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MG: 84 alunos fazem exame contra ISTs após uso de agulha em feira escolar

Uso compartilhado de agulha teria ocorrido durante um teste de glicemia - vgajic/iStock
Uso compartilhado de agulha teria ocorrido durante um teste de glicemia Imagem: vgajic/iStock

Daniel Leite

Colaboração para o UOL, em Juiz de Fora (MG)

27/11/2019 15h38

A polícia em Juiz de Fora (MG), a 262 km de Belo Horizonte, investiga o suposto compartilhamento de agulhas entre adolescentes durante testes de glicemia na feira de ciências de uma escola municipal. Nos dias seguintes, após a notícia se espalhar, houve uma corrida a hospitais da cidade, e ao menos 84 pessoas que estiveram no evento realizaram exames contra infecções sexualmente transmissíveis, segundo a prefeitura.

De acordo com a assessoria de imprensa da administração municipal, que responde pelas Secretarias de Educação e de Saúde, uma sindicância interna apura os fatos, mas já há "relatos consistentes" do uso de agulha por vários alunos da escola municipal Arllete Bastos, no bairro Parque Independência. Por enquanto, não se sabe exatamente quem teve a iniciativa de compartilhar o objeto: se a escola, algum professor ou os alunos.

A feira de ciências aconteceu no último sábado (23), entre 9h e 17h. Em um dos estandes, os estudantes puderam realizar testes de glicemia. Na segunda-feira (25), a mãe de uma aluna procurou a direção da instituição de ensino relatando que a filha disse ter visto mais de um aluno utilizando a mesma agulha para furar o dedo e medir a quantidade de açúcar no sangue.

Após a denúncia, a escola fez contato com a Secretaria de Educação, que avisou o setor de saúde municipal. A assessoria do governo municipal explicou que, em casos assim, a orientação é fazer testes contra ISTs em todas as pessoas submetidas ao exame.

Com os 84 atendimentos realizados até agora em hospitais, a prefeitura acredita ter alcançado o número total de pessoas que fizeram o teste com o suposto compartilhamento de agulhas na feira de ciências.

Ainda não há informação da dimensão exata do caso, pois não se sabe quantas pessoas teriam passado pelos testes de diabetes com a mesma agulha. A partir da investigação, na qual serão ouvidos pais, alunos, professores, direção da escola, os responsáveis serão punidos, afirma a prefeitura, mas não foi divulgado o tipo de penalidade previsto.

Detalhes do inquérito policial serão repassados amanhã, em entrevista coletiva, segundo a Polícia Civil.

"Foi uma falha", diz mãe de estudante que fez o teste

C.Q., 38, preferiu não ser identificada para não expor a filha, A.Q, 14. A reportagem do UOL foi até a casa dela, próximo da escola onde teria ocorrido o uso compartilhado das agulhas.

A dona de casa relata ter recebido uma ligação da diretora do colégio na segunda-feira à noite perguntando se os filhos dela tinham realizado o exame no evento de ciências. C.Q contou que a filha mais velha fez, e houve a explicação da diretora.

"Ela disse que em algum momento aconteceu uma situação que pode ter havido algum incidente, e que era melhor a gente comparecer ao pronto socorro, que uma pessoa determinada estaria esperando lá, para fazer os testes".

No hospital, segundo essa mãe, os funcionários também estavam assustados com a quantidade de pessoas procurando pelo mesmo exame, sem saberem direito o que havia acontecido. Na unidade de saúde, as mães chegaram a ouvir que não havia mais o coquetel para os exames anti retro-virais, mas, por fim, conseguiram ser atendidos e medicados, afirma a dona de casa.

Segundo ela, o teste deu negativo para a filha. Ainda assim, seguirá com a medicação durante os 28 dias recomendados pela Secretaria de Saúde, além do acompanhamento clínico com especialista.

C.Q diz que pensa em conversar com outras mães para avaliarem a possibilidade de entrarem com ação coletiva contra o município. "Foi uma falha de observação na feira de ciências que resultou numa situação bem grave".

Prefeitura nega falta de coquetel

Em nota, a Secretaria de Saúde de Juiz de Fora negou falta de medicamento anti retro-viral na cidade. O órgão disse que as 84 pessoas foram atendidas no Hospital Dr. Geraldo Mozart Teixeira e no Centro de Testagem e Aconselhamento, dentro do Prédio de Vigilância em Saúde.

Ainda segundo a pasta, um carro do Serviço de Transporte Inter Hospitalar da prefeitura fez o translado de pacientes. Uma equipe multidisciplinar com médico, enfermeiro, assistente social e psicólogo realizou os trabalhos, de acordo com a assessoria de imprensa.

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