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Yasmin Brunet diz que tem ansiedade; sintomas vão de taquicardia à insônia

Yasmin Brunet fala sobre sua ansiedade - Reprodução/Instagram
Yasmin Brunet fala sobre sua ansiedade Imagem: Reprodução/Instagram

Gabriela Ingrid

Do VivaBem, em São Paulo

14/02/2020 16h02

A modelo Yasmin Brunet, 31, contou em seu perfil no Instagram que sofre de ansiedade, nesta sexta-feira (14). "Eu tenho, muito. Depressão e ansiedade parece que são o mal do seculo, né? Quanto mais você conversa com as pessoas, vê que todo mundo já teve. Se você não teve é muito sortudo."

Ela tem razão. Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), Brasil é o país mais ansioso do mundo: 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) convivem com o transtorno. Mas o tabu em relação à condição permanece.

Na conversa com os fãs, Yasmin contou que acha engraçada a percepção que as pessoas têm do transtorno mental. "Quem nunca teve contato com a ansiedade acha que é ficar nervosa para o dia de amanhã, porque vai encontrar alguém. Não é isso", disse.

Sintomas de quem sofre de ansiedade

As sensações de quem sofre do transtorno são diversas e vão desde algo mais subjetivo como medo e apreensão até pensamentos catastróficos e sintomas físicos.

O corpo todo pode ser afetado pela liberação de substâncias como a noradrenalina e o cortisol, que ativam a atenção, aumentam a pressão sanguínea e os batimentos cardíacos para preparar o organismo para reagir.

Sem perceber, a pessoa inala mais ar do que precisa (hiperventilação), o que piora tudo: "Diminui muito o nível de gás carbônico no sangue, acionando receptores que ficam nas carótidas e que mandam sinais equivocados ao cérebro", diz Fernanda Sassi*, médica do ambulatório de transtorno de personalidade e do impulso do IPQ - HC/FMUSP.

"Quem tem sabe que quando se está em momentos de crise é muito difícil. É horrível a sensação, você não consegue respirar. É debilitante", disse Yasmin.

Sintomas psicológicos:

  • Apreensão
  • Medo
  • Angústia
  • Inquietação
  • Insônia
  • Dificuldade de concentração
  • Incapacidade de relaxar
  • Sensação de estar "no limite"
  • Preocupações com desgraças futuras
  • Pensamentos catastróficos, de ruína ou adoecimento

Sintomas físicos:

  • Sudorese
  • Falta de ar
  • Hiperventilação
  • Boca seca
  • Formigamento
  • Náusea
  • "Borboletas" no estômago
  • Ondas de calor
  • Calafrios
  • Tremores
  • Tensão muscular
  • Dor no peito
  • Taquicardia (coração acelerado)
  • Sensação de desmaio
  • Tonturas
  • Urgência para ir ao banheiro

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Diagnóstico e tratamentos

O diagnóstico da ansiedade é clínico, ou seja, baseado na análise dos sintomas. Não há exames que confirmem o transtorno, mas, como muitos pacientes têm sintomas físicos, como taquicardia e falta de ar, um médico pode solicitar alguns testes para descartar outras doenças. Certas doenças, como hipertireoidismo, ou uso de certos medicamentos podem provocar ansiedade.

Sobre o tratamento, a modelo contou que a terapia é a forma que encontrou para lidar melhor com a ansiedade. "Salva vidas, é a coisa mais incrível do mundo. Aconselho que todo mundo faça", disse. Como ela afirmou, "o remédio não cura, ele alivia sintomas. Ajuda naquele momento em que você está em crise, desesperada, mas curar mesmo é na terapia".

Veja abaixo alguns dos principais tratamentos para ansiedade, segundo estudos e opiniões de especialistas:

Psicoterapia: as terapias da fala, em geral, ajudam os pacientes a identificar os fatores que deflagram a ansiedade, como falsas crenças, e a encontrar formas mais saudáveis de lidar com os sintomas e as dificuldades que o transtorno cria. A psicanálise e as terapias psicodinâmicas podem ser úteis nesse aspecto, mas a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que tem um caráter mais prático, é a que tem demonstrado maior eficácia segundo evidências científicas.

Terapias complementares: práticas meditativas, como mindfulness e meditação, têm despertado atenção de pesquisadores e hoje existem evidências científicas de seus benefícios. O princípio é se concentrar na respiração ou em alguma palavra, no momento presente ou nas sensações corporais, sem brigar ou se apegar às ideias que vêm à mente.

Exercícios de respiração diafragmática, como os da ioga, também são considerados úteis para quem sofre de pânico. Além disso, técnicas de relaxamento, neurofeedback, biofeedback, alongamentos, massagens, musicoterapia, acupuntura, banhos quentes e ervas como camomila, passiflora e valeriana...tudo isso pode ajudar no controle dos sintomas e aumentar o sucesso dos tratamento convencionais.

Medicamentos: os fármacos mais utilizados para os transtornos de ansiedade são os antidepressivos, como inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ex: fluoxetina, sertralina, paroxetina etc) e tricíclicos (ex: clomipramina), entre outros. Os principais efeitos colaterais são problemas sexuais e ganho de peso. Ansiolíticos como os benzodiazepínicos (diazepam, clonazepam, lorazepam, lexotan etc), que agem num neurotransmissor chamado Gaba, podem ser indicados no início do tratamento ou durante as crises. A prescrição dessas drogas deve ser feita com cuidado porque há risco de prejuízos psicomotores, problemas de memória e dependência.

Alguns médicos também podem prescrever betabloqueadores (como propanolol e atenolol) para reduzir sintomas como taquicardia e tremedeira em situações específicas, como apresentações em público. Alguns anticonvulsivantes (como a pregabalina) ou neurolépticos também podem ser prescritos em casos específicos, dependendo dos sintomas e de condições associadas.

Hábitos saudáveis: as atividades físicas são de extrema importância para quem sofre de ansiedade, pois ajudam o corpo a liberar substâncias que promovem bem-estar, além de distrair a mente e melhorar o sono. Atividades ou jogos que exigem concentração também podem ter um um efeito de "treino mental" contra a ansiedade. Outras, como futebol ou dança, têm a vantagem de estimular a socialização.

As recomendações gerais dos especialistas incluem: ter uma dieta saudável, rica em vitaminas e minerais; aprender a equilibrar trabalho e descanso; controlar a exposição aos eletrônicos, principalmente à noite; evitar o excesso de álcool, café, cigarro e outros estimulantes; e levar o sono a sério (dormir mal também colabora para o excesso de hormônios do estresse, o que só agrava o quadro de ansiedade). Todos esses bons hábitos também funcionam como prevenção para os transtornos ansiosos.

Informações de matéria publicada no dia 17/07/18

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