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Varizes no testículo, a varicocele, podem causar dor e infertilidade

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Imagem: iStock

Léo Marques

Colaboração para VivaBem

17/12/2019 04h00

Você, homem, sente uma dor e um aumento de volume em um ou nos dois testículos que irradia para a virilha e piora no clima quente, quando passa muito tempo em pé ou se faz esforços físicos? Fique atento: pode ser varicocele.

"Às vezes, por ser tão desconfortável, pode ser um fator de afastamento do trabalho ou até de certas profissões em que há exposição a fontes de calor, o que piora o quadro da dor e pode levar até à infertilidade", explica Ricardo de la Roca, urologista do Hospital São Luiz, em São Paulo.

Ao sentir esses sintomas, é hora de consultar um especialista —e descobrir o que acontece. O problema pode ser detectado após o urologista investigar a história clínica do paciente e submetê-lo a um exame físico, que consiste em apalpar o cordão espermático na bolsa escrotal e solicitar ao paciente encher o pulmão de ar e fazer força como se fosse encher um balão.

"Se for notado um refluxo de sangue nestas veias, com dilatação imediata, pode-se chegar a um diagnóstico de varicocele", afirma De la Roca.

Para confirmar o diagnóstico, o urologista pode solicitar ainda exames complementares. "Deve-se fazer um ultrassom de escroto com doppler e um espermograma, para ver se há alteração da produção de espermatozoides", acrescenta Christian Fuhro, urologista da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Por meio do ultrassom com doppler, o médico pode medir o diâmetro dessas veias testiculares e registrar o refluxo venoso no cordão espermático, além de avaliar um possível grau de atrofia testicular, bem como, em casos mais duvidosos, detectar as áreas mais quentes e que comprometem a bolsa testicular do paciente.

Já o espermograma consiste em um exame onde o sêmen é colhido por meio de masturbação e vai ao laboratório, onde se analisam características dos espermatozoides, como capacidade de locomoção e vitalidade, por exemplo.

Caso seja comprovado um quadro de varicocele, resta entender o que isso significa.

Varizes bem lá?

Uma das grandes vilãs da fertilidade masculina, a varicocele é a dilatação de um conjunto de veias que drenam o sangue dos testículos. "São veias mais frágeis, doentes, como varizes das pernas", explica Fuhro.

Este represamento de sangue na bolsa escrotal eleva a temperatura local, igualando-se à corporal, e como os testículos estão protegidos ali dentro e precisam se manter menos aquecidos, a produção dos espermatozoides pode sofrer alterações.

"Essas alterações correspondem a um número reduzido de gametas, variação na forma e velocidade de progressão dos mesmos, acarretando infertilidade e com o tempo podendo causar a atrofia da testículo", afirma De la Roca.

Mas calma! O urologista Christian Fuhro observa que, em alguns casos, o indivíduo pode ter varicocele, mas não alteração nos espermatozoides.

Quanto à incidência da doença, pode ocorrer em ambos os testículos, mas o esquerdo é normalmente o mais afetado. "Por uma questão de trajeto das veias: no lado esquerdo, a pressão sanguínea acaba sendo mais alta. Já no lado direito, a pressão é menor", comenta Fuhro. Porém, dependendo do volume de sangue represado em um lado, o calor na bolsa escrotal pode atingir o outro testículo e afetar a produção geral de espermatozoides.

Em torno de 20% dos homens podem apresentar varicocele em maior ou menor grau. Nos pacientes inférteis, o índice chega a 50% dos casos, sendo então diagnosticada na fase adulta jovem, explica Ricardo de la Roca.

"Aparece gradativamente com o passar dos anos e na adolescência torna-se perceptível. Porém, se despercebida, só é diagnosticada quando o casal, após um ano de tentativas para engravidar, não consegue", acrescenta De la Roca.

Defeito em válvulas é causa principal

Não existem hábitos que possam contribuir para o aparecimento da varicocele. Entre as causas principais, além de uma fragilidade natural desses vasos, tem a própria questão anatômica.

"As veias que drenam os testículos não possuem válvulas que impediriam o retrocesso do sangue venoso, como normalmente ocorre com outras veias do nosso corpo, então quando aumentamos a pressão venosa central, como por exemplo ao fazermos um esforço ao tossir, o sangue venoso tende a refluir para os testículos, em maior ou menor grau dependendo da dilatação destas veias", esclarece o urologista do Hospital São Luiz.

O médico aponta ainda outro problema: um defeito em válvulas que deveriam drenar o sangue: "O ângulo da drenagem das veias espermáticas nas veias maiores, onde vão se inserir, é o principal fator da varicocele, pois pode dificultar o retorno venoso e, consequentemente, um volume maior de sangue acaba represado nestas veias, que aumentam de calibre, promovendo uma dilatação do sistema circulatório local", diz.

Já quando a varicocele aparece de forma súbita no testículo direito, aumentando a pressão nos vasos, a questão é outra. "De forma aguda pode estar relacionada a tumores abdominais comprimindo a veia cava", diz Fuhro sobre a possibilidade da presença de um trombo proveniente de um tumor invadir a veia responsável por transportar o sangue venoso do abdome e dos membros inferiores para o coração, causando obstrução da drenagem venosa do testículo direito.

"Por isso, quando o problema surge mais tardiamente, deve-se investigar a presença de tumores abdominais", complementa o médico.

Tratamento varia de acordo com sintomas

Nos casos de dor, o tratamento recomendado pelos especialistas é clínico, ou seja, com medicações que melhorem o tônus venoso. Além disso, pode ser necessária a colocação de um suspensório escrotal, um tipo de cueca que funciona como uma bolsa para o escroto.

Agora, se houver deformidade anatômica ou infertilidade, o tratamento é cirúrgico. "É o tratamento mais comum, onde após a abertura do canal inguinal (passagem no interior da parede abdominal) e abordagem do cordão espermático é reconhecida a veia espermática varicosada e dilatada, que é cortada e amarrada para não ocorrer mais o refluxo do sangue venoso de cima para baixo", explica De la Roca.

Em alguns casos, ainda de acordo com De la Roca, pode-se também ocluir estas veias por meio de uma embolização percutânea, isto é, um processo não cirúrgico, semelhante a um cateterismo. Nesse caso é inserido um cateter que obstrui o retorno do sangue desta veia espermática, fazendo-o fluir por outras veias não dilatadas, assim não comprometendo a viabilidade do testículo.

Para evitar o procedimento cirúrgico, que é relativamente simples, o importante mesmo é detectar o problema o quanto antes.

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