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Coronavírus: "Escolhemos quem ficaria internado por causa do nosso filho"

Adelaide e o marido estão com a covid-19 - Arquivo pessoal
Adelaide e o marido estão com a covid-19 Imagem: Arquivo pessoal

Priscila Carvalho

Do VivaBem, em São Paulo

26/03/2020 10h14

Adelaide Ruvenal, 44, e seu marido Osvaldo, 46, estavam com suspeita de coronavírus e foram ao hospital para tratar a doença no início da semana. No entanto, por causa do filho de 11 anos, os dois não podiam ficar internados, que foi a orientação dos médicos. Eles optaram pela permanência de Osvaldo, já que ele faz parte do grupo de risco. Abaixo, ela conta sua história.

"Eu e meu marido começamos a sentir os sintomas na quinta-feira da semana passada [dia 19 de março]. Sou dona de casa, não estava saindo, mas ele só começou a ter que ficar em casa na quinta-feira. No começo, achamos que era uma gripe, mas a febre só piorava e depois ficamos com muita falta de ar. Como estávamos no limite, decidimos ir para o hospital e fazer exames.

Os médicos nos alertaram e disseram que tudo indicava que era covid-19 e, como já estávamos com 39ºC de febre e muita dificuldade para respirar, o melhor era ficar internado. Porém, temos um filho pequeno. Foi quando decidimos quem iria se internar e optamos pela permanência do meu marido, que é hipertenso e diabético.

Não foi uma decisão fácil, mas pensei no meu filho e como ele ficaria em casa. Não tenho com quem deixá-lo, já que meu marido não tem mais os pais, os meus pais são idosos e meu irmão faz tratamento para câncer.

Como não pude e não aceitei ficar internada, tive que assinar um termo de recusa de tratamento de covid-19 e vir para casa. Fiz todos os exames, meu marido também e ele ficou internado.

Recebi o resultado e deu positivo

Logo na segunda-feira (23), o resultado saiu e o médico me ligou confirmando que tinha dado positivo, tanto o meu quanto o do meu marido. Fiquei mais apreensiva ainda, mas desde que saí do hospital, ele me passou remédios e me receitou inalação.

Sigo tomando antibiótico e fazendo inalação cinco vezes por dia. A febre vai e volta e é muito difícil respirar. Às vezes, é difícil até falar e sempre tento ficar descansando. À noite é a pior hora do dia, sempre tento tomar inalação, mas o incômodo é muito grande.

Estou tomando os devidos cuidados, mas o que me conforta é estar perto do meu filho. Os médicos recomendaram total isolamento.

Como meu filho é criança, é provável que esteja com a doença, mas só está com sintomas leves, semelhantes a um de um resfriado mesmo. Ele segue bem e em isolamento comigo.

Meu marido segue na UTI

Um dia depois de meu marido ser internado, ele foi pra UTI porque tinha muita dificuldade para respirar. Ontem pela manhã (25), ele apresentou uma melhora e foi para o quarto.

No entanto, quando foi à noite, o hospital me informou que ele vai voltar para UTI, pois a falta de ar está forte e ele se sente muito fraco. Sigo com o tratamento em casa. Creio que tudo isso vai passar e estou confiante."