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Após 30 anos sem se exercitar, ela recebeu coração novo e virou triatleta

Patrícia Fonseca nasceu com uma doença cardíaca e só começou a fazer exercícios aos 31 anos, um ano após receber um novo coração  - Reprodução do Instagram @coracaodeatletaoficial
Patrícia Fonseca nasceu com uma doença cardíaca e só começou a fazer exercícios aos 31 anos, um ano após receber um novo coração Imagem: Reprodução do Instagram @coracaodeatletaoficial

Elcio Padovez

Colaboração para o VivaBem

25/08/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Patrícia Fonseca nasceu com insuficiência cardíaca e, por conta da doença, não podia fazer esforço físico
  • Como seu pulmão também foi prejudicado, a paulista não podia fazer um transplante e, aos 20 anos, o médico disse que ela viveria só mais seis meses
  • Mas ela resistiu à sentença de morte e, dez anos depois, os avanços da medicina permitiram que ela recebesse um novo coração
  • Depois da cirurgia a economista começou a correr, pedalar e nadar e conquistou esta semana uma medalha de bronze nas "Olimpíadas dos Transplantados"

Até os 30 anos de idade, Patrícia Fonseca, 32, nunca havia praticado exercícios. Não que gostasse da vida sedentária ou não quisesse saber como é a sensação de correr. O problema é que o coração não permitia que a paulistana fizesse qualquer tipo de esforço físico.

Patrícia nasceu com insuficiência cardíaca e com 20 dias de já estava na UTI. "Por conta desse problema, minha vida sempre foi muito limitada. Quando criança, tinha vontade de brincar com os amigos e não podia", conta a economista, que na época da escola era proibida de participar as aulas de educação física da arquibancada e assistia tudo da arquibancada. Queria participar da aula de vôlei, mas os médicos vetavam qualquer emoção forte. Não podia imaginar a sensação de correr na rua."

A situação dela se agravou com o tempo e, aos 20 anos, Patrícia ouviu do médico que só tinha mais seis meses de vida.

Meu mundo acabou ali e minha vida parou. Tranquei a faculdade e fiquei um ano em casa, na cama, não conseguia chegar até a mesa para comer e não tinha forças nem para falar

A única chance de sobreviver era por meio de um transplante de coração, mas como seu problema tinha extensão pulmonar, ela não estava apta a receber um novo órgão. "Só que seis meses se passaram e eu não morri."

O coração novo

Após a sentença dada pelo médico, Patrícia encarou dez anos de pioras na saúde e a cada semestre que se mantinha vida celebrava uma pequena vitória. Neste tempo, a medicina evolui e foi desenvolvido um remédio capaz de controlar o fluxo pulmonar durante a cirurgia, o que permitiu à paulista ser submetida a um transplante.

No dia do meu aniversário de 30 anos, em 29 de julho, recebi o melhor presente: um novo coração.

A corrida foi o primeiro esporte de Patrícia - Reprodução do Instagram @coracaodeatletaoficial
A corrida foi o primeiro esporte de Patrícia
Imagem: Reprodução do Instagram @coracaodeatletaoficial
Ainda na UTI do HCor (Hospital do Coração), onde realizou a operação, ela falou para os médicos que, com o órgão novo, desejava fazer tudo o que não pode fazer até aquele momento. "Queria levar uma vida normal, praticar esportes! Meu corpo passou a ter tanta energia que precisava colocar para fora."

Mas antes de pensar em praticar exercícios Patrícia precisou reaprender a fazer coisas básicas, como sentar. "Logo comecei a sentir pequenas mudanças, como os rins funcionarem sozinhos, ter fome sem precisar tomar remédios."

O início no triatlo

Patricia competiu em quatro modalidades da "Olimpíada dos Transplantados" deste ano - Reprodução do Instagram @coracaodeatletaoficial
Patricia competiu em quatro modalidades da "Olimpíada dos Transplantados" deste ano
Imagem: Reprodução do Instagram @coracaodeatletaoficial
Um ano após o transplante, a economista foi liberada para correr. A natação entrou em sua rotina em seguida e aí veio a ideia de participar de uma prova de triatlo. "Quando falei para os médicos eles ficaram apavorados, mas toparam o desafio e me acompanham constantemente para eu ter uma evolução saudável e meu coração responder com mais naturalidade aos estímulos da atividade física."

Ainda enquanto perambulava por hospitais e aguardava um novo coração, Patrícia tinha ouvido falar sobre um evento mundial que reunia apenas atletas transplantados, mas não deu bola. Com o novo órgão, ela se lembrou da história e, após muitas buscas, encontrou a página do World Transplant Games Federation (WTGF) que desde 1978 organiza competições para pessoas que receberam um órgão e estão aptas a praticar esportes.

Em 2017, ela viajou a Málaga, na Espanha, para sua primeira experiência no mundial de transplantados, que reuniu 2.200 atletas e seis brasileiros. Chegou em último lugar, mas não ligou, pois tinha muito o que comemorar: ela se se tornou a primeira transplantada de coração a terminar a prova, e queria celebrar a vida.

Priscila Pignolatti (à esq.) e Patrícia conquistaram o bronze no ciclismo em duplas do mundial deste ano - Reprodução do Instagram @coracaodeatletaoficial
Priscila Pignolatti (à esq.) e Patrícia conquistaram o bronze no ciclismo em duplas do mundial deste ano
Imagem: Reprodução do Instagram @coracaodeatletaoficial
Este ano, mais madura e consciente do novo corpo, a brasileira disputou na última semana cinco provas do campeonato mundial, em quatro modalidades: corrida, ciclismo, natação e triatlo. Na competição, realizada em Newcastle, na Inglaterra, Patrícia conquistou sua primeira medalha nas "Olimpíadas dos Transplantados", um bronze, no ciclismo em duplas, ao lado da transplantada renal Priscila Pignolatti.

De volta ao Brasil, ela não se dá por satisfeita em praticar três modalidades e já planeja se tornar penta-atleta e buscar mais visibilidade para os transplantados.

"Eu tenho alguns patrocínios, mas, basicamente, vou com a cara e a coragem a essas competições. Nós, transplantados, temos conseguido contato com órgãos, como o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e esperamos crescer no esporte. Somos o maior país em número de transplantes [em 2018, o Brasil realizou 26.400 transplantes, de acordo com o Ministério da Saúde] e temos muito potencial para nos destacarmos", finaliza.

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