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Novo método reduz chance de rejeição em enxerto de nervo humano

Estudo brasileiro apresenta possibilidade de reduzir riscos de rejeição nesse tipo de procedimento - iStock
Estudo brasileiro apresenta possibilidade de reduzir riscos de rejeição nesse tipo de procedimento Imagem: iStock

Do VivaBem, em São Paulo

19/02/2020 15h44

Resumo da notícia

  • Análise brasileira mostra que é possível retirar material genético dos nervos enxertados, reduzindo as chances de rejeição por parte do receptor
  • Técnica tem custo baixo igual ao método tradicional e já está sendo patenteada

Um estudo brasileiro realizado na PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná) investigou a eficácia de diversos métodos para remover o DNA de nervos de doadores de órgãos. Com a remoção do material genético, essas estruturas teriam menores chances de serem rejeitadas pelo corpo do receptor.

A pesquisa foi realizada pelo estudante Carlos Eduardo Motooka, do programa de pós-graduação em Ciências da Saúde, que foi orientado pelo professor Felipe Tuon.

As lesões em nervos costumam ser resultado de choques elétricos e fraturas de ossos próximos aos nervos provocadas geralmente por acidentes de automóveis, agressões e até acidentes com objetos cortantes, como serras e facas.

A análise avaliou dois métodos de descelularização para remover componentes genéticos dos nervos periféricos vindos de doadores, mas garantindo sua matriz extracelular. Isso permitiria que essas estruturas fossem reconstruídas diminuindo a possibilidade de rejeição na implantação.

Atualmente, a técnica mais comum de reparo desse tipo de lesão é por meio de enxertos, um método de baixo custo que usa a aproximação das extremidades do nervo no local do enxerto para criar uma espécie de tubo condutor que facilita a regeneração celular. No entanto, a técnica apresenta risco de rejeição, além da perda de função motora da área doadora.

A técnica avaliada por Motooka utilizou nervos retirados do antebraço de um doador de órgãos e que, posteriormente, pasaram por uma dissecação para remoção de gordura e restos de outros tecidos. Eles então foram transportados até o Laboratório de Doenças Infecciosas Emergentes da PUCPR.

Lá, eles passaram por processos de descelularização feitos por meio de detergentes químicos e métodos físicos ultrassônicos que se mostraram eficazes em remover os resíduos de DNA do doador sem interferir na estrutura dos nervos. O procedimento, que também possui custos baixos igual à técnica de enxerto tradicional, já está em processo de pedido de patente.

A descoberta é importante para otimizar a recuperação do paciente, além de contribuir para que ele volte a ser funcional e reduzir os custos com o tratamento. Além dos gastos diretos com o paciente, há ainda o custo indireto, que envolvem as complicações relacionadas à perda funcional do membro, as dores constantes e a perda da capacidade motora que impede a empregabilidade das pessoas portadoras desse tipo de lesão. "A perda funcional e consequentemente a incapacidade de trabalhar gera desconforto e dor para o paciente, além de um alto custo financeiro", afirma Motooka.

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