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Roberto Leal morre por câncer de pele; veja importância da detecção precoce

Reprodução/Band
Imagem: Reprodução/Band

Nathalie Ayres

Do VivaBem, em São Paulo

15/09/2019 12h04

Resumo da notícia

  • Roberto Leal faleceu devido a câncer de pele do tipo melanoma em estágio de metástase
  • O melanoma é considerado o câncer de pele mais agressivo, pois tem uma tendência maior a se espalhar para outros órgãos em curto período de tempo
  • O diagnóstico após a metástase dificulta o tratamento e aumenta o risco de morte, como aconteceu com Roberto Leal
  • Para detecção precoce, é importante estar atento a pintas na pele, principalmente ao tamanho, cor, bordas, formato e mudanças ao longo do tempo

O cantor português Roberto Leal morreu na madrugada deste domingo (15) aos 67 anos. A informação foi confirmada pelo Hospital Samaritano, em São Paulo, local onde ele estava internado, e por seu empresário, José de Sá. A causa da morte foi uma síndrome de insuficiência hepato-renal, gerada a partir de um melanoma maligno, que evoluiu e atingiu o fígado. Ele tinha esse câncer de pele há três anos --mas havia divulgado o diagnóstico apenas no final de 2018.

O melanoma é considerado o tipo de câncer de pele mais agressivo e com maior chance de mortalidade. Isso por que ele normalmente evolui para metástases --ou seja, se espalha para outros órgãos -- e isso ocorre com grande rapidez. "Muitas vezes perceber o câncer alguns meses antes poderia ser suficiente para ele ainda estar localizado", destaca o dermatologista Caio Lamunier, médico do ambulatório de melanoma do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

O Inca estima que cerca de 6.200 casos de melanoma sejam diagnosticados a cada ano (2.900 em homens e o restante em mulheres), sendo que a doença provoca aproximadamente 1.500 mortes.

Câncer avançado

Em entrevista ao Domingo Show, da Record, o cantor disse que a doença começou a se manifestar após fortes dores nas costas. "Era uma dor que começava no final da coluna, chamada hérnia discal, que se estendia para a minha perna direita e a deixava adormecida. Tinha horas em que eu não sentia sequer a perna do joelho para baixo", disse Leal na entrevista.

O diagnóstico após a metástase dificulta bastante o tratamento. "Quando o câncer ainda está localizado, o tratamento costuma ser apenas a cirurgia para retirada do tumor na pele. No entanto, quando ele se espalha, são indicadas terapias mais globais, como quimio, rádio, terapia alvo, entre outras", descreve.

Diagnóstico do melanoma

Como esse tipo de câncer afeta os melanócitos (que produzem pigmento), a manifestação é sempre uma pinta ou sinal acastanhado ou negro que muda de cor, formato ou de tamanho e pode causar sangramento. As lesões podem surgir em áreas menos visíveis, porém são mais comuns nas pernas, no tronco, pescoço e cabeça. Nos estágios iniciais, afeta apenas a camada mais superficial da pele, mas pode avançar para as mais profundas e alcançar outros órgãos, causando nódulos, inchaço nos gânglios linfáticos ou outros sintomas específicos na região afetada.

Regra do ABCDE

Para facilitar a identificação de lesões suspeitas, os dermatologistas criaram uma metodologia baseada nas letras do alfabeto:

A metodologia baseada nas letras do alfabeto ajuda a identificar lesões de pele suspeitas - Divulgação/Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)
A metodologia baseada nas letras do alfabeto ajuda a identificar lesões de pele suspeitas
Imagem: Divulgação/Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)
- A de assimetria: quanto mais assimétrica for uma mancha ou pinta, maior o risco de ser um câncer;
- B de bordas: bordas irregulares também são sinais de perigo;
- C de cor: pintas com mais de uma cor e com tons pretos podem ser melanoma;
- D de diâmetro: lesões com mais de 5 milímetros merecem mais atenção;
- E de evolução: mudanças na cor, tamanho ou forma de uma lesão ou pinta devem ser investigadas

Quem está em risco?

- Cor da pele: pessoas de pele clara e que se queimam com facilidade têm maior risco de desenvolver a doença.

- Hereditariedade: familiares de pacientes diagnosticados com melanoma têm risco mais alto e devem fazer exames preventivos com maior regularidade.

- Bronzeamento artificial: as câmaras de bronzeamento artificial também fornecem radiação UV e seu uso pode levar ao melanoma. É por isso que esses equipamentos foram proibidos para fins estéticos no Brasil desde 2009.

- Exposição ao sol: a radiação ultravioleta (UV) do sol é o principal agente causador de danos no DNA das células da pele. A radiação é mais forte em países com clima tropical ou com altitudes elevadas. A exposição crônica aos raios está associada principalmente ao carcinoma espinocelular; já indivíduos que tiveram queimaduras solares na infância são mais propensos ao carcinoma basocelular e ao melanoma. De acordo com o Inca, trabalhadores que atuam ao ar livre, como os da construção civil, agricultores, pescadores, guardas de trânsito, salva-vidas, atletas e agentes de saúde, entre outros, apresentam maior risco de câncer de pele não melanoma.

- Idade: os efeitos da radiação são cumulativos, por isso, quanto maior idade, maior a tendência a ter lesões cancerosas.

- Histórico: quem já teve câncer de pele tem probabilidade alta de apresentar novas lesões, por isso os cuidados devem ser tomados pelo resto da vida.

* Com informações da matéria do dia 18/09/2018

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