PUBLICIDADE

Topo

Saúde

Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor


Saúde

Novas drogas para emagrecer aumentam chances de tratamento contra obesidade

mermaidb/Istock
Imagem: mermaidb/Istock

Cristiane Bomfim

Da Agência Einstein

10/12/2019 11h03

A população brasileira está engordando. De 2006 para 2018, a porcentagem de pessoas acima do peso no país saltou de 11,8% para quase 20%. Mas, para tratar a obesidade, nem sempre a mudança de hábito —com alimentação adequada e inclusão de atividade física no dia a dia— é suficiente. Por ser uma doença crônica, assim como diabetes e hipertensão, ela precisa de acompanhamento médico e, em alguns casos, do uso de remédios.

A liberação de novas drogas que ajudam no emagrecimento pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aumenta as possibilidades de tratamento e capacidade de atendimento, uma vez que eles estão cada vez mais seguros e com menos efeitos colaterais.

Na lista de medicamentos mais usados por quem precisa emagrecer estão o orlistate, a sibutramina, a liraglutida e, mais recentemente, a lorcaserina. No entanto, os médicos reforçam: o uso sem acompanhamento médico oferece riscos à saúde.

"A obesidade está relacionada com fatores genéticos, ambientais, comportamentais e culturais. Só um médico é capaz de fazer a avaliação do melhor tratamento levando em consideração o histórico de saúde, por exemplo", afirma Mário Carra, presidente da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

Outro alerta é não acreditar nas promessas milagrosas. "Não existe remédio milagroso capaz de emagrecer muito em pouco tempo sem contrapartida do paciente. A perda de peso sustentável requer os cuidados de um endocrinologista e de outros profissionais que vão ajudar o paciente a ter hábitos mais saudáveis e a lidar com questões como ansiedade em longo prazo, como nutricionista e psicólogo", afirma o endocrinologista Paulo Rosenbaum, do Hospital Israelita Albert Einstein. O primeiro passo é o reconhecimento da doença e a procura de um especialista.

O uso dos medicamentos para emagrecer não é indicado para todos os pacientes. Sua indicação leva em conta o IMC (Índice de Massa Corporal), calculado pelo peso dividido pela altura ao quadrado. Apenas indivíduos com IMC entre 25 e 29,9 (sobrepeso) ou acima de 30 (obesidade) podem ser medicados se houver necessidade.

"Eles não devem ser usados para ter o corpo em dia no verão ou para uma festa. São remédios e, se usados sem acompanhamento e sem mudança de hábito, irão favorecer o efeito sanfona, desencadeando outros problemas", ressalta Rosenbaum. Por isso, ele lembra, é importante conhecer também o funcionamento de cada um:

Cloridrato de Sibutramina: em forma de cápsulas, foi inicialmente testada como antidepressivo. Atua no sistema nervoso central, especialmente nos neurotransmissores serotonina e noradrenalina. Ela provoca a sensação de saciedade e controle de fome.

Efeitos Colaterais: aumenta a pressão e a frequência cardíaca. Pode causar prisão de ventre, irritabilidade e dor de cabeça. "Alguns estudos indicaram aumento das chances de infarto e outros problemas cardíacos por uso deste remédio. Como ele atua no sistema nervoso central, tem um efeito periférico de constrição dos vasos sanguíneos, aumentando a pressão e as chances de doenças coronárias", explica Paulo Rosenbaum, do Einstein. Associado à uma boa alimentação e a prática de atividade física pode reduzir até 10% do peso.

Contraindicações: idosos, pessoas com problemas psiquiátricos, no coração, pressão alta ou diabetes. Só é vendido com retenção de receita médica.

Lorcaserina: Considerado um dos medicamentos mais seguros para emagrecer, após testes com 12 mil pacientes durante três anos, está disponível para venda no Brasil desde o início de 2019. É a evolução do medicamento fenfluramina, que foi retirado do mercado por causar problemas vasculares. Tem ação seletiva nos centros da fome e da saciedade. Ou seja: diminui a fome e torna mais curadora a sensação de saciedade com a vantagem de não oferecer riscos de problemas cardíacos por não alterar o funcionamento cognitivo do sistema nervoso central.

"É um medicamento de ação menor, que age durante 12 horas. Por isso o paciente precisa tomar dois comprimidos ao dia. Sua vantagem é a segurança, pois não altera a pressão cardíaca, não oferece riscos ao coração e os resultados efetivos variam de 5% a 8% de perda de peso, quando seu uso está associado a hábitos saudáveis. Porém, o preço é mais alto", afirma Mario Carra, da SBEM.

Efeitos colaterais: cefaleia transitória no início do tratamento.

Contraindicações: não é recomendado para uso por grávidas ou mulheres que planejam engravidar.

Liraglutida: disponível no formato de injeções subcutâneas para aplicação diária, o liraglutida é análogo ao hormônio GLP-1, produzido pelo corpo humano. Ele atua em órgãos diretamente ligados ao mecanismo da saciedade e é liberado toda vez que ingerimos algum alimento, determinando um tempo maior para a digestão, dando assim a sensação de saciedade prolongada e reduzindo o apetite. "É o que apresenta os melhores resultados em termos de redução de peso. O emagrecimento pode chegar em até 20% da massa. Porém, a dose eficaz muda de pessoa para pessoa. Além disso, seu uso exige aplicação de injeções", explica Mario Carra, presidente da SBEM.

Efeitos colaterais: náuseas ou enjoos, vômito, azia e boca seca são os mais comuns.

Contraindicações: o uso não é indicado para pessoas com alergia à liraglutida, crianças, adolescentes e mulheres grávidas ou lactantes.

Saúde