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Oito dicas para fazer os homens cuidarem da saúde

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Imagem: PeopleImages/iStock

Fábio de Oliveira

Agência Einstein

25/11/2019 10h08

Homem não vai ao médico. É um clichê batido, mas que tem um fundo de verdade. Só para ter uma ideia, o Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE) apontou que a expectativa de vida deles é de 73 anos e delas, 80 em 2019. Vários fatores entram em jogo na gincana da longevidade, sejam eles hormonais ou de comportamento. As mulheres, é verdade, tendem a se cuidar melhor no quesito saúde.

Mas talvez muitos dos homens não procurem assistência porque não encontram um acolhimento para atender suas demandas. O professor de enfermagem John Oliffe, da Universidade de British Columbia, no Canadá, analisou uma série de programas que visam promover a saúde de quem é portador dos cromossomos XY no seu país, na Austrália, na Nova Zelândia, entre outros, para checar o que funcionava ou não na empreitada.

"Alguns homens podem necessitar de recursos diferentes dos oferecidos por clínicas e hospitais tradicionais", diz Oliffe à Agência Einstein. "Os programas comunitários podem facilitar o acesso deles". Em terras canadenses, por exemplo, eles e elas frequentam na mesma proporção os consultórios médicos. A assistência a eles beneficia a sociedade inteira. "A comunidade, mulheres e crianças vão se beneficiar de ter homens bons e saudáveis à sua volta." Baseado em sua análise, foi possível listar oito táticas para que isso ocorra de maneira bem-sucedida:

1. Reconhecer as forças que afetam a saúde dos homens: fatores sociais, como cultura, etnia, status socioeconômico, educação e nível de renda podem afetá-la. Daí a necessidade de criar programas com conteúdo que tenha a ver com o público-alvo.

2. Atividade física constrói conexões: tudo o que envolve resolução de problemas, que se encaixa bem nos ideais masculinos, e destreza física funcionam a contento. Um exemplo é o programa Men's Sheds, que acontece na Austrália, Canadá e outros países. Ele atrai seu público por meio de atividades como marcenaria, tutoriais de computador, jardinagem e eventos sociais informais. "Os homens se conectam fazendo coisas", diz Oliffe.

3. Espaços seguros que os ajudam a se abrir: muitos são reticentes para falar sobre desafios que enfrentem na saúde ou questões pessoais. Programas como grupos de suporte para pacientes com câncer de próstata podem expandir a zona de conforto ao criar espaços seguros para o compartilhamento de experiência e a discussão de tópicos sensíveis.

4. Conhecimento pode combater estigmas: muitos homens que estão vivenciando problemas, como depressão ou pensamento suicida, não sabem sobre sua condição, o que pode aumentar ainda mais o estigma que sentem. O uso de uma linguagem sem julgamento para descrever essas e outras condições é uma forma de combater a visão negativa que lhes cerca, além de compreensão.

5. Ambientes focados neles dão bons resultados: espaços e atividades "amigáveis" para eles, como eventos esportivos ou competições, são uma boa para recrutar homens para programas relacionados à saúde. Alguns clubes de futebol europeu atraem marmanjos para iniciativas que combinam exercício e alimentação equilibrada.

6. Visão clara para o programa: ele deve ter benefícios tangíveis, objetivos claros e líderes fortes e colaborativos. Um programa para pais deixarem de fumar recrutou participantes com a oferta de refeições gratuitas. O projeto enfatizou a necessidade de os participantes trabalharem ativamente pelo seu bem-estar e os encorajou a manter as práticas saudáveis ao fim da jornada.

7. Avaliar para perpetuar: cada programa deve realizar avaliações de processos consistentes e formais para garantir que esteja saindo de acordo com o planejado e, dependendo do caso, ajudar a obter futuros financiamentos.

8. Nem tudo precisa ser expandido: se o programa atingiu seu objetivo, ele pode ser "aposentado" e ser a semente para futuras ideias.

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