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Paulo Vieira é internado com meningite; tipo bacteriano é o mais grave

O apresentador do "Fora de Hora" está recebendo cuidados após ser diagnosticado com meningite bacteriana - Reprodução / Instagram
O apresentador do 'Fora de Hora' está recebendo cuidados após ser diagnosticado com meningite bacteriana Imagem: Reprodução / Instagram

Danielle Sanches

Do VivaBem, em São Paulo

03/03/2020 12h14

Resumo da notícia

  • Apresentador está internado recebendo cuidados após o diagnóstico de uma meningite bacteriana
  • O tipo é considerado o mais grave e precisa ser tratado com antibióticos o quanto antes para evitar que a infecção se torne generalizada
  • Apesar disso, o tipo mais comum de meningite no Brasil é a provocada por vírus, que costuma evoluir de forma benigna e sem complicações mais graves
  • Lavar as mãos, proteger o rosto quando espirrar/tossir e seguir o calendário oficial de vacinação são formas de evitar o contágio

O apresentador do programa "Fora de Hora" (da Rede Globo) Paulo Vieira está internado no Rio de Janeiro por conta de uma meningite bacteriana. O apresentador chegou a compartilhar em sua rede social que estava no hospital para realizar alguns procedimentos. Ainda não há previsão de alta.

A meningite é uma doença que sempre provoca preocupação e, embora possa acometer indivíduos em qualquer faixa etária, as crianças são o grupo mais vulnerável. A doença é um processo inflamatório nas meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Ela pode ser provocada por vírus, bactéria, fungos ou parasitas.

A forma mais temida da doença é a meningocócica, provocada por uma bactéria (a Neisseria meningitidis) e que, junto com a pneumocócica, é considerada uma das formas mais graves e preocupantes do problema.

Isso porque, nesses casos, os sintomas costumam ser mais graves e requerem um início de tratamento com antibióticos imediatamente. Já a meningite viral manifesta um quadro mais leve, que inclui sintomas semelhantes do de gripes e resfriados e costuma evoluir sem maiores complicações.

A forma viral (provocadas principalmente por enterovírus) aliás, é a mais comum no Brasil, correspondendo a mais da metade dos casos registrados, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Como é a transmissão?

Em geral, a transmissão da meningite bacteriana é de pessoa para pessoa, por meio de gotículas e secreções liberadas pelo nariz e garganta. De acordo com o CDC (Centro de Prevenção e Controle de Doenças, nos Estados Unidos), aproximadamente uma em cada dez pessoas é portadora do meningococo no nariz ou na garganta, sem apresentar qualquer sintoma.

Na meningite viral, tudo depende do agente causador da doença: enterovírus têm transmissão fecal-oral (sem lavar as mãos direito, a pessoa transmite o vírus ao tocar outra pessoa ou alguma superfície que vai ser tocada em seguida). Já no caso dos arbovírus, outro possível causador do tipo viral da doença, o transmissor é um mosquito.

Na meningite por fungos, mais rara, a transmissão ocorre por aspiração de esporos, contato com ambientes contaminados por fezes de certos animais ou no ambiente hospitalar. Os parasitas envolvidos na meningite são adquiridos por alimentos contaminados, mas esses casos também são menos comuns que aqueles provocados por vírus ou bactérias.

Principais sintomas de meningite:

  • Febre (de início súbito)
  • Dor de cabeça
  • Rigidez do pescoço
  • Mal-estar
  • Náusea
  • Vômito
  • Sensibilidade à luz
  • Confusão mental
  • Manchas vermelhas na pele (em alguns casos)

Na suspeita da doença, é importante procurar ajuda médica o mais rápido possível.

Como é feito o diagnóstico?

A meningite é diagnosticada com a avaliação do paciente e a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), também conhecido como líquor, um fluido corporal estéril, límpido e incolor, que ocupa o espaço entre as meninges (espaço subaracnoide). Em processos infecciosos, o líquor fica turvo. Outros exames, como a cultura de líquor, sangue ou fezes, podem ser solicitados pelo médico.

Muitos se fala da dor provocada por esse procedimento; mas, se feito de forma adequada e por um profissional habilitado, a coleta é rápida e causa pouco incômodo, algo semelhante ao de uma coleta comum de sangue.

E tem cura?

Sim, a maioria dos casos é curável desde que se procure ajuda médica imediatamente, principalmente nos casos de meningite bacteriana.

Neste caso, o tratamento é feito com antibióticos aplicados na veia e o paciente fica internado no hospital. Quanto mais rápido o tratamento começar, menor a possibilidade do quadro evoluir mal.

Já para as meningites virais, o tratamento é apenas de suporte, embora em certos casos o uso de antivirais possa ser indicado. Os medicamentos antitérmicos e analgésicos são úteis para aliviar os sintomas. O paciente pode voltar para casa, pois geralmente em poucos dias o problema estará resolvido.

As meningites por fungos são tratadas com antifúngicos por longo período. E, por fim, os quadros causados por parasitas também possuem tratamento específico, em geral com o paciente internado.

O principal risco de complicações é mesmo na versão bacteriana. O risco de morte por meningite meningocócica é alto —de 10% a 20%, segundo a Sbim (Sociedade Brasileira de Imunizações), podendo chegar a 70% se houver infecção generalizada (meningococemia).

Esse tipo de complicação é grave e ocorre quando a bactéria Neisseria meningitidis entra na corrente sanguínea. Nesse caso, os principais sintomas são:

  • Fadiga;
  • Mãos e pés frios;
  • Calafrios;
  • Dores severas ou dores nos músculos, articulações (juntas), peito ou abdômen (barriga);
  • Respiração rápida;
  • Diarreia;
  • Manchas vermelhas pelo corpo.

Dá para prevenir?

A meningite pode ser provocada por diferentes agentes infecciosos e, para alguns deles, já existem vacinas previstas no calendário oficial do Ministério da Saúde. São elas:

  • Vacina meningocócica conjugada sorogrupo C Protege contra a doença meningocócica causada pelo sorogrupo C;
  • Vacina pneumocócica 10-valente (conjugada) Protege contra as doenças invasivas causadas pelo Streptococcus pneumoniae, incluindo meningite;
  • Pentavalente Protege contra as doenças invasivas causadas pelo Haemophilus influenzae sorotipo B, como meningite, e também contra a difteria, tétano, coqueluche e hepatite B;
  • BCG Protege contra as formas graves da tuberculose.

Na rede particular também existe uma vacina contra a meningite B, indicada dos dois meses aos 50 anos de idade.

Outras dicas gerais de prevenção da doença são lavar as mãos com frequência, especialmente após usar o banheiro; cobrir a boca ao espirrar ou tossir; e manter os ambientes sempre ventilados.

* com informações de reportagem de Tatiana Pronin publicada em 05/03/2019.

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