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Como emagreci

Histórias inspiradoras de quem mudou a silhueta


Como emagreci

"Foi uma vitória perder 96 kg e conseguir passar na catraca do ônibus"

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Daniel Navas

Colaboração para o VivaBem

22/08/2019 04h00

A diarista Carla Maria Pedro, 27 anos, chegou a pesar 202 kg e desistiu dos estudos por causa da obesidade. Mas ela só resolveu mudar hábitos e perder peso após uma situação constrangedora no ônibus. A seguir, ela conta como conseguiu:

"Desde bebê, minha alimentação não era das melhores. Com três meses de vida, rejeitei o aleitamento materno e, para tentar suprir a fome que eu sentia, meus pais me deram alimentos infantis repletos de açúcar. Foi a partir daí que comecei a engordar.

Na infância e adolescência sempre tinha bolachas, salgadinhos e refrigerantes em casa. Então, eu comia esses alimentos a hora que quisesse. Junto com isso, tinha o fator compulsão. Toda a vez que sentia ansiedade ou tristeza, descontava na comida.

A soma desses fatores me levou a ter 126 kg com 14 anos de idade. Minha mãe resolveu procurar ajuda profissional e ouvimos falar sobre cirurgia bariátrica. Acreditava que essa seria a única solução para dar um fim a minha obesidade. Por isso, todas as dietas e os processos de emagrecimento que passei a realizar a partir daí tinham como foco a operação de redução do estômago. Acontece que por conta da minha idade, os médicos recusavam a cirurgia e me incentivam a perder peso por meio da mudança de hábitos.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
O problema é que seguir um cardápio saudável era muito difícil para mim. Sempre chegava em casa do colégio triste e descontava na comida essas minhas frustrações. No colégio eu sofria muito bullying e, inclusive, teve uma época que comecei a usar a violência física contra meus colegas, pois acreditava que essa era a única forma de conquistar respeito.

Quando fui para o ensino médio, troquei de escola e passei a ir de ônibus até o colégio. Esse foi mais um desafio em minha vida, já que não conseguia passar pela catraca e os motoristas não podiam abrir a porta traseira. Muitas vezes, estava na frente com idosos e gestantes e tinha que ficar em pé, com um monte de lugar disponível na parte de trás. As pessoas me olhavam com piedade, o que me deixava muito mal. Por todos esses motivos, acabei desistindo dos estudos.

Aos 16 anos me casei e com 18 anos engravidei. Nessa época, pesava 170 kg e a gestação foi bastante complicada, pois tive eclâmpsia (problema causado por conta da hipertensão arterial na gestação, que pode levar a quadros de convulsões) e a minha filha nasceu prematura. Passado esse período um pouco mais crítico, comecei a analisar o futuro e cheguei à conclusão de que teria que me socializar com as pessoas a partir do momento em que minha filha fosse para a escola.

Tinha muito medo de como as pessoas me olhavam e o que diziam a meu respeito

Então, resolvi retomar o desejo de adolescente e pedi encaminhamento para uma bariátrica no posto de saúde. Até hoje, nunca fui chamada. Mas como nada acontece por acaso, em 2015, pesando 190 kg, um amigo da família conseguiu uma consulta com o endocrinologista, que indicou o tratamento. Porém, durante a bateria de exames pré-operatórios veio a descoberta: eu estava grávida novamente! Foi bem complicado, pois comecei a ter depressão, afinal de contas, procurava uma saída para a obesidade e dei de cara com uma gestação.

Foi mais uma gravidez de risco e meu peso só aumentou. Acabei desistindo de tudo. Dois anos depois tive meu terceiro filho e cheguei ao extremo: 202 kg. Quando levava as crianças para a creche via o olhar de curiosidade dos outros meninos e, às vezes, as pessoas faziam comentário sobre o meu peso.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
A decisão de botar um ponto final nessa situação toda aconteceu em 2016, quando estava voltando para casa e pedi para que o motorista do ônibus deixasse eu entrar pela porta de trás, pois a parte da frente do veículo estava muito cheia. Ele me olhou dos pés à cabeça e disse em tom de deboche que o meu lugar era ali mesmo.

Uma amiga que estava comigo ficou revoltada e brigou com ele, mas nada foi feito. Chegando ao terminal, tentei conversar com um fiscal. Porém, ele não deu a mínima para mim e, como estava bastante nervosa, acabei desmaiando. Isso para mim foi o ápice do constrangimento e resolvi mudar.

Ao longo de tantos anos tentando emagrecer, eu já havia aprendido o que fazer para emagrecer. Só não conseguia colocar em prática, mas com determinação adaptei o treino e a dieta de forma que me sentisse bem

Reduzi o consumo de doces, salgadinhos e passei a comer mais alimentos naturais: frutas, verduras, legumes, frango, ovo etc. Também comecei a caminhar e fazer academia ao ar livre. Essas mudanças trouxeram resultados: cheguei a 150 kg. Mesmo assim, desanimei um pouco, pois de início o emagrecimento é rápido, depois fica mais difícil.

Em setembro do ano passado, fui conhecer uma aula de Zumba e adorei. A atividade me ajudou a quebrar meu medo de estar perto das pessoas, de socializar, me ajudou a retomar a autoestima. Voltei a ter prazer em olhar no espelho e gostar do que via. Isso me motivou a seguir fazendo exercício e dieta.

De lá para cá, já consegui emagrecer 96 kg e estou com 106 kg. Quero eliminar mais peso e agora estou tentando uma cirurgia para remover as sobras de pele no meu corpo. Porém, o mais importante é que eu me sinto uma mulher renovada. Consigo correr, pular e dançar. Vou às reuniões escolares sem medo de ser julgada e consigo passar pela catraca do ônibus. Pode parecer algo pequeno, mas para mim é muito importante. Eu me sinto vitoriosa."

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