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Atriz mirim morre após crise de asma; jovens precisam de mais cuidados

A atriz Laurel Griggs tinha 13 anos e sofria de asma há algum tempo e seguia o tratamento em casa - Instagram / @laurelgriggs
A atriz Laurel Griggs tinha 13 anos e sofria de asma há algum tempo e seguia o tratamento em casa Imagem: Instagram / @laurelgriggs

Danielle Sanches

Do VivaBem, em São Paulo

11/11/2019 16h46

Resumo da notícia

  • A atriz Laurel Griggs morreu aos 13 anos após sofrer uma forte crise de asma; ela era conhecida por sua atuação na Broadway
  • No Brasil, estima-se que a asma acometa 10% da população geral ou 20% das crianças e adolescentes
  • É comum que adolescentes, inclusive com o consentimento dos pais, parem o tratamento durante as crises, quando estão assintomáticos
  • Isso, no entanto, pode expor o paciente a crises mais severas, que podem se tornar uma emergência médica rapidamente
  • Por isso, os especialistas recomendam o tratamento contínuo e não apenas durante as crises (fase aguda)

A atriz da Boradway Laura Griggs, de 13 anos, morreu na última terça-feira, 5, em decorrência de uma forte de crise de asma. O avô da menina, David Rivlin, compartilhou a notícia em um post no Facebook.

Laura havia atuado com Scarllet Johansson nos palcos e era considerada uma estrela em ascensão. A menina estreou na Broadway aos seis anos com a peça "Cat on a Hot Tin Roof" e permaneceu com o mesmo papel por mais de um ano em cartaz, um recorde para a produção. Ela também participou do filme "Café Society", de Woody Allen.

De acordo com o jornal The New York Times, Laura sofria de asma há alguns anos e seguia seu tratamento em casa. Ela sentiu-se mal enquanto estava em sua casa, em Nova York, com os pais, que chamaram a emergência quando notaram que ela tinha problemas para respirar. Os paramédicos tentaram ressuscitá-la, mas ela faleceu no hospital.

A asma é caracterizada por uma inflamação nos brônquios (como são chamados os tubos que levam o ar para dentro do pulmão). Quando estes se fecham, a pessoa tem dificuldades para respirar; dependendo da gravidade da crise, se não for levada para o hospital, a condição pode levar à morte.

Dados da OMS indicam que 235 milhões de pessoas sofrem com a doença, sendo que é a doença crônica mais comum entre crianças. No Brasil, estima-se que a asma acometa 10% da população geral ou 20% das crianças e adolescentes.

Como é feito o diagnóstico?

A asma é diagnosticada principalmente pela análise dos sintomas, histórico pessoal e familiar. A confirmação pode ser feita com um exame de espirometria, no qual o paciente faz expirações forçadas e os fluxos são medidos no computador e comparados à média da população com o mesmo sexo, idade e altura. Testes alérgicos (de sangue ou de pele) ajudam a verificar a natureza alérgica da asma e identificar as fontes da reação.

De acordo o pediatra Alexandre Nikolay, coordenador da Emergência Pediátrica do Hospital Santa Lúcia, de Brasília, em crianças o diagnóstico costuma ser feito a partir dos três anos. Isso porque antes desse período, gripes e resfriados pode provocar uma inflamação e causar chiado no peito das crianças sem que isso seja necessariamente um sintoma da doença.

A doença também costuma ser mais grave na infância e na adolescência e a melhorar depois, na fase adulta. Segundo o pneumologista Pedro Rodrigues Genta, da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, isso se deve principalmente à imaturidade do sistema imunológico durante essas fases de vida.

Gatilhos para uma crise de asma

Fumaça, poeira, ácaros e até cheiros fortes, como tinta e perfumes muito intensos, podem desencadear uma crise. Outros gatilhos conhecidos são a exposição ao ar frio e seco; pelos e secreções de animais de estimação (que podem provocar alergias respiratórias), aspiração de pólen; fungos (presentes principalmente em espaços úmidos e escuros) e ainda poluição ambiental.

Toda crise pode ser fatal?

Os quadros de asma mais graves, que nem os medicamentos de tratamento contínuo conseguem controlar, não são os mais comuns. "São pacientes com um perfil específico, nem todos correm esse risco", afirma o pneumologista Pedro Rodrigues Genta, da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Segundo ele, quadros infecciosos, como gripes e pneumonia, podem piorar a asma e tornar a crise ainda mais severa.

No entanto, todo asmático sabe que qualquer crise pode se tornar uma emergência. "É uma situação grave. Se vier forte, a crise pode obstruir totalmente a passagem de ar e provocar uma parada cardíaca", diz Mauro Gomes, médico pneumologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Por esse motivo, o especialista recomenda que o tratamento da asma seja seguido durante todo o ano, e não apenas durante a fase aguda (da crise). "Isso vai ajudar na prevenção das crises", afirma.

Adolescentes precisam de atenção

Conviver com a asma na infância e na adolescência requer alguns cuidados. A começar pela dosagem dos medicamentos, que deve ser revista nessa transição. "Durante a puberdade, o corpo muda e uma dose ou medicamento que antes funcionava pode não ter mais o mesmo efeito", diz Maurício de Souza Lima, médico hebiatra (especializado em adolescentes) e colunista do VivaBem. "Isso precisa ser levado em conta na hora do tratamento, realizando as adaptações quando necessário", explica.

Por outro lado, é importante lembrar que o período entre as crises costuma ser assintomático e, por isso mesmo, um momento em que muitos pacientes abandonam o tratamento - por vezes com o consentimento dos pais - por achar que a saúde está boa. "Isso não deve ser feito, pois aumenta-se o risco de sofrer com novas crises", avisa Nikolay.

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