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Desinfetar superfícies realmente previne que o coronavírus se espalhe?

Funcionários desinfetam uma estação de metrô em Seul, na Coreia do Sul, em uma ação para evitar o aumento de transmissões do novo coronavírus no país - YONHAP / AFP
Funcionários desinfetam uma estação de metrô em Seul, na Coreia do Sul, em uma ação para evitar o aumento de transmissões do novo coronavírus no país Imagem: YONHAP / AFP

Gabriela Ingrid

Do VivaBem, em São Paulo

15/03/2020 11h12

Parecem até cenas de filme. Funcionários e robôs desinfetam ruas, estações de trem e escolas em áreas mais atingidas pelo novo coronavírus, como China e Coreia do Sul. Mas medidas como essas são eficazes para impedir a disseminação do vírus?

Acredita-se que o coronavírus se espalhe com maior frequência por gotículas respiratórias invisíveis deixadas no ar quando uma pessoa infectada tosse ou espirra. Mas essas gotinhas minúsculas também podem pousar em superfícies que outras pessoas tocam, que por sua vez podem ser infectadas quando colocarem as mãos não lavadas em seus olhos, nariz ou boca.

Estudos já mostraram que desinfetantes domésticos comuns, incluindo sabão ou uma solução diluída de alvejante, "desativam" o vírus em superfícies internas. Os coronavírus são vírus envelopados com uma camada protetora de gordura. "Os desinfetantes destroem essa camada, o que torna os coronavírus 'bastante fracos' em comparação com os norovírus e outros vírus comuns que possuem uma camada proteica mais robusta", disse Juan Leon, cientista de saúde ambiental da Universidade Emory, em uma entrevista à revista Science.

5.mar.2020 - Integrante de equipe médica prepara substância desinfetante a ser usada em locais públicos de Teerã (Irã) - Nazanun Tabatabaee/Wana/Reuters - Nazanun Tabatabaee/Wana/Reuters
Integrante de equipe médica prepara substância desinfetante a ser usada em locais públicos de Teerã (Irã)
Imagem: Nazanun Tabatabaee/Wana/Reuters

Por quanto tempo o coronavírus permanece nas superfícies?

Isso varia de acordo com a superfície. Na terça-feira (10), um estudo publicado no periódico medRxiv revelou que o vírus pode ser detectados no ar por até 3 horas, até 4 horas em cobre, até 24 horas em papelão e até dois a três dias em plástico e aço inoxidável.

Outra pesquisa, publicada no periódico Journal of Hospital Infection no dia 6 de fevereiro, mostrou que um coronavírus relacionado ao que causa Sars pode persistir até nove dias em superfícies não porosas, como aço inoxidável ou plástico.

Escola é pulverizada em Thessaloniki, no norte da Grécia, para evitar a propagação do coronavírus - AFP - AFP
Escola é pulverizada em Thessaloniki, no norte da Grécia, para evitar a propagação do coronavírus
Imagem: AFP

Desinfetante ao ar livre

Apesar de cidades como Xangai, na China, e Gwangju, na Coréia do Sul, usarem uma solução diluída de hipoclorito de sódio ou alvejante doméstico ao ar livre, ainda não está claro se isso mata o vírus no ar.

Além disso, o alvejante é altamente irritante para as mucosas. Pessoas expostas a desinfetantes pulverizados, principalmente as que aplicam o produto nas superfícies, correm o risco de problemas respiratórios, incluindo doença pulmonar obstrutiva crônica ou asma.

Dessa forma, se a ideia é se prevenir, o melhor caminho é minimizar o contato, mantendo hábitos de higiene pessoal. Fique em casa se estiver doente, reduza o contato próximo com outras pessoas, cubra a boca se espirrar ou tossir e lave as mãos regularmente por pelo menos 20 segundos.

Um relatório publicado na quarta-feira (11) no periódico Jama ainda encontrou o novo coronavírus em fezes, sugerindo que o vírus pode ser transmitido por pessoas que não lavam as mãos adequadamente após usar o banheiro. Por isso, a higiene é essencial.

O álcool gel com concentração de 70% e a água com sabão são as melhores formas de higienizar as mãos e evitar a contaminação. "Ambos os métodos são efetivos para quebrar a cápsula de gordura protetora do vírus e destruí-lo. O valor de 70% é o recomendado por ser o mais efetivo —nas mãos, a limpeza precisa ser imediata", diz João Prats*, infectologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

*Fonte entrevistada em reportagem do dia 10/03/20.

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