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Ovo caipira, de granja ou orgânico: qual a diferença entre eles?

Fonte de proteínas e vitaminas, o ovo é um alimento muito nutritivo - iStock
Fonte de proteínas e vitaminas, o ovo é um alimento muito nutritivo Imagem: iStock

Thais Szegö

Colaboração para o UOL VivaBem

22/07/2019 04h00

Por muito tempo o ovo ficou no banco dos réus, sendo encarado como um vilão, pois se acreditava que colocava o coração em risco por ser fonte de colesterol. Depois de ter sido foco de muitos estudos, o alimento foi merecidamente absolvido.

Rico em proteínas e vitaminas, o ovo é muito nutritivo, garante saciedade, ajuda na formação dos músculos, protege os olhos e ainda favorece o funcionamento cerebral, entre outros fatores que fizeram com ele passasse a ser considerado bem-vindo no cardápio.

Os especialistas afirmam que não há problemas em comer até sete unidades por semana. Porém, quem já sofre com o colesterol alto deve ser mais cauteloso e, de preferência, conversar com seu médico e/ou nutricionista sobre qual é a quantidade ideal. E não é só o efeito do ovo sobre a saúde que é rodeado de mitos. Algumas das suas características físicas e nutricionais também são encaradas da maneira errada, já que ele apresenta cores e tipos diferentes, o que pode confundir o consumidor na hora de decidir qual produto vai levar para casa. Por essa razão, fomos conversar com quem entende do assunto.

A cor da casca não tem relação com as características do alimento
Ao contrário do que muita gente pensa, o vermelho não leva vantagem sobre o branco no quesito concentração de nutrientes. Essa diferença de cor está relacionada exclusivamente à raça da galinha. De forma geral, aquelas que têm penas brancas botam ovos brancos e as que têm penas vermelhas ou castanhas botam ovos vermelhos. O mesmo vale para a coloração da gema, que pode ficar mais intensa por causa da presença de itens com esse tom na alimentação do animal --e isso não tem influência sobre os benefícios que ela oferece.

Os orgânicos não são diferentes nos fatores nutricionais, mas são livres de resíduos químicos
Os ovos que recebem essa certificação --que também são conhecidos como caipiras e podem ser brancos ou vermelhos -- são provenientes de granjas que passam por uma auditoria para comprovar que criam os animais fora de gaiolas, com alimentação 100% orgânica, ou seja, sem agrotóxicos ou fertilizantes químicos, e sem o uso de antibióticos, remédios ou ração para favorecer o crescimento do animal, o que acontece em alguns criadouros convencionais. Mas isso não quer dizer que sejam mais nutritivos.

O fato de as galinhas viverem soltas pode fazer a diferença
Foi isso o que mostrou um estudo publicado no periódico científico Nutrition. De acordo com o trabalho, isso faz com que os animais tomem sol e, assim, botem ovos com mais vitamina D. Por essa razão, os alimentos desse tipo, conhecidos como caipiras, são melhores opções. No entanto, eles são mais caros e essa não deve ser uma razão para que as pessoas deixem de comprar ovos, pois todos os tipos são muito nutritivos.

De qualquer forma, é interessante optar por produtos de empresas que se preocupem com o bem-estar das aves, o que costuma estar especificado na embalagem.

Os enriquecidos são boas opções dependendo das necessidades de cada um
Nas gôndolas dos supermercados podemos encontrar versões com ômega 3, também chamados de PUFA, que ajudam a controlar os níveis do colesterol ruim, o LDL, protegendo o coração. Existem ainda opções com selênio, que fortalecem o sistema nervoso, vitamina E, que atua contra os radicais livres e DHA e colina, que favorecem o desenvolvimento cerebral. Isso tudo é possível graças a alterações nas rações dos animais, que recebem doses extras de fontes desses nutrientes. Existem ainda os ovos light, com quantidades reduzidas de colesterol, característica também obtida por meio de mudanças na alimentação das aves.

Todos esses produtos têm preços mais elevados e seus benefícios ainda não são uma unanimidade entre os especialistas. Por isso, ninguém deve se sentir culpado de comprar os ovos normais. Para quem tem problemas de saúde, como colesterol alto, fazer esse investimento pode ser uma boa ideia, se ele for recomendação de um médico ou nutricionista.

O rótulo merece uma leitura cuidadosa
Isso porque é lá que o consumidor vai encontrar todas as informações relevantes para nortear a sua escolha, que vão desde o tipo de ovo (grande, orgânico, branco etc) até detalhes como o fato de a criação ser livre de agrotóxicos, das aves viverem fora de gaiolas, entre outros.

Se a embalagem estiver íntegra, não faz muita diferença em relação à conservação
O material mais usado para armazenar ovos é o papelão, por causa do seu baixo custo, mas também existem invólucros feitos com plástico, cartolina e papelão revestido com plástico. Se o alimento estiver estocado em um local sem incidência de muita luz, especialmente a solar, com pouca umidade e livre de sujeira, todas oferecem a proteção necessária.

Confira o alimento antes de coloca-lo no carrinho
Se a embalagem for do tipo com tampa, vale a pena abri-la para verificar se alguma casca está com rachaduras, se um dos ovos está grudado no fundo da caixa, o que pode levar à sua quebra na hora da retirada, e se ele está com aparência ou odor estranhos.

Dicas importantes para o armazenamento em casa
Não guarde os ovos na porta da geladeira, pois, com o abre e fecha do eletrodoméstico essa região acaba sofrendo muita variação de temperatura. Também é importante não lavar o alimento antes de guardá-lo, pois isso pode remover a cutícula protetora dos poros da casca, facilitando a entrada de micro-organismos. Essa higienização só deve acontecer antes do consumo.

Ovo pode ser prejudicial ao colesterol? Médico responde

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Informação nutricional

Ovo de galinha (valores por 100 gramas)

Valor energético: 143 calorias

Carboidratos 1,6 g

Proteínas 13 g

Gorduras totais 8,9 g

Colesterol 356 mg

Fonte: Tabela Brasileira de Composição de Alimentos, TACO

Fontes: José Evandro de Moraes, zootecnista, pesquisador da Unidade de Avicultura do Instituto de Zootecnia, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, vinculados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo; e Carolina Yamin Abdelnur, nutricionista da Clínica Dra. Maria Fernanda Barca, na capital paulista.

Errata: o texto foi atualizado
Diferente do que foi informado, os valores nutricionais do ovo são referentes para 100 gramas e não 1 unidade.

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