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CBD tem potencial para reduzir dor crônica em pessoas com anemia falciforme

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Imagem: iStock

Danielle Sanches

Do VivaBem, em Orlando (EUA)*

07/12/2019 14h44

Resumo da notícia

  • Estudo em ratos mostrou que uso de canabidiol pode prevenir o desenvolvimento de dor crônica em pacientes com anemia falciforme
  • A doença é genética e faz com que os glóbulos vermelhos tenham formato de foice e dificuldade em transportar o axigênio, causando anemia e dores
  • O estudo mostrou que ratos fêmeas tiveram pouco efeito com as doses utilizadas, o que pode sugerir que mulheres precisem de maiores quantidades
  • É muito importante também que o paciente trate a dor aguda antes de ela se tornar crônica

Um estudo apresentado no Congresso da ASH (American Society of Hematology), que acontece em Orlando (EUA) entre os dias 7 e 10 de dezembro, mostrou que o uso de canabidiol pode prevenir o desenvolvimento de dor crônica em pacientes com anemia falciforme.

Hereditária, a doença é caracterizada pela proliferação de glóbulos vermelhos (encarregados do transporte de oxigênio pelo sangue) anormais, no formato de foice. Como são mais rígidos do que os glóbulos vermelhos normais, essas células têm dificuldade em transportar o oxigênio pelos vasos capilares menores, o que provoca a falta de oxigenação nos tecidos.

Isso provoca, entre outros problemas, dores nos pacientes, especialmente na região do abdômen, ossos maiores dos braços e das pernas. Anemia, falta de ar e febre são outros sintomas da doença.

De acordo com o estudo apresentado pelo Varun R. Sagi, pesquisador da área de Hematologia, Oncologia e Transplantes do Departamento de Medicina da Universidade de Minnesota, nos EUA, o CBD (como o canabidiol é chamado) presente na maconha já mostrou-se eficiente no combate à dor, ansiedade e inflamação.

Contudo, diferente do THC, o outro grande componente da maconha, ele não tem efeitos psicoativos, tornando-se um ativo importante para ser utilizado em terapias potencialmente relevantes no tratamento da dor.

Dor aguda x dor crônica

Sagi explica que utilizou ratos geneticamente modificados para conseguir animais com glóbulos vermelhos semelhantes aos dos humanos e assim testar a resposta desses modelos ao uso do canabidiol.

Ele separou os animais em dois grupos: um que recebeu uma dose de canabidiol durante 19 dias e outro de controle. Ele notou que os animais que não receberam a dose do ativo tiveram mais episódios de dor aguda causada pela doença. Esse processo evoluiu e teria provocado o aparecimento de dor crônica nesses indivíduos.

Por outro lado, os animais tratados com o canabidiol apresentaram menos episódios de dor aguda, impedindo portanto sua evolução para dor crônica. Isso, no entanto, foi observado apenas em ratos machos; nas fêmeas, as mesmas doses tiveram pouco efeito, o que sugere que elas precisam de uma dose maior para ter o mesmo beneficio.

Para o teste, o especialista utilizou o medicamento Epidiolex, um extrato com 99% de CBD aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration) para o tratamento de convulsões. Sagi lembra que existem muitos produtos irregulares que dizem conter canabidiol atualmente no mercado, porém sua pureza e eficácia ainda permanece duvidosa. "Isso é preocupante, pois faz com que a população em geral faça uso de produtos com grandes doses de impureza", afirmou.

Sagi afirmou que o estudo, considerado piloto, ainda precisa de aprofundamento para entender melhor os mecanismos do CBD nos seres humanos e deverá ser ampliado no futuro.

Ele também reforçou a importância de se fazer o tratamento com o ativo ainda na fase de dores agudas. "Provavelmente, é a melhor alternativa para evitar que esse tipo de dor passe pela transição e se torne uma dor crônica", finalizou.

No dia 3 de dezembro, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilâcia Sanitária) autorizou o registro de medicamentos à base de canabidiol no Brasil, mas vetou o plantio para uso exclusivamente medicinal.

A resolução cria o "produto à base de cannabis", uma nova classe de produto. Isso significa que o canabidiol ainda não será considerado como medicamento, e os produtos liberados poderão ser para uso oral e nasal, em comprimidos e líquidos. Há também permissão par auso de óleos com o ativo.

No entanto, o uso do remédio deverá ser autorizado especialmente para pessoas que sofrem com graves enfermidades, como epilepsia grave e tumores.

* A repórter viajou para Orlando a convite da Amgen

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