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Sintomas e tratamentos da doença


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Dorival Junior descobre câncer de próstata; saiba mais sobre a doença

Dorival Junior comanda o Flamengo em jogo contra o Grêmio - Bruna Prado/Getty Images
Dorival Junior comanda o Flamengo em jogo contra o Grêmio Imagem: Bruna Prado/Getty Images

Danielle Sanches

Do UOL VivaBem, em São Paulo

28/09/2019 13h27

Resumo da notícia

  • Treinador descobriu câncer na próstata após exame de rotina
  • Doença é a segunda mais comum nos homens brasileiros e o segundo tipo de câncer mais letal no público masculino
  • A alta mortalidade está associada à demora no diagnóstico, já que a doença evolui de forma silenciosa até estar em estágio avançado
  • Os homens com histórico familiar devem fazer exames de rotina a partir dos 45 anos; já quem não tem pode começar a partir dos 50 anos.

O técnico Dorival Júnior vai passar por cirurgia para a retirada de um câncer de próstata na próxima terça-feira (1º). Ele descobriu o tumor durante exames de rotina após notar o aumento do valor do PSA [enzima que detecta níveis de tumor, utilizada para diagnóstico de câncer de próstata].

"Com essa alteração no PSA, que foi bem significativa, meu médico pediu exames complementares para investigação. Foi quando descobrimos o câncer, graças a Deus, ainda no início. Falamos sobre as possibilidades de tratamento e ele garantiu que a cirurgia era a melhor delas", disse ao UOL Esporte. "Estou muito tranquilo, até animado, por ter descoberto cedo. Logo estarei pronto novamente para o mercado de trabalho".

Doença é a segunda mais comum entre homens

De acordo com Alex Meller, urologista da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) e médico do Hospital Israelita Albert Einstein, o câncer de próstata tem um fator genético muito forte. "O componente hereditário é bastante determinante. Quanto mais indivíduos da família apresentarem a doença, maiores os riscos daquela pessoa apresentar também", explica.

O médico ainda lembra que, embora os fatores ambientais influenciem pouco, uma vez instalado, o câncer tem uma evolução ruim em pacientes fumantes.

A doença é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens brasileiros — atrás apenas do de pele não melanoma — e o segundo mais letal, com 14 mil mortes por ano - perdendo apenas para o de pulmão*.

Uma das causas para essa alta mortalidade pode estar associada à demora no diagnóstico. O câncer de próstata é conhecido por evoluir de forma silenciosa e costuma não apresentar sintomas até que já esteja em estágio avançado, reduzindo as chances de tratamento e cura. Se não controlado, ele pode se espalhar para outras partes do corpo, em um processo chamado metástase.

De acordo com Meller, o principal indicativo de que há algo errado é a alteração do PSA no exame de sangue, como aconteceu no caso de Dorival. No entanto, essa enzima também pode aparecer alterada em exames quando há outras doenças na próstata, como hiperplasia benigna e inflamação da glândula (prostatite).

Por isso, o próximo passo após o exame de sangue é o exame de toque. Se o médico encontrar alguma alteração, é necessário pedir uma ressonância e, por fim, uma biópsia.

Exame de toque ainda é tabu

Falta de informação e resistência em procurar ajuda e realizar exames de rotina, principalmente o de toque retal, são os principais entraves para que o diagnóstico seja feito cedo, quando ainda há chance de reversão do quadro.

Em uma pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) em parceria com a Bayer, 49% dos homens nunca realizaram o exame, importante para a detecção do câncer*.

"Vivemos em uma sociedade machista e os homens têm preconceito mesmo", acredita o médico. "Mas vejo mudanças entre os mais jovens e também nos grandes centros urbanos, onde há mais acesso à informação", acredita.

O médico recomenda que os homens com histórico familiar façam os exames a partir dos 45 anos; já quem não tem pode começar a partir dos 50 anos.

* Informações retiradas de reportagens feitas em 04/08/2018 e 21/11/2018.

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