Topo

Equilíbrio

Cuidar da mente para uma vida mais harmônica


Equilíbrio

Saiba por que ser capaz de se adaptar é uma característica importante

O sucesso, pessoal e profissional, também depende de você estar aberto a novas ideias - iStock
O sucesso, pessoal e profissional, também depende de você estar aberto a novas ideias Imagem: iStock

Malu Echeverria

Colaboração para o VivaBem

27/08/2019 04h00

No ano 2000, o CEO da Blockbuster, John Ancioco, foi abordado por um homem que tinha a intenção de gerenciar os novos negócios online da maior rede de locadoras de filmes e games do mundo. "Tenho milhões de clientes e milhares de lojas rentáveis no varejo. Preciso me concentrar no dinheiro", teria respondido Ancioco na reunião. O interessado era ninguém menos do que Reed Hastings, atual CEO da Netflix. A Blockbuster pediu falência em 2010, uma década depois daquele encontro. Já a Netflix é o sucesso que conhecemos.

A história foi usada como exemplo em um TED da investidora de risco norte-americana Natalie Fratto para explicar o que ela classifica como quociente de adaptabilidade. Quando é apresentada a projetos de startups (só em 2018, ela conheceu 273 deles), Fratto contou à plateia que busca uma característica peculiar. "Não é o quociente de inteligência, nem o emocional. É a maneira como uma pessoa reage à inevitabilidade da mudança", afirmou. Mas será que a capacidade de adaptação faz tanta diferença assim também para pessoas comuns?

Segundo a psicóloga Paola Almeida, professora de psicologia comportamental da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), a hipótese não é exatamente uma novidade. "Na Teoria da Evolução, Charles Darwin (1809-1882) demonstrou que ela é fundamental para a sobrevivência. Quem continua vivo, diante das dificuldades, não é o mais forte e, sim, aquele que se adapta melhor", afirma.

A psicóloga explica que, no cenário atual, isso significa entender que somos resultado de nossa história e, portanto, repetimos comportamentos que nos foram ensinados. Mas podemos --e devemos -- mudar aquilo que não funciona mais, de acordo com o contexto.

Um dos primeiros estudiosos a observar como isso nos afeta negativamente no dia a dia, segundo a especialista, foi o psicólogo behaviorista B. F. Skinner (1904-1990). Em seus experimentos com jogos, ele concluiu que pessoas muito arraigadas a certas regras tinham mais dificuldade em encontrar soluções para vencer os desafios propostos. "Já aquelas que conseguiam explorar e testar mais, os resolviam antes", conta.

Como ser mais adaptável?

A boa notícia é que essa habilidade pode ser aprimorada --e favorecer não só as suas conquistas profissionais, como também as pessoais. "O primeiro passo é estar disposto a questionar a si mesmo: será que não existe outra maneira de fazer isso?", exemplifica Almeida.

"O que pode ser bastante útil no mercado de trabalho hoje, uma vez que temos três gerações trabalhando juntas: todo mundo tem de estar aberto a práticas e ideias diferentes", afirma o especialista em RH Ricardo Rocha, diretor executivo da consultoria internacional Spring Professional, de São Paulo. Por isso, saber ouvir é fundamental. "Um bom gestor precisa conhecer mais de um lado da história para tomar a melhor decisão", completa.

Outra dica levantada pelos especialistas diz respeito a pensar sempre à frente. E a melhor maneira de abrir a cabeça e se atualizar é simples: estude. Uma pesquisa encomendada pela Dell Technologies ao Instituto para o Futuro (da sigla IFTF, em inglês), com a participação de 3.800 líderes de negócios de 17 países, incluindo o Brasil, mostrou que 85% das profissões que vão existir em 2030 ainda não foram inventadas.

"Não dá para se acomodar, é preciso estar atento a novas tendências. Até porque se você não fizer, alguém vai fazer no seu lugar", diz Rocha. Mas tente buscar conhecimento para além da sua bolha, ok? "A gente não pode deixar isso só na mão dos algoritmos da internet, porque senão corremos o risco de ler apenas opiniões com as quais concordamos. O que faz com que nos agarremos cada vez mais a nossas posições", alerta Almeida.

O lado negativo da adaptação

Por outro lado, a psicóloga conta que a capacidade de se adaptar em alguns casos pode ser ruim também. "Você pode, por exemplo, fugir de novos relacionamentos porque teve uma experiência negativa lá atrás", explica.

Nesse caso, a terapia tende a ajudar por ser uma oportunidade de se conhecer melhor e rever certos padrões que não se aplicam mais. "Em resumo, é tudo uma questão de refletir sobre as próprias certezas sempre", conclui. Até mesmo Gandhi, como destacou Fratto, reforçou essa lição na última página de sua autobiografia ao escrever: "Devo me reduzir a zero".

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{user.alternativeText}}
Avaliar:

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Equilíbrio