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Jovem está em coma por suspeita de doença ligada ao cigarro eletrônico

Jovem na Pensilvânia é mais uma vítima da doença respiratória ligada ao uso de cigarro eletrônico - iStock
Jovem na Pensilvânia é mais uma vítima da doença respiratória ligada ao uso de cigarro eletrônico Imagem: iStock

Danielle Sanches

Do VivaBem, em São Paulo

03/09/2019 12h35

Resumo da notícia

  • Um jovem de 19 anos está em coma induzido por suspeita de ser vítima da doença misteriosa ligada ao cigarro eletrônico que está assustando os EUA
  • Os médicos acreditam que a causa dos problemas respiratórios do jovem estão ligadas à prática do "vaping", como é chamado o uso do cigarro eletrônico
  • Desde agosto, o CDC (Center of Diseases Control and Prevention) dos EUA investiga uma misteriosa doença pulmonar ligada ao uso desses aparelhos
  • Os números atualizados do órgão afirmam que 215 potenciais casos já foram reportados em 25 estados americanos
  • No Brasil, os DEFs (dispositivos eletrônicos para fumar) são proibidos pela Anvisa; o órgão recentemente realizou uma audiência pública sobre o tema
  • Especialistas concordam que o uso de cigarros eletrônicos e dispositivos semelhantes é sempre prejudicial à saúde

Um jovem de 19 anos está em coma induzido no Hospital da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, por suspeita de ser mais uma vítima da doença misteriosa ligada ao cigarro eletrônico que está assustando a população e as autoridades americanas.

De acordo com o canal de notícias ABC, que conversou com os pais de Kevin Bouclair, embora ele tenha asma como condição preexistente, os médicos acreditam que os danos encontrados no pulmão do garoto são resultado de algo diferente e acreditam que está conectado à prática do "vaping" —como é chamado o uso dos aparelhos de cigarro eletrônico.

"Os médicos me disseram que ele chegou com pneumonia e foi tratado com antibióticos. Eles o estão tratando para várias coisas diferentes, mas existem algumas coisas para as quais eles não têm explicação", disse Debbie Bouclair, a mãe de Kevin, ao canal.

Após duas semanas de hospitalização, o jovem está em coma induzido e há a possibilidade real de que precise de um transplante de pulmão para sobreviver.

Doença misteriosa se espalha pelos EUA

Desde agosto, o CDC (Center of Diseases Control and Prevention) dos Estados Unidos está investigando uma misteriosa doença pulmonar ligada ao uso de cigarro eletrônico, prática comumente chamada de "vaping".

Números atualizados do órgão afirmam que 215 potenciais casos já foram reportados em 25 estados. Casos adicionais de pessoas com doenças pulmonares ainda estão sendo averiguados.

A maioria dos pacientes são adolescentes e jovens adultos usuários de cigarro eletrônico. Já se sabe que a causa não é infecciosa.

De acordo com o Wisconsin's Department of Health Services, no estado de Wisconsin, 89% dos 27 casos reportados da misteriosa doença pulmonar envolviam a adição de THC, o principal composto ativo da maconha, nos aparelhos de cigarro eletrônico.

Em Illinois, uma pessoa morreu vítima da doença respiratória ligada ao uso de cigarro eletrônico. A informação foi dada pelo CDC na última sexta-feira (23).

Enquanto investigam as causas, as autoridades americanas recomendam aos usuários de cigarros eletrônicos e aparelhos similares que reduzam ou evitem o uso.

O que é essa doença?

Embora as causas da doença sejam similares e pareçam estar relacionadas ao uso do cigarro eletrônico, o CDC ainda não tem certeza se eles têm uma causa em comum ou são diferentes doenças com apresentações similares. Por isso, declararam que precisam de mais dados para ter certeza sobre o que está causando a doença respiratória misteriosa.

De acordo com o jornal britânico The Independent, os sintomas descritos antes da hospitalização são dificuldade de respirar e dor no peito. Uma vez internados, os pacientes apresentaram febre, tosse, vômito e diarreia.

Um estudo publicado pelo periódico Thorax revelou que o vapor desses cigarros eletrônicos pode ser responsável por desativar as principais células do sistema imunológico no pulmão e aumentar as inflamações no organismo.

"O problema é que há poucos estudos sobre o que as substâncias que produzem o vapor do cigarro eletrônico causam na saúde", explica Stella Regina Martins, especialista em dependência química do Programa de Tratamento do Tabagismo do Incor (Instituto do coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP).

De acordo com a especialista, além da nicotina, os cigarros eletrônicos ainda podem conter aditivos para dar sabores de fruta, por exemplo, o que traz mais danos à saúde. "Cada aditivo tem uma composição diferente, não regulamentada, que vai mudar quando aquecida. É quase impossível saber em quais substâncias eles vão se transformar após o aquecimento e o que isso vai causar no corpo", acredita.

No Brasil, os DEFs (dispositivos eletrônicos para fumar), como são chamados os cigarros eletrônicos, são proibidos pela Anvisa por meio da resolução RDC 46/2009 justamente pela falta de evidências de que o uso desses produtos é seguro. O órgão recentemente realizou uma audiência pública para debater o tema.

Jovens encaram o "vaping" como seguro

Para o médico Paulo Corrêa, pneumologista da Comissão Científica de Tabagismo da SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia), os aparelhos para o "vaping" são comercializados, ainda que proibidos, de forma livre e como um produto seguro —o que não é o caso. "Muitos jovens usam achando que a fumaça é apenas vapor de água, mas não é verdade", conta. "O líquido contém substâncias como glicerol e propileno glicol, que podem originar substâncias cancerígenas depois de aquecidas", alerta o médico.

Além disso, há ainda a adição de nicotina em muitos deles. A substância também está presente no cigarro comum e é conhecida por causar dependência. "Os usuários acreditam estar fumando algo moderno e personalizável, mas na verdade estão com um produto que pode fazer tanto mal quanto o cigarro comum", afirma Corrêa.

Para Stella Regina Martins, é importante que os novos usuários estejam avisados dos riscos que correm ao utilizar esse produto. "Não sabemos se trocamos seis por meia dúzia. Quem quiser usar precisa saber que pode entrar nessa moda e sair doente", afirma.

*Informações de matéria publicada no dia 19/08/2019.

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