pelo CDC sobre as necessidades de equipamentos de proteção, particularmente para os profissionais de saúde da linha de frente", disse a pesquisadora ao jornal americano USA Today.

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