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"Não é por que você é rico que vai se salvar", diz enfermeiro italiano

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

20/03/2020 04h00

Até o momento, a Itália já registrou milhares de casos do novo coronavírus e ocupa o posto de país com mais mortes relacionadas à doença.

O enfermeiro Dante Baldi, 54, acompanhou de perto a força da pandemia nos últimos meses. Falando um português quase perfeito, o italiano, que foi casado com uma brasileira e tem um filho nascido no país, contou ao VivaBem como a situação mudou em pouco tempo. Ele trabalha há 30 anos em um dos principais hospitais de Roma.

"Em toda a minha carreira, nunca vi nada parecido", desabafa. Apesar de não atender diretamente pacientes com a covid-19 —ele trabalha na área de ortopedia— o enfermeiro descreve que a estrutura do hospital precisou ser repensada rapidamente: todas as cirurgias eletivas (sem urgência) foram canceladas e setores tiveram que ser fechados para criar novos leitos para os pacientes.

"Por um lado, estamos acostumados a ver pacientes em crise, mas nesta proporção nunca vimos, e isso assusta. Dependendo da especialidade, os médicos ficam em salas separadas para evitar o contágio e só são chamados quando é necessário", conta.

No hospital, mais UTIs (unidades de terapia intensiva) também precisaram ser criadas, já que pacientes em estado grave necessitam de auxílio de máquinas para respirar. Mesmo com o esforço dos profissionais de saúde, ainda falta atendimento. "Estamos até criando postos móveis fora do hospital, e quem é curado precisa ir para casa imediatamente", explica.

"Eu sinto medo pelo Brasil"

Dante não chegou a morar no Brasil, mas visitou o país diversas vezes durante anos e está acompanhando as notícias pela internet e recebendo relatos de seu filho Mateus. Ele conta temer que o país siga o mesmo rumo da Itália. "Aqui, no começo, as autoridades não eram enfáticas sobre a necessidade de ficar em casa. Se os brasileiros não entenderem a importância do isolamento, os hospitais certamente serão sobrecarregados", opina.

Pela sua experiência, o enfermeiro garante que, embora possa ajudar na hora do atendimento, ter um bom plano de saúde ou dinheiro para pagar testes ou tratamentos não é garantia de segurança. "Não é por que você é rico que vai se salvar. Se os hospitais ficarem cheios por que as pessoas não evitaram o contágio, não importa de onde você vem", diz.

Na Itália, as saídas de casa são controladas

Dante conta que só é permitido que uma pessoa por família saia de cada vez —e apenas para tarefas extremamente necessárias, como comprar comida ou remédios. "Já não posso visitar meu pai idoso, que mora do outro lado da cidade, e o governo já avisou que se as pessoas continuarem saindo e praticando exercícios como correr ao ar livre, colocarão o exército na rua", conta.

Mesmo para ele, que trabalha em hospital, a previsão é que seja dispensado e só vá ao serviço para casos pontuais, como quando alguém quebra um braço e precisa que o enfermeiro coloque gesso.

O italiano considera ótimo o conselho que recebeu do Ministério da Saúde do país: se você tem algum sintoma, ligue para o médico, não vá ao hospital. "O profissional lhe dará indicações para não infectar os outros ou ser infectado", indica.

No Brasil, o aplicativo Coronavirus - SUS, disponível para Android e iOS e criado pelo Ministério da Saúde, tem o mesmo objetivo. Ele ajuda as pessoas a se conscientizarem e a avaliarem se os sintomas apresentados podem ou não ser do novo coronavírus.

Apelo por isolamento social

No Instagram do filho, Dante fez um apelo para os brasileiros aprenderem com a situação da Itália e não saírem de casa:

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