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Ela descobriu junto o câncer e a gravidez: "Tive medo, mas segui gestação"

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Priscila Carvalho

Do VivaBem, em São Paulo

18/10/2019 04h00

"Eu pensei que podia ser qualquer doença, menos câncer de mama." A reação de Patricia Maria Marinho, 32, ao descobrir que tinha um tumor foi parecida com a de muitas pessoas que recebem o diagnóstico. Mas a surpresa não parou aí: na mesma consulta ela também recebeu a notícia de que estava grávida de um mês.

"Foi tudo sem querer. Havia parado de usar anticoncepcional e notei a presença de um pequeno caroço no seio direito. Quis saber como meu corpo estava e o resultado me surpreendeu", conta.

O primeiro médico com que Patricia se consultou disse que não seria possível seguir com a gravidez, pois o risco de complicações era alto. Ela ainda ouviu que tratar o câncer durante o período gestacional anteciparia sua menopausa e as chances de ela engravidar de maneira natural pela segunda vez seriam mínimas.

Gestação mantida

Patricia e seu marido decidiram ouvir outros especialistas para saber se realmente era necessário interromper a gravidez para tratar a doença. O casal foi a muitas consultas e a maioria dos especialistas disse que seria possível seguir com a gestação. "Foi um alívio ouvir isso, me deixou mais confiante", diz.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

O médico explicou que até o terceiro mês ela não deveria iniciar o tratamento do câncer pois o bebê estaria em fase de formação neurológica. Porém, isso não era tão preocupante pois o tumor não estava crescendo tão rapidamente e Patrícia poderia aguardar.

"Quando a paciente diagnostica o câncer de mama bem cedo e o tumor evolui lentamente, não é como alguns que aumentam muito de um dia para o outro, é possível esperar para fazer a quimioterapia sem correr grande risco de metástase", explica Felipe Cavagna, mastologista do Centro de Referência da Saúde da Mulher do Hospital Pérola Byington e do Cia da Consulta —que não foi médico de Patricia.

O nódulo da paulista estava com 5 cm quando foi autorizada a começar a quimioterapia. Ela seguiu um protocolo que envolvia quatro sessões a cada 21 dias e, depois, uma vez por semana durante quatro meses. Ao contrário de alguns pacientes, a paulista não sentiu os efeitos colaterais que muitas vezes o tratamento gera. "Não houve náuseas, vômitos e qualquer reação ligada ao tratamento."

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Além da quimioterapia, Patrícia também contou com o acompanhamento de psicólogos, que davam apoio emocional durante o período."Eu pensei que podia morrer, era uma tristeza, incertezas, mas a terapia me preparou para seguir e encarar todo o processo. Os especialistas me deram muita força, porque realmente o lado emocional fica muito debilitado."

Mudanças no meio do caminho

Aos sete meses de gestação, Patricia descobriu que estava com a síndrome de Hellp, condição rara que acomete mulheres durante a gravidez. "A condição está associada à pressão alta, não tem relação com o câncer, e provoca problemas no fígado, no rim e prejudica a imunidade —e não tem relação com o tratamento do câncer", explica Cavagna.

Por causa do problema, o parto precisou ser adiantado e seu filho nasceu prematuro, de 29 semanas. Após o parto, o bebê ficou internado 45 dias e Patrícia, 15 dias. Passado esse período, Atreio —nome que vem do grego e significa aquele que nada teme — foi para casa e começou a se desenvolver.

As sessões de quimioterapia acabaram e, agora, mãe e filho estão bem e levam uma vida praticamente normal. "A única coisa que não posso fazer é amamentar, de resto, está tudo tranquilo", afirma.

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Imagem: Arquivo pessoal

Patricia ainda aguarda finalização do tratamento, que deverá ser com uma cirurgia para retirada de parte do quadrante do seio. "Depois de tudo que passei, pensar nessa última etapa do tratamento não me incomoda. Estou confiante e o que me deixa mais feliz é saber que meu filho está bem. Está sendo tudo novo, uma descoberta e estamos vivendo", diz.

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