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Brasileiros atingem maior índice de obesidade nos últimos treze anos

A obesidade cresceu mais entre adultos - iStock
A obesidade cresceu mais entre adultos Imagem: iStock

Alexandre Penido

Da Agência Saúde

25/07/2019 11h48

A prevalência da obesidade volta a crescer no Brasil. É o que aponta a Vigitel 2018 (Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico), realizada pelo Ministério da Saúde. Sobre esse índice, houve aumento de 67,8% nos últimos treze anos, saindo de 11,8% em 2006 para 19,8% em 2018. O Brasil nos últimos três anos apresentava taxas estáveis da doença. Desde 2015, a prevalência de obesidade se manteve em 18,9%.

Em 2018, os dados também apontaram que o crescimento da obesidade foi maior entre os adultos de 25 a 34 anos e 35 a 44 anos, com 84,2% e 81,1%, respectivamente. Apesar de o excesso de peso ser mais comum entre os homens, em 2018, as mulheres apresentaram obesidade ligeiramente maior, com 20,7%, em relação aos homens (18,7%).

A pesquisa também registrou crescimento considerável de excesso de peso entre a população brasileira. No Brasil, mais da metade da população (55,7%) tem excesso de peso, um aumento de 30,8% quando comparado com o percentual de 42,6% do ano de 2006. O aumento da prevalência foi maior entre as faixas etárias de 18 a 24 anos, com 55,7%. Quando verificado o sexo, os homens apresentaram um crescimento de 21,7% e as mulheres, de 40%.

Na contramão do aumento dos percentuais de obesidade e excesso de peso, o consumo regular de frutas e hortaliças cresceu 15,5% entre 2008 e 2018, passando de 20% para 23,1%. A prática de atividade física no tempo livre também aumentou 25,7% (2009 a 2018), assim como o consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas caiu 53,4% (de 2007 a 2018) entre os adultos das capitais. Também ao informar que receberam o diagnóstico médico de diabetes (40%), entre 2006 e 2018, os entrevistados demonstraram ter maior conhecimento sobre sua saúde, o que os motivaram a buscar os serviços de saúde, na Atenção Primária, receber o diagnóstico e iniciar o tratamento.

Para avaliar a obesidade e o excesso de peso, a pesquisa leva em consideração o IMC (Índice de Massa Corporal). Por meio dele, é possível classificar um indivíduo em relação ao seu próprio peso, bem como saber de complicações metabólicas e outros riscos para a saúde.

A Vigitel é uma pesquisa telefônica realizada com maiores de 18 anos, nas 26 capitais e no Distrito Federal, sobre diversos assuntos relacionados à saúde. Assim, entre fevereiro e dezembro de 2018, foram entrevistados por telefone 52.395 pessoas.

Hábitos saudáveis

A prática de alguma atividade física no tempo livre, pelo menos 150 minutos na semana, aumentou 25,7% (de 2009 a 2018) no Brasil, saindo de 30,3%, em 2009, para 38,1% em 2018. Os dados apontam que a prática de alguma atividade física no tempo livre é maior entre os homens (45,4%) do que entre as mulheres (31,8%). Quando verificado a incidência por faixa etária, o aumento é mais expressivo na população de 35 a 44 anos, com crescimento de 40,6% nos últimos dez anos. Em relação à inatividade física entre os brasileiros, a pesquisa apontou queda de 13,8%, em relação a 2009. O percentual de inatividade entre as mulheres foi 14,2% e entre os homens, de 13%.

Com o intuito de aumentar o hábito da prática de atividades físicas e reduzir as doenças relacionadas ao sedentarismo entre os brasileiros, o Ministério da Saúde, lançou em 2011, o Programa Academia da Saúde. Atualmente existem 4.838 polos habilitados e 1.475 funcionando em 1.100 municípios. Entre janeiro e junho deste ano, o Ministério da Saúde já repassou R$ 24,2 milhões para custeio dessas unidades.

Mudanças na alimentação

Uma mudança significativa entre os hábitos alimentares dos brasileiros é o aumento de 15,5% no consumo recomendado de frutas e hortaliças pela (OMS) Organização Mundial da Saúde (cinco porções diárias pelo menos cinco vezes na semana) em comparação com 2008. Em 2018, o percentual do consumo chegou a 23,1% em comparação com os 20% de 2008. A pesquisa Vigitel apontou ainda que o consumo é mais frequente entre as mulheres (27,2%) do que entre os homens (18,4%). Mesmo assim, apenas 23,1% dos brasileiros - 1 entre 4 adultos - consomem o recomendado.

O Guia Alimentar para a População Brasileira é o principal orientador das ações de promoção da alimentação adequada e saudável e traz recomendações para promover a saúde e evitar enfermidades. As informações também são úteis para a prevenção e controle de doenças específicas, como a obesidade, a hipertensão e o diabetes.

Outra importante mudança é a redução de 53,4% do consumo regular de refrigerante e suco artificial entre os adultos. A diminuição foi identificada, entre 2007 a 2018 em todas as faixas-etárias e em ambos os sexos. Os dados apontam queda mais expressiva na população de 55 a 64 anos, o que representou uma redução de 58,8% no período avaliado. A pesquisa aponta ainda que o consumo dessas bebidas é maior entre os homens (17,7%) do que entre as mulheres (11,6%).

Em novembro de 2018, o Ministério da Saúde fechou acordo estabelecendo metas de redução do açúcar em produtos industrializados como bebidas adoçadas, biscoitos, bolos e misturas para bolos, produtos lácteos e achocolatados. O acordo deve resultar na redução dos teores em mais de 50% dos produtos destas categorias. Segundo estimativas das indústrias, serão reduzidas 144 mil toneladas de açúcar nos produtos até 2022.

Diagnóstico diabetes

O Ministério da Saúde tem identificado nos últimos anos que os entrevistados no Vigitel têm demonstrado maior conhecimento sobre sua saúde, resultando no crescimento do diagnóstico de doenças como o diabetes. Um dos fatores que tem contribuído para essa mudança é o aumento do acesso às Unidades Básicas de Saúde (UBS), na Atenção Primária. De acordo com os últimos dados do Ministério, 7,7% da população adulta brasileira foi diagnosticada com diabetes em 2018, o que representou aumento de 40% em relação ao ano de 2006 (5,5%). As mulheres apresentam maior percentual de diagnostico (8,1%) do que em homens (7,1%). Em ambos os sexos, quanto mais jovem, menor o percentual de diagnóstico.

De 2008 a 2018, o Ministério da Saúde ampliou em mais de 1.000% o acesso a medicamentos para diabetes no Brasil. Em 2018, foram distribuídos 3,2 bilhões de medicamentos para o tratamento do diabetes no país, beneficiando uma população de 7,2 milhões de pacientes. Em 2008, o quantitativo distribuído foi de 274 milhões de unidades, que atendeu a 1,2 milhão de pessoas com a doença. Atualmente, o SUS oferta de forma gratuita o tratamento medicamentoso para a doença, entre eles, cloridrato de metformina, glibenclamida e insulinas NPH e regular. Em 2018, a pasta investiu R$ 726 milhões na aquisição dos medicamentos.

Dados da pesquisa do Ipea 2018 (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apontam que o aumento no acesso de medicamentos para diabetes tem impacto diretamente na diminuição de internação hospitalar e mortes relacionadas ao diabetes no Brasil.

Com o objetivo de ampliar cada vez mais o acesso da população à prevenção, ao diagnóstico precoce e o tratamento, o Ministério da Saúde investirá mais R$ 233,6 milhões na Atenção Primária neste ano e quase R$ 400 milhões a partir de 2020. Assim, o Programa Saúde na Hora, lançado em maio pela pasta, já conta com a habilitação de 300 Unidades de Saúde da Família (USF), que passam a ampliar o horário de atendimento à população de 56 municípios.

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