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Como em "Amor de Mãe": Ter um aneurisma cerebral não é sentença de morte

helovi/iStock
Imagem: helovi/iStock

Cristiane Bomfim

Da Agência Einstein

12/12/2019 15h37

O diagnóstico de um aneurisma cerebral soou como uma sentença de morte para Thelma, personagem vivida pela atriz Adriana Esteves na novela da TV Globo "Amor de Mãe. "É uma operação perigosa. Eu não posso morrer", desesperou-se ao ser informada pelo médico da trama sobre os riscos de uma cirurgia: "arriscada, com chances de complicações e sequelas para o resto da vida".

A doença é caracterizada pela dilatação anormal de uma artéria cerebral, causada pelo enfraquecimento de sua parede, formando espécies de bexigas (sáculos). Mas, embora seu rompimento represente um grave risco à saúde, o diagnóstico de um aneurisma não deve ser encarado como o fim anunciado de uma vida.

"Há tratamentos já consolidados na medicina capazes de tratar mais de 90% dos aneurismas e evitar seu sangramento. Apesar do tratamento de fato ter uma margem de risco, é muito incomum um aneurisma não poder ser tratado com as técnicas disponíveis hoje em dia", afirma o neurocirurgião André Gentil, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Estimativas apontam que entre 1% e 5% da população mundial tenham a malformação. Comumente silenciosa, não apresenta sintomas na maioria dos casos. Os fatores que contribuem para enfraquecimento da parede arterial podem ser genéticos ou controláveis. No primeiro caso, parentes de primeiro grau de pessoas que tiveram sangramento de aneurisma cerebral têm duas vezes mais chances de desenvolverem a condição.

Em caso de mais de um parente, as chances crescem para 50 vezes na comparação com a população geral. Tabagismo, o consumo abusivo de álcool, uso de drogas estimulantes (como cocaína e anfetaminas) e hipertensão arterial não controlada são fatores evitáveis.

"Em geral, o aneurisma cerebral é assintomático e não é percebido ao longo de toda vida. Sua gravidade está associada ao seu rompimento ou à compressão de alguma estrutura cerebral", explica o neurologista Rubens José Gagliardi, presidente da Associação Paulista de Neurologia e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

"Aí sim pode apresentar sintomas que variam de acordo com a área afetada", diz. Em 40% dos casos, o sangramento do aneurisma cerebral é fatal, sendo que em cerca de 15%, as mortes ocorrem antes da chegada ao hospital. Entre as pessoas que sobrevivem, estima-se que até 50% poderão ter algum tipo de sequela.

Para tratar um aneurisma há basicamente dois procedimentos: o endoarterial e a cirurgia aberta. A opção por uma ou outra deve ser individualizada e discutida entre médico e paciente. "É preciso fazer uma análise entre o risco do aneurisma e o risco do tratamento.

Entram nessa avaliação vários fatores, incluindo o seu tamanho, formato e localização", diz André Gentil. Para o caso de aneurismas identificados de forma incidental, ou seja, em exames de investigação de queixas não relacionadas ao problema, em alguns casos pode-se optar pela conduta médica mais conservadora, segundo a qual as características do aneurisma são acompanhadas periodicamente por exames de imagem e os fatores de risco evitáveis devem ser controlados.

"Cada caso é um caso. A exceção, em que não há o que pensar, é quando o aneurisma rompeu e já sangrou. Neste caso, é preciso tratar com urgência para evitar o ressangramento", afirma o neurologista.

Tratamentos

Como o próprio nome sugere, a cirurgia aberta consiste na abertura do crânio (craniotomia) para realizar a clipagem do aneurisma. Isso quer dizer: fechamento da base do aneurisma da artéria no ponto de sua dilatação, isolando o sáculo (bexiga) do aneurisma e garantindo que um possível rompimento não resulte no escape do sangue que circula na artéria pela região cerebral e cause uma hemorragia.

"Embora seja uma cirurgia que sempre tem algum grau de risco, a vantagem é que uma vez bem clipado, a chance deste aneurisma causar problemas no futuro é menor que 1%", diz André Gentil.

Já o tratamento endoarterial tem tempo de internação menor e a vantagem de não precisar da abertura do crânio. Este método utiliza cateteres levados da região da virilha (pela artéria femoral) até o cérebro.

Em sua forma mais usual, o aneurisma é preenchido com pequenas molas, que impendem a entrada do sangue e reduzem, assim, a pressão na área enfraquecida da artéria. "Quando este método é utilizado, é necessário fazer um acompanhamento por imagem para garantir que o aneurisma não seja recanalizado em longo prazo", diz Gentil.

Variações da mesma técnica incluem o uso de cola especial para preencher as lesões ou a inserção um stent diversor de fluxo. "É como uma rede com espaçamento da trama muito pequena que envolve o interior da artéria, conduzindo o fluxo sanguíneo e impedindo que ele entre no aneurisma", continua o médico.

"É muito raro um aneurisma não ser tratável. Por isso, a recomendação é que após o diagnóstico o paciente procure um especialista e esteja aberto inclusive para ouvir uma segunda opinião. Ter um aneurisma cerebral não é uma sentença de morte", encerra Gentil.

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