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Lucas Viana diz que não usa camisinha; por que jovens não se protegem?

Peão disse que todo mês recebe kits de camisinhas, mas que "não usa pra nada" - Reprodução/RecordTV
Peão disse que todo mês recebe kits de camisinhas, mas que "não usa pra nada" Imagem: Reprodução/RecordTV

Do VivaBem, em São Paulo

10/11/2019 13h04

Em uma conversa na sala da casa de A Fazenda 11, na manhã deste domingo (10), Lucas Viana disse que todo mês recebe kits de camisinhas, mas que "não usa pra nada". O peão Netto Rodrigues ainda afirmou que até o momento ninguém usou camisinha dentro do confinamento e que ele só usa "dependendo da batalha".

Os participantes do reality não estão sozinhos quando o assunto é usar preservativo. A OMS (Organização Mundial de Saúde) fez um alerta em junho deste ano para a epidemia de IST (infecções sexualmente transmissíveis) no mundo e recomendou o uso de camisinha para impedir essa disseminação.

Segundo a especialista em IST da OMS, Teodora Wi, há a preocupação de que o uso do preservativo possa estar diminuindo, já que as pessoas perderam o medo de contrair o HIV com o surgimento de tratamentos antivirais mais eficazes. Ela diz que as pessoas estão mais complacentes com a proteção e ressaltou que isso é extremamente perigoso num momento em que relações sexuais se tornaram mais acessíveis com os aplicativos de encontro, por exemplo.

Raramente essas doenças apresentam sintomas no início e, por isso, muitos dos doentes não sabem que estão infectados e precisam de tratamento, permitindo desta maneira que essas IST continuem se espalhando. "Consideramos uma epidemia oculta, uma epidemia silenciosa e perigosa", ressaltou Melanie Taylor, uma das autoras do relatório da OMS.

No Brasil, os números são assustadores. O uso do preservativo tem sido avaliado periodicamente pelo Ministério da Saúde por meio das PCAPs (Pesquisas de Conhecimentos Atitudes e Práticas na População Brasileira). Na última delas, realizada em 2013, concluiu-se que 46% dos brasileiros não usam camisinha sempre em relações casuais.

Nem aqueles que são ainda mais jovens e estão no início da vida sexual dão atenção para o preservativo. A Pense (Pesquisa Nacional de Saúde Escolar), publicada pelo IBGE, mostrou que em 2015, 33,8% dos adolescentes entre 13 e 17 anos que já tinham começado sua vida sexual não usou camisinha na última transa —o índice é nove pontos percentuais maior do que em 2012.

"Na hora não penso nisso"

Um dos obstáculos que deixa os jovens mais distantes da camisinha é a falta comunicação direta. Antigamente, uma propaganda na televisão conseguia atingir toda a população e deixar claro a importância da prevenção. Hoje em dia, o jovem já não assiste canais de TV aberta e passa muitas horas grudado no celular.

"O mundo e as conversas mudaram, as campanhas pelo uso da camisinha têm que evoluir", diz a médica sanitarista Adele Benzaken.

"Falta usar mais essa criatividade nas campanhas. Tem que ser menos careta, mais frequente. As campanhas estão sumindo e o jovem não percebe a vulnerabilidade que tem", comenta Roseli Tardelli, editora-executiva da Agência Aids.

A maioria das IST pode ser prevenida com o uso de camisinha - iStock
A maioria das IST pode ser prevenida com o uso de camisinha
Imagem: iStock

"Tenho mais medo de gravidez do que de Aids"

Por mais clichê que soe, outro fator que diminui o receio da geração é não ter vivenciado o período em que muitos famosos ficaram doentes e morreram por conta da doença. É aquela história de que eles não perderam ídolos ou conhecidos para Aids e por isso não acham o diagnóstico preocupante.

"No início da epidemia de Aids, ao descobrir um soro positivo você praticamente anunciava a morte. O sofrimento era enorme, marcou a população, mas 30 anos depois esse medo se esfarelou

Adele Benzaken, médica sanitarista, ex-diretora do Ministério da Saúde

Além disso, também houve certa banalização quanto ao tratamento da doença. A euforia com um remédio que controla os riscos passou uma mensagem de que tudo bem se infectar.

"A culpa também é dos profissionais de saúde. Ficamos animados com o tratamento fantástico, os benefícios do remédio apareceram mais do que a preocupação com a transmissão", afirma Benzaken.

É preciso deixar claro que o impacto da Aids mudou, ficou menos assustador, mas o vírus HIV é o mesmo e continua grave apesar das quedas de mortalidade, de acordo com Artur Kalichman, coordenador do Programa DST/Aids de São Paulo.

"Quem tem HIV terá a doença pairando sua vida para sempre. A informação do tratamento eficaz tem que ser espalhada, é ótimo, mas ser infectado não é simples como o jovem imagina", lembra Benzaken.

Arte/ UOL
Imagem: Arte/ UOL

"Aprendi que usar era certo e nunca pensei em deixar de lado"

Se o grupo de jovens que deixa de usar a camisinha cresce, aqueles que são adeptos dos preservativos por vezes são vistos como caretas ou neuróticos pelos amigos.

Na pesquisa de hábitos feita pelo Ministério da Saúde, é possível ver que em 2004, apenas 53,2% das pessoas com idades entre 15 e 24 anos afirmaram usar a camisinha ao perder a virgindade. Em 2013, esse número subiu para 64,2%.

"O aumento do uso do preservativo é discreto nesse contexto e precisamos dar o crédito. Sem esquecer que os outros indicadores apontam para um quadro mais infeliz", comenta Benzaken.

Arte/ UOL
Imagem: Arte/ UOL

"Mesmo tendo HPV transo sem camisinha"

Sem a camisinha, os números das IST aumentam. Segundo com uma pesquisa do Ministério da Saúde divulgada em 2014, mais de 10 milhões de brasileiros já tiveram algum sinal ou sintoma de alguma IST.

"A relação é direta, a falta de preservativo leva ao aumento da transmissão de doenças perigosas como sífilis e Aids

Artur Kalichman, coordenador do Programa Estadual DST/Aids-SP

Quem tem HPV deveria lembrar sempre da camisinha para evitar a propagação da doença, que já existe em 50% dos homens e entre 25% e 50% das mulheres no mundo inteiro.

O cuidado é necessário até porque a transmissão não se limita nas 'partes íntimas', o papilomavírus também pode ser transmitido pelo sexo oral e levar ao desenvolvimento do câncer de garganta.

Um exemplo são os casos de câncer de amídala a incidência do HPV, que cresceram de 25%, há 20 anos, para 80% em 2015, de acordo com estudo feito pela geneticista Sílvia Regina Rogatto, da Unesp (Universidade Estadual Paulista). Vale lembrar que já há vacina contra alguns tipos de HPV.

No caso do HIV, o último boletim epidemiológico 2018 mostra que de 2007 até junho de 2018, foram notificados 247.795 casos de infecção. O documento aponta que, entre os homens, observou-se um incremento na taxa de detecção na faixa de 15 a 19 anos, passando de três para sete casos, por 100 mil habitantes, entre 2007 e 2017. A maior taxa em 2017 foi de 50,9 casos entre eles, na faixa de 25 a 29 anos.

Quando o assunto é sífilis, dados do Boletim Epidemiológico de 2018, divulgado pelo Ministério da Saúde, mostram que a taxa de detecção da doença adquirida passou de 14,4 casos em 2012 para 58,1 em 2017 por 100 mil habitantes. Desde 2010 até junho de 2018 foram notificados 479.730 casos de sífilis.

Aprenda a usar a camisinha feminina ou masculina

Quer saber mais? Confira 10 dicas e curiosidades sobre o preservativo:

Dicas

1. Nunca abra a embalagem da camisinha com os dentes ou outros objetos que possam danificá-la.
2. Não use duas camisinhas ao mesmo tempo, porque elas podem se romper ou estourar.
3. Nunca reutilize uma camisinha: ela foi produzida para ser usada apenas uma vez. É um produto descartável.
4. Não use a camisinha apenas na hora da ejaculação. O preservativo deve ser colocado desde o começo do contato.
5. Quando se trata de HIV e IST, a camisinha é o jeito mais prático de se proteger.

Curiosidades

1. O Brasil é um dos países que mais adquire camisinhas em todo o mundo. E por isso tem uma indústria própria.
2. O preservativo nacional é 100% produzido com do látex natural das seringueiras da Amazônia.
3. A camisinha foi inventada da forma como é hoje em 1843. Mas, versões com outros materiais datam de 1300 a.C, como a dos egípcios. Eles usavam um envoltório feito de linho, pele e materiais vegetais.
4. A primeira loja de preservativos foi fundada em Londres, na Inglaterra, no século XVIII.
5. O preservativo não tem hormônios e nem provoca alterações menstruais.

*Informações de matéria apurada por Maria Júlia Marques e publicada no dia 13/02/2017.

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