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Inspiração pra fazer da atividade física um hábito


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O que a gravidez em atletas de alto nível ensina às futuras mamães

Sydney Leroux, colega de time de Alex Morgan, seguiu treinando com o time durante parte da gravidez - Reprodução Instagram/@sydneyleroux
Sydney Leroux, colega de time de Alex Morgan, seguiu treinando com o time durante parte da gravidez Imagem: Reprodução Instagram/@sydneyleroux

Nicola Ferreira

Da Agência Einstein

16/01/2020 10h25

Artilheira da última Copa do Mundo, Alex Morgan, de 30 anos, anunciou um mês após a conclusão do torneio a sua gravidez. Esperando a sua primeira filha, a atacante terá outro desafio: voltar a sua melhor forma em apenas três meses para atuar nos Jogos Olímpicos. A gravidez da jogadora e o retorno tão próximo do mais importante evento esportivo do mundo reacendeu uma curiosidade comum entre atletas de alto rendimento e esporádicas: até quantos meses é recomendado continuar a praticar exercícios físicos?

A Agência Einstein entrevistou importantes nomes no meio da saúde e do esporte para entender mais sobre os efeitos da gravidez e do pós-parto na carreira das atletas de alto rendimento e conhecer de que maneira o conhecimento a respeito do tema ajuda também as esportistas amadoras.

She's still got it

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Hormônios do bem

O início da gravidez, especialmente o primeiro trimestre, é um momento em que a mulher sente muito calor, consequência do aumento do hormônio feminino progesterona. A temperatura do corpo sobe até 1,0° C. A prática de exercícios faz com que a temperatura corporal se eleva ainda mais, levando a mamãe a transpirar mais. Portanto, é preciso ter maior cuidado com a hidratação.

A elevação de temperatura faz ainda com que o corpo necessite de mais oxigênio. O maior aporte leva ao aumento de VO2, que é a capacidade de transportar oxigênio pelo organismo. Quanto maior o VO2, melhor o condicionamento físico. Em geral, há aumento entre 5% a 10% de VO2 durante a gestação.

Outra mudança hormonal que beneficia atletas é a maior produção da relaxina, hormônio produzido pelo corpo lúteo (estrutura endócrina que auxilia na manutenção do endométrio) e pela placenta. Útil para o momento do parto, auxilia a mulher a ter as juntas mais flexíveis.


Pode ou não pode?

Não importa o nível de condicionamento, se a mulher é esportista ou praticante de atividade física moderadamente. Há limites para os exercícios durante a gravidez. As atletas, por exemplo, continuam autorizadas a praticar o esporte, contudo são orientadas a parar de competir. "Atletas de alto nível que continuam atuando, mesmo grávidas são exceções", afirma a ginecologista Tathiana Parmigiano, do Comitê Olímpico Brasileiro. A tenista Serena Williams, fenômeno das quadras, jogou grávida e se encaixa na exceção de que fala a médica.

Portanto, tanto a preparação quanto a prática continuam valendo, mas é preciso adotar alguns cuidados para não expor a mulheres a riscos evitáveis. As esportistas treinadas pelo técnico José Roberto Guimarães, da Seleção Brasileira de Vôlei e do time São Paulo/Barueri, por exemplo, não são expostas a treinamentos em que exista a possibilidade de queda. "As restrições mais duras são impostas com o decorrer dos meses", explicou.

Não são recomendados exercícios que envolvam carga elevada ou façam pressão no abdômen. "A mulher precisa evitar fazer exercícios abdominais", orienta a ginecologista Tathiana.

Há apenas uma atividade proibida: qualquer uma que envolva pressão negativa, como o mergulho. Grávidas têm maior probabilidade de desenvolver embolia pulmonar em espaços despressurizados. Além disso, a retenção de líquidos na gravidez pode ocasionar inchaço nos ouvidos, nariz e gargantas, dificultando a respiração.

Pós-parto

Após os nove meses da gestação, a atleta e a não esportista devem ainda manter algumas precauções durante um tempo. O retorno às atividades só pode ocorrer de quatro a seis semanas no caso de parto normal e de 6 a 8 semanas no caso de cesarianas. Contudo, a volta a atividade de grau mais intenso só pode ocorrer após a liberação do obstetra.

Os treinos das atletas que voltam à ação são compostos, primeiro, por exercícios físicos, e só depois para o treinamento das habilidades exigidas pelo esporte. "Nossos cuidados maiores são na volta. Sempre ouvimos um feedback da atleta para ajustarmos os treinamentos", explica o treinador José Roberto Guimarães.

A jogadora de vôlei Dani Lins, do Sesi/Bauru, deu à luz Lara seis meses antes do campeonato mundial de 2018. Dani, que queria competir no torneio, precisou fazer dieta para perder o peso ganho durante a gestação. Foi somente depois de perder onze quilos e voltar a treinar normalmente que ela se sentiu pronta. Atualmente, a jogadora do Sesi superou tudo. "As dificuldades físicas e técnicas passaram", conta Dani.

Contudo, ainda há muitas atletas que não conseguem fazer essa volta lenta e gradualmente. Por conta de pressões financeiras de patrocinadores, nível competitivo alto e falta de leis protetoras, a maioria das mulheres não têm seus contratos feitos com base na CLT e muitas vezes são obrigadas a voltarem rapidamente à atividade.

O que fazer durante os nove meses

O recomendado é que após o primeiro trimestre até o oitavo mês de gestação sejam feitos exercícios aeróbicos como andar e nadar em intensidade moderada. A rotina deve ser de trinta minutos de exercícios, cinco dias na semana. Uma das formas de saber se o exercício está na intensidade moderada é conseguir falar uma frase inteira durante o movimento.

5 exercícios recomendados para grávidas

1- Atividades aquáticas (natação, hidroginástica e hidroterapia)
Os exercícios na água permitem que a mulher tenha maior equilíbrio corporal, além de relaxar a musculatura e aumentar o fôlego e a resistência. Os exercícios na água são os mais recomendados para o último trimestre.

2 - Ioga
A prática é perfeita para o aumento de flexibilidade e de equilíbrio, além de oferecer exercícios respiratórios que podem relaxar e ajudar no trabalho de parto. Alguns grupos são especializados em gestantes. No último trimestre, é preciso mais atenção por conta da mudança no centro de gravidade.

3 - Pilates
Já conhecido no meio, o pilates é recomendado para fortalecer a musculatura do assoalho pélvico (conjunto de músculos e ligamentos que sustentam os órgãos da região, como a bexiga, o útero e o intestino). O fortalecimento pode auxiliar a mulher a aguentar o peso da barriga e facilitar o parto normal.

4 - Dança
Dançar é uma excelente atividade para aumentar a capacidade respiratória e controlar o ganho de peso devido a gravidez. Ao fazer o exercício é importante prestar atenção a frequência cardíaca e com a falta de equilíbrio, especialmente no final da gravidez

5 - Alongamento
Assim como a ioga, o alongamento auxilia na flexibilidade e reduzindo sintomas de ansiedade. Redobrar a atenção no último trimestre, já que as articulações estarão mais flexíveis, podendo resultar em mais dores muscular e luxações (lesão ou deslocamento das articulações).

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