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Perrone pede cláusula antimadrugada; por que turno noturno faz mal à saúde?

Monalisa Perrone assina contrato com a CNN Brasil; a seu lado o CEO e founder da TV, Douglas Tavolaro - Divulgação/ CNNBrasil - Spokesman
Monalisa Perrone assina contrato com a CNN Brasil; a seu lado o CEO e founder da TV, Douglas Tavolaro Imagem: Divulgação/ CNNBrasil - Spokesman

Do VivaBem, em São Paulo

07/09/2019 10h44

A jornalista Monalisa Perrone assinou um contrato de quatro anos com a CNN Brasil, mas exigiu uma cláusula inusitada: em hipótese alguma ela irá trabalhar entre meia-noite e 8h da manhã.

Segundo o site Notícias da TV, a ex-apresentadora do Hora 1 passou os últimos cinco anos começando a trabalhar por volta da 1h da madrugada, uma vez que o jornal ia ao ar às 4h. Apesar de nunca reclamar do horário --ia dormir às 17h para se levantar às 23h--, ela dizia que a rotina afetava sua vida pessoal. Mas além dos problemas com os amigos e a família, trabalhar de madrugada causa problemas graves à saúde, aumentando inclusive o risco de câncer.

A mudança de turno gera uma ruptura do ritmo circadiano, um período de aproximadamente 24 horas em que se baseia o ciclo biológico. Isso faz com que o corpo fique estressado, como se estivesse em uma situação de luta ou fuga.

"Por um lado, o estresse é positivo, libera cortisol e adrenalina, deixando você atento. Porém, manter esse estado de hipervigília por meses leva à fadiga crônica e ao esgotamento. Você fica hiperestimulado por muito tempo, achando que precisara dos seus instintos de luta ou fuga, mas é só seu trabalho. O corpo perde forças e começa a falhar", diz Fabio Porto*, neurologista do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Nesse ciclo de pouco sono e muito estresse, o cérebro fica desregulado e, por ser o maestro da nossa orquestra, pode lesar o funcionamento de outros órgãos. "Fora que o cortisol em excesso enfraquece o sistema imunológico e deixa o organismo mais exposto a doenças, além de elevar o nível de inflamações e poder reduzir partes do cérebro relacionadas a memória", diz Luiz Scocca*, psiquiatra pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

Níveis continuados desse estresse podem levar a doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 ou aumento do risco de câncer colorretal e de mama.

Uma pesquisa de 2018, por exemplo, constatou um aumento de 19% no risco de câncer em trabalhadoras que faziam turnos noturnos de longa duração. Entre os tipos da doença, foi possível afirmar que mulheres que trabalham na madrugada têm 41% maior risco de câncer de pele, 32% mais chances de câncer de mama e 18% de aumento na possibilidade de desenvolver câncer gastrointestinal. Além disso, também foi possível constatar que a cada cinco anos de trabalho no período noturno há um aumento de 3,3% no risco de ter tumores nos seios.

"No corpo tudo é programado e funciona como um relógio. A melatonina, por exemplo, é um hormônio que induz o sono e é liberado sempre ao escurecer no fim do dia. Você pode mudar seu horário, mas o hormônio não mudará o dele", explica Scocca.

*Fontes consultadas em matéria do dia 09/11/2018