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Você conta com seu sexto sentido? Veja dicas para ouvir melhor sua intuição

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Imagem: iStock

Simone Cunha

Colaboração para o VivaBem

08/08/2019 04h00

Resumo da notícia

  • A intuição é uma função psicológica não racional baseada em processos inconscientes
  • Seguir a intuição significa dar importância aos próprios sentimentos, ao mundo interno
  • Quanto mais asserenada e tranquila estiver a mente, mas fácil será perceber os sinais

Compreender os sinais emocionais pode ser um GPS para tomar decisões mais acertadas. E essas sensações podem receber algumas denominações como ouvir a voz do coração, seguir o sexto sentido ou ter um insight, sendo que todas elas estão diretamente relacionadas com a intuição. Algo que todos têm mais ou menos desenvolvido e que possibilita obter conhecimento, informações que vão além dos cinco sentidos: visão, audição, paladar, olfato e tato, sem a utilização da razão.

Para Carl Jung, a intuição é uma função psicológica não racional baseada em processos inconscientes que acessa informações que vem de uma sabedoria interna, fruto dos arquivos mentais, conhecimentos acumulados ou mesmo de um inconsciente coletivo.

"Isso significa que quanto maior a experiência, melhor a capacidade de intuir acertadamente. Aliás, a ciência diz que não temos intuições para tudo, ela é mais específica à nossa área de maior experiência e conhecimento sobre um determinado assunto, ocorrendo de forma espontânea e rápida", explica a psicóloga Marcia Marchiori, professora do departamento de psicologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Como aguçar o ouvido

Seguir a intuição significa dar importância aos próprios sentimentos, ao mundo interno. Ou seja, estar em sintonia consigo mesmo. "Portanto, se a intuição falhar, é sinal de que é preciso rever o padrão de autoconhecimento. O quanto se está mais voltado para o externo, a opinião e o desejo do outro, devendo corrigir esse padrão ao investigar o mundo interno", fala a psicanalista Rose Paim, pós-doutora em psicanálise e educação e professora na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Por isso, prestar atenção à linguagem do coração apenas levando em consideração a parte simbólica como sentimento e afeto pode transformar essa escuta em um equívoco. "A intuição não é um sentimento ou um raciocínio, mas evoca emoções e pensamentos positivos ou negativos que são interpretações daquela sensação primária, em que cada pessoa pode avaliar o que sente e tomar a decisão sobre o que fazer", completa Marchiori.

Compreendendo melhor esse sinal

Portanto, a intuição pode ser definida como um processo psicológico que permite ter a habilidade de tomar decisões sem o uso de uma análise lógico-racional. E a decisão de seguir ou não a intuição depende do que acreditamos e o quanto estamos treinados para ouvir essa voz interior de forma clara. "É importante considerar que, muitas vezes, está mesclada de conteúdos conscientes e inconscientes, por isso nem sempre pode ser um palpite certeiro e sempre envolverá riscos", comenta Marchiori.

Na prática, quanto mais asserenada e tranquila estiver a mente, mas fácil será para perceber os seus sinais. "O caminho é falar consigo mesmo, observar-se, sair do 'piloto automático'. Refletir sobre seu próprio comportamento, suas reações, seu modo de se relacionar", considera Paim.

Além disso, vale lembrar que tomar decisões apenas com base na intuição nem sempre é bom. "O ideal parece ser um equilíbrio entre escutar a intuição, mas também analisa-la racionalmente antes da tomada de decisão, assim integramos nossas aprendizagens implícitas ao momento presente", sugere a terapeuta cognitivo-comportamental Maria Amélia Penido, docente na PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro). Afinal, se a intuição acontece por meio de um histórico pessoal, se a pessoa teve experiências ruins em alguma área, pode acabar querendo boicotar novas oportunidades. E, neste caso, segundo Penido, o ideal é sempre combinar intuição e lógica.

Exercite o seu sexto sentido

Não se deve tentar racionalizar a intuição e os seus sinais, pois isso contribui para o afastamento da informação original espontânea. Ou seja, não procure um porquê, saiba que quando é preciso nosso cérebro improvisa uma boa resposta. E para ajudar a exercitar a intuição, Marchiori dá algumas dicas:

  • Tente intuir quem está ligando no momento em que seu celular toca;
  • Asserene a mente e tente acalmar seus pensamentos e sentimentos com técnicas de relaxamento, aprenda a meditar e a parar para ouvir a si mesmo;
  • Crie espaço para ouvir sua voz interior;
  • Encontre atividades em que possa trabalhar com a criatividade e a imaginação, saia um pouco da lógica e da razão;
  • Desenvolva o hábito de testar seus palpites, qual é a primeira ideia que lhe vem à cabeça?

"Quanto mais aceitarmos essa nossa capacidade e dermos crédito a ela, melhor se desenvolverá", diz Marchiori. Afinal, podemos treinar os nossos sentidos: o paladar para degustar vinhos ou café; olfato para identificar fragrâncias; a visão para fazer até um rigoroso controle de qualidade. Por que então não poderíamos treinar a percepção para a intuição? Ela é uma ferramenta muito útil que oferece informações que a razão, muitas vezes, não é capaz.