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Estudo brasileiro apresenta medicamento eficaz no combate à sepse

Quando usada junto a antibióticos, a droga proporcionou 500% no índice de sobrevida em camundongos - iStock
Quando usada junto a antibióticos, a droga proporcionou 500% no índice de sobrevida em camundongos Imagem: iStock

Do VivaBem, em São Paulo

19/11/2019 16h42

A sepse, popularmente conhecida como infecção generalizada, é uma doença que resulta de uma reação exagerada do corpo a algum tipo de infecção causada por vírus, bactéria ou fungo.

As causas comuns de sepse são abscessos dentários, infecções urinárias, apendicite, infecções de pele (causadas por machucados) e pneumonia —causa mais comum, já que o pulmão é uma área altamente vascularizada do corpo, o que facilita a bactéria (no caso, a pneumococo) a cair no sangue.

Quando a doença não é combatida, ela pode causar a incapacidade do sistema circulatório em fornecer fluxo sanguíneo adequado para atender às necessidades de oxigênio e nutrientes, que resulta na ineptidão em manter a pressão arterial e na diminuição na perfusão sanguínea para os órgãos vitais, causando disfunção única ou múltipla de órgãos e sistemas e podendo levar à morte.

Liderado pelo imunologista brasileiro Alexandre E. Nowill, um novo estudo científico apresentou um novo medicamento com grande eficácia no combate à sepse em animais.

O novo tratamento medicamentoso apresentado na pesquisa, denominado IRSh*, combina nove antígenos amplamente conhecidos na literatura médica e, ao ser associado à ação de antibióticos, revelou resultados promissores em camundongos com sepse induzida, determinando um aumento de 500% sobrevida desses animais.

Como o estudo foi feito

  • Divididos em quatro grupos, dezenas de camundongos com sepse polimicrobiana receberam quatro diferentes tratamentos: placebo (não tratados), tratamento com antibiótico em monoterapia, o novo produto IRSh* sozinho, e IRSh* associado a antibiótico.
  • Os resultados mostram que a nova droga combinada a antibióticos aumentou a sobrevida em um modelo experimental de sepse polimicrobiana em cinco vezes quando comparado com o uso tradicional isolado de antibióticos.

Conforme explica Nowill, os antimicrobianos agem bloqueando e inibindo a viabilidade, proliferação e ação dos germes, favorecendo sua eliminação pelo sistema imunológico e, desta forma, deslocando o equilíbrio da relação de "briga" do patógeno versus hospedeiro de forma positiva a favor do organismo. Este deslocamento positivo ocorre quando a resposta do sistema imunológico é correta e eficiente para combater e eliminar o invasor.

De acordo com o especialista, como a resposta inadequada e exagerada do sistema imunológico é o ponto chave, uma possível solução para esta doença é trocar, substituir ou modular, de forma mais sutil, a resposta imunológica inadequada e patológica, por uma eficiente e curadora, conjuntamente com o uso combinado de antimicrobianos eficientes.

"Com uma nova identidade ou roupagem, o invasor induz imediatamente no sistema imunológico uma resposta correta secundária (memória), que é capaz de eliminar o invasor, sem alterar as principais funções orgânicas, retirando, do patógeno agressor, o papel de comandante da resposta do corpo", explica. Em vez de o corpo se adaptar ao invasor, o agente biotecnológico adapta o agressor ao que o corpo já conhece e já tem imunidade para a nova imagem formada.

Nesse cenário, em vez de apenas um ou alguns germes, a proposta faz com que o organismo reconheça múltiplo e diversos agressores para os quais ele já tem memória. Esta ativação da memória poderia controlar e modular a atividade do sistema imunológico, tornando-o mais eficiente, sem provocar danos orgânicos e fornecer um novo contexto antiinflamatório em direção à cura dessa infecção generalizada, agindo em conjunto com os antibióticos tradicionais.

Possibilidade teurapêutica

Os próximos passos contemplam o estudo em porcos e, posteriormente, a aprovação dos órgãos regulatórios para utilização em estudos clínicos humanos.

Para o Dr. Luciano Azevedo, presidente do ILAS, a nova possibilidade terapêutica deve ser encarada com otimismo. "Nas últimas décadas, tivemos inúmeras terapias promissoras para sepse, que infelizmente não confirmaram esse benefício em estudos clínicos de grande porte. Nesse sentido, a nova proposta terapêutica do Dr. Alexandre Nowill já deu o primeiro passo e sugere amplas possibilidades futuras."

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