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Vacina de sarampo é dada com 1 ano; como proteger bebês menores?

Casos de sarampo aumentaram em todo o Brasil  - Getty Images
Casos de sarampo aumentaram em todo o Brasil Imagem: Getty Images

Danielle Sanches

Do UOL VivaBem, em São Paulo

19/07/2019 15h22Atualizada em 25/07/2019 18h50

O aumento de casos de sarampo em São Paulo levou a Secretaria Estadual de Saúde a ampliar as campanhas de vacinação buscando aumentar a proteção da população. Dados do órgão registram uma elevação de 303% nos casos da doença entre junho e julho apenas no estado. No país, já são mais de 10 mil casos confirmados.

As campanhas geralmente focam no público de maior risco: os jovens entre 15 e 29 anos, que podem não ter tomado a segunda dose da vacina e representam atualmente 47% dos casos em São Paulo.

"Existe uma faixa etária que só tomou uma dose da vacina, porque na época em que esses jovens eram bebês ela era única", explica Munir Ayub*, infectologista consultor do Comitê de Imunizações da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia). O protocolo recomendando a segunda dose da vacina é recente e ela começou a ser aplicada apenas em 2000.

De acordo com o calendário oficial do Ministério da Saúde, a primeira dose da vacina contra o sarampo deve ser aplicada aos 12 meses de vida na forma da tríplice viral (que ainda imuniza contra rubéola e caxumba). Já a segunda dose é indicada aos 15 meses, com a vacina tetraviral (que, além do sarampo, ainda protege contra caxumba, rubéola e varicela).

Como proteger bebês com menos de 1 ano?

Diante no surto da doença, no entanto, alguns pediatras pedem aos pais que levem bebês entre 6 e 11 meses para tomarem a vacina na rede particular. Depois disso, a Secretária de Saúde da cidade de São Paulo atualizou a campanha para que essas crianças também sejam contempladas. De acordo com o texto oficial: "Todas as crianças entre 6 meses e 11 meses e 29 dias devem ser vacinadas durante a campanha, e essa vacina não será válida para a rotina, devendo ser agendada uma nova dose aos 12 meses de idade, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas".

A recomendação não é incomum e segue orientação da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunização), que prevê que, em situações de risco como surto ou exposição domiciliar, a primeira dose pode ser aplicada a partir dos seis meses idade como forma de garantir a proteção.

Isabella Ballalai, vice-presidente da SBIm, reforça que a medida é preventiva e não há motivo para alarde. "Os pais só devem oferecer a vacina se forem orientados por um pediatra ou médico", afirma.

José Carlos Fernandes, pediatra do Hospital São Luiz Unidade Jabaquara, lembra que a vacina só deve ser aplicada se a criança estiver saudável e não possuir nenhum problema de saúde.

Vacinação antes de 1 ano não é 100% eficaz

Até os 12 meses, as crianças normalmente estão com os anticorpos da mãe circulando em seu sistema. Quando elas recebem vacinas como a do sarampo, que possui um vírus atenuado da doença, os anticorpos maternos acabam destruindo esse vírus sem que se crie uma memória no sistema imunológico da criança. "Por isso, a vacinação até essa idade é pouco ou nada eficiente", diz Ballalai.

Mas, em situações de risco, a primeira dose pode ser aplicada a partir dos seis meses de idade para garantir alguma proteção. "Se a mãe não foi vacinada, por exemplo, essa dose daria maiores chances de evitar o contágio da doença pelo bebê", diz.

Como a medida foge à recomendação clássica do Ministério da Saúde, dificilmente a rede pública irá aderir de rotina. "Mesmo as clínicas particulares podem pedir a receita médica para vacinar, já que não faz parte do protocolo oficial", explica.

Vale lembrar que a dose extra não pode ser computada no calendário oficial de vacinação, que deve ser seguido normalmente.

Como os pais devem proceder

Ballalai reforça que as crianças menores de um ano não precisam necessariamente serem vacinadas neste momento. "A doença precisa ser controlada a partir do grupo em que hoje ela é mais frequente, ou seja, entre os jovens e adultos", diz.

Além de proteger diretamente a pessoa, a vacina também oferece a chamada proteção coletiva: como não vai ser infectado, o indivíduo não transmitirá a doença para outras pessoas que não estão imunizadas por diversos motivos (por exemplo, bebês abaixo dos seis meses), garantindo que todos fiquem protegidos.

*Fonte consultada em matéria do dia 11/7/2019.