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Como emagreci

Histórias inspiradoras de quem mudou a silhueta


Como emagreci

Ela perdeu 42 kg e deixou o sedentarismo com ajuda dos amigos de natação

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Yara Achôa

Colaboração para o VivaBem

19/09/2019 04h00

Com 104 kg e problemas de saúde devido à obesidade, Andrea Diniz, 44 anos, decidiu fazer a cirurgia bariátrica. Quando começou a emagrecer, ela encontrou nos amigos que fez no esporte motivação para mudar seu estilo de vida e ter mais saúde. A seguir, a enfermeira e terapeuta conta como conseguiu:

"Fiz esporte ao longo da vida. Sempre gostei de natação. Mas, por conta de péssimos hábitos alimentares, não consegui equalizar o ganho de peso e a queima calórica e engordei. Quase diariamente, meu café da manhã era coxinha com refrigerante; no almoço comia fast-food; e no jantar, pizza ou lanche.

Como um círculo vicioso, quanto mais engordava, menos vontade tinha de me exercitar. E as desculpas estavam sempre prontas: roupa de treino que não servia, joelho que doía, cansaço, horário de trabalho. Até que abandonei de vez a atividade física.

Tentei várias dietas --algumas bem malucas. Certa vez, emagreci 17 kg em seis meses. Depois, recuperei isso e um pouco mais em apenas dois meses. Assim, fui perdendo a mão e cheguei a 104 kg (tenho 1,62 m de altura). Por não saber lidar com a ansiedade, por não encontrar uma forma de canalizar esse sentimento, descontava na comida.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Com problemas de saúde relacionados ao excesso de peso, IMC 39, que indica obesidade grau II (severa), em outubro de 2017 procurei um médico e resolvi fazer a cirurgia bariátrica. O procedimento correu bem, mas o especialista alertou que o emagrecimento só teria sucesso se eu realmente mudasse meus hábitos e voltasse a fazer exercícios.

Médico, nutricionista e psicólogo indicaram que começasse com musculação. Porém, resolvi voltar à atividade que mais gostava e estava longe há sete anos: a natação. Isso foi abrindo possibilidades. Minha professora da academia contou que nadava em águas abertas, o que fez meus olhos brilharam. Perguntei, então, se eu seria capaz de me arriscar na modalidade. Ela garantiu que era só treinar.

Nesse período pós-cirurgia conheci pessoas que tinham o esporte no seu dia a dia. Pessoas comuns que trabalhavam, tinham suas rotinas familiares e encontravam tempo e disposição para se dedicar a uma ou mais atividades físicas. Fiquei fascinada com esse universo de superação. Percebi com esses amigos que, se eu me organizasse, poderia desfrutar do mesmo estilo de vida. O contato com eles me motivava, estimulava, mostrava que era possível. Até hoje eles continuam causando esse impacto positivo na minha vida.

Comecei, então, a treinar e me preparar para uma prova em águas abertas. Nadava três ou quatro vezes por semana na piscina. Também fui até à represa Billings conhecer o ambiente fora dos azulejos. A ideia era perceber as reações do meu corpo para desbravar os novos desafios que teria pela frente.

Na natação em água aberta muitas coisas acontecem de forma diferente: não existem bordas para a gente se apoiar (como na piscina), não se enxerga o fundo e muitas vezes a temperatura da água é muito mais gelada. Era um novo mundo para mim!

Em abril desse ano, fiz minha primeira prova no mar (água abertas), em São Sebastião (SP). Antes de entrar na água me perguntava se eu realmente estava ali. Chorei ao lembrar onde estive e enxergar onde estava naquele momento. Olhei o percurso que iria nadar e tive a certeza de que estava preparada. Já na prova, nadando, falava a mim mesma: essa vista só consigo ter porque me desafiei, me dediquei e acreditei em mim. Não precisava mais ficar sentada imaginando como seria, estava ali realizando. A sensação de plenitude invadiu cada espaço dentro de mim. Foi indescritível a sensação.

Além da natação, estimulada por minha professora e por meus novos amigos, também comecei a correr e fazer musculação. Já participei de algumas corridas de rua —em junho completei meus primeiros 10 km — e minha alegria sempre é compartilhada com o pessoal. Passei a ser um deles! Com esse contato, tenho ainda mais motivação para seguir em frente e buscar novas conquistas. Tanto que já penso em fazer uma prova de triatlo, além de novos desafios na natação e na corrida.

O esporte e os amigos ajudaram a mudar a chave dentro de mim. Não quero mais a vida sedentária, com dor, com roupa que não me serve, sem querer me olhar no espelho. Hoje, com 62 kg (eliminei 42 kg), tenho a vida que gosto.

A atividade física me ajuda a canalizar a ansiedade, a lidar melhor com as frustrações e me deixa infinitamente mais disposta. O esporte me trouxe e me traz pessoas incríveis, com histórias de superação e vitória pessoal. Parei com as desculpas e foquei nas perguntas que me levam para frente. Como pode ser melhor? Como pode ser mais incrível? Como pode ser mais divertido? Como pode ser mais estimulante? Como pode ser mais desafiador? Daí surgem as respostas para onde quero chegar e aquilo que quero ser."

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