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Raphael Coleman morreu enquanto corria; como evitar riscos ao se exercitar

O ator Raphael Coleman - Reprodução/Facebook
O ator Raphael Coleman Imagem: Reprodução/Facebook

Do VivaBem, em São Paulo

11/02/2020 14h10

O ator Raphael Coleman, que ficou conhecido após interpretar Eric em Nanny McPhee, a Babá Encantada (2005), morreu aos 25 anos, na sexta-feira (7). Segundo seu padrasto, ele teve um colapso enquanto corria.

Ele largou a atuação e vinha se concentrando em defender a preservação do meio ambiente. Em agosto do passado, foi preso em um protesto do lado de fora da embaixada brasileira. "Não vou esperar e ver o mundo queimar", disse, na época.

Segundo a mãe, Coleman não tinha problemas de saúde e "morreu fazendo que amava, trabalhando pela causa mais nobre de todas".

Apesar de não ter sido confirmada, a possível causa da morte é o mal súbito, mesmo mal que acometeu o pai de Isis Valverde, em janeiro.

O mal súbito é uma parada cardíaca que pode ter diferentes causas (cardiológicas, neurológicas e até metabólicas). Ele é definido pela literatura médica como aquele quadro que acontece de repente, até uma hora dos primeiros sintomas ou 24 horas depois da última vez que a pessoa foi vista em suas atividades normais. Alguns indivíduos morrem instantaneamente; outros falecem após a manifestação de alguns sinais. Porém, dependendo do caso e quando o paciente é socorrido rapidamente, pode se salvar.

Mal súbito em jovens

Apesar de casos de mal súbito em jovens não serem comuns, é preciso cuidado para evitar que aconteça, de acordo com Guilherme Sangirardi, cardiologista pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Segundo ele, na população em geral, a morte súbita está muito relacionada à doença coronária, na qual há acúmulo de placas nas artérias, limitando o fluxo de sangue para o coração. "No entanto, quando falamos de jovens com menos de 35 anos que praticam exercício, esse quadro muda e a doença mais responsável pela morte súbita se torna a cardiomiopatia hipertrófica", diz.

O cardiologista do esporte Carlos Alberto Cyrillo Sellera, da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo), afirma que nessa doença os músculos cardíacos se tornam espessos e bem maiores do que os da população em geral, dificultando o bombeamento do sangue pelo coração. O esforço físico é um gatilho e pode desencadear arritmias potencialmente fatais.

Raphael Coleman, o Eric de Nanny McPhee, a Babá Encantada - Divulgação/Nanny McPhee, a Babá Encantada'
Raphael Coleman, o Eric de Nanny McPhee, a Babá Encantada
Imagem: Divulgação/Nanny McPhee, a Babá Encantada'

Esporte é melhor forma de prevenção

"Em casos como este, cria-se um estigma de que o exercício pode fazer mal, mas é justamente o contrário, basta analisar como está a saúde antes de começar a se mexer", diz Sellera.

Sangirardi concorda: "O esporte é a principal maneira de prevenção de doença cardiovascular. Mas esse estímulo tem que ter um cuidado por trás e a pessoa deve se orientada por um cardiologista antes de começar a atividade física."

A orientação é obrigatória para iniciantes e deve ser repetida anualmente. Deve ser realizada uma consulta clínica e uma bateria de exames, incluindo eletrocardiograma, teste ergométrico e análise do histórico familiar. Com base nos resultados é avaliado se o paciente está ou não apto a realizar o esporte.

"Se ele for diagnosticado com a cardiomiopatia, deve ser afastado imediatamente de qualquer atividade competitiva", explica Sangirardi. Nesse caso, esportes que demandam menos consumo de oxigênio, ou seja, que não aumentam tanto a frequência cardíaca são os recomendados.

Apesar de casos como o de Taíse, o esporte é a melhor prevenção para doenças cardiovasculares - iStock
Apesar de casos como o de Taíse, o esporte é a melhor prevenção para doenças cardiovasculares
Imagem: iStock

Alguns cuidados são necessários antes e durante a realização de um esporte:

  1. É fundamental que a pessoa só faça o que já está acostumada a fazer. O grande problema do mundo amador é a melhora do resultado e a busca pelo recorde. Nosso corpo muda conforme a rotina. Às vezes acordamos mais cansados no dia da prova ou comemos mal, por isso é ideal não ultrapassar seus limites. Faça apenas o que seu corpo já sabe que aguenta.
  2. Preste atenção no clima no dia da corrida. Se a temperatura foi alterada, se o ambiente está muito úmido... Qualquer mudança de planos deve ser debatida com o seu treinador, já que provavelmente você terá que se hidratar mais ou diminuir o ritmo. É importante relacionar o desempenho com a condição climática.
  3. Leve em conta sua rotina diária. Se estiver se sentindo cansado, diminua o ritmo e faça a corrida da maneira que se sentir melhor.
  4. Além da hidratação, é importante se atentar à questão alimentar. Em corridas pequenas você pode não precisar de reposição de energia, mas a rotina alimentar da semana anterior fará diferença. Evite gorduras e alimentos muito pesados e procure refeições equilibradas.
  5. Evite correr em jejum. Praticar exercício sem nada no estômago pode levar à hipoglicemia e deixá-lo fraco, com confusão mental, palpitações e tremores. faça uma alimentação leve uma hora antes de começar a atividade física.
  6. Por último e não menos importante, a avaliação periódica pelo menos anual é essencial e obrigatória. Só por meio desses exames que você vai saber se tem ou não alguma condição.

Informações de matéria publicada no dia 19/03/18.

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