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Como emagreci

Histórias inspiradoras de quem mudou a silhueta


Como emagreci

"Bullying me fez chegar a 150 kg, mas superei dificuldades e perdi 70 kg"

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Thamires Andrade

Colaboração para o UOL

20/06/2019 04h00

Por causa do bullying, aos 15 anos Eduarda Martins entrou em depressão e chegou aos 150 kg. Ela ficou um ano sem ir à escola para cuidar da saúde física e mental, conseguiu incorporar a atividade física e a alimentação equilibrada na rotina e mudou o corpo em 5 anos. A seguir, conta como emagreceu:

"Na infância eu era magrinha. Porém, quando completei 8 anos, tive uma crise alérgica bem forte e comecei a tomar corticoides. O uso desses remédios me fez ganhar peso. De início, não ligava muito, mas quando cheguei na adolescência isso passou a me incomodar. Não gostava do meu corpo e não encontrava roupas que coubessem em mim. Fora que às vezes precisava colocar uma cadeira em cima da outra na hora de sentar por medo de quebrá-la.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Porém, o que realmente fez com que eu resolvesse emagrecer foi o bullying que eu sofria na escola. No início, eu tentava não ligar para as 'brincadeiras' só para ser aceita, mas as pessoas começaram a pegar cada vez mais pesado.

O dia em que eu resolvi dar um basta foi quando entrei na sala e todos os alunos começaram a fazer barulho conforme eu andava. Era como se cada passo gerasse um terremoto. Quando sentei na cadeira, todos levantaram, como se meu peso tivesse provocado isso. Sai de lá chorando e não quis mais voltar a estudar.

Fiquei um ano sem pisar na escola, entrei em depressão e cheguei aos 150 kg com apenas 15 anos de idade. O bullying só piorou meu quadro de compulsão alimentar e passei a descontar tudo na comida

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Meu pai ficou preocupado porque eu estava com muita gordura no fígado e próximo ao coração. Foi então que comecei a ter acompanhamento psicológico e, aos poucos, fui melhorando. Também busquei uma nutricionista e resolvi começar a praticar atividade física.

O acompanhamento psicológico foi determinante para entender o que estava gerando a minha compulsão e fome emocional. Descobri qual era o gatilho que desencadeava a vontade de comer e como acabar com isso. Aprendi a transferir meus sentimentos para outras coisas. O psicólogo me deu um rumo, pegou uma bússola e me ensinou a entender os meus sentimentos e diferenciar a fome do comer por ansiedade.

Também contei com o apoio da minha nutricionista para 'aprender' a me alimentar. Ela não tirou meus alimentos preferidos de uma vez, até para não causar nenhuma compulsão, mas me deu dicas importantes. Uma delas foi comer devagar, prestando atenção na textura dos alimentos. Isso realmente fez a diferença. Já notou que quando estamos distraídos vendo um filme matamos um pacotão de pipoca sem sentir?

Entendi também que nenhum alimento tem poder de nos emagrecer ou engordar. Tudo é uma questão de constância, quantidade e rotina

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
A nutricionista explicou que comer um pão não me faria ganhar peso, mas se eu comesse dois, três ou 10, como já havia acontecido em um episódio de compulsão, aí sim sofrerei as consequências.

Um outro grande desafio foi mudar meu paladar infantil. Só gostava de comer besteira e tinha nojo de legumes e verduras. Uma das coisas que mais me ajudou foi conhecer os alimentos e os benefícios que eles trariam para o meu corpo. Isso, aos poucos, começou a me deixar entusiasmada, até que passei a amar alimentos que não comia, como verduras, frutas e peixe.

Não era nem um pouco fã de atividade física e ia obrigada ao muay thai e a hidroginástica. Claro que o começo não foi fácil, mas toda vez que eu pensava em desistir lembrava do bullying que tinha sofrido e aquilo me dava forças para continuar. Eu só queria voltar para a escola e mostrar que eu era superior a tudo aquilo.

Comecei a gostar de fazer exercícios quando os resultados surgiram. Passei a ter orgulho do meu progresso e, quando voltei para a escola no ano seguinte, muito mais magra, estava mais autoconfiante e não permiti mais que me humilhassem

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Após ter emagrecido uns 30 kg, entrei na musculação e foi aí que os resultados apareceram ainda mais. Hoje, faço musculação e muay thai e acredito que é preciso encontrar alguma atividade que você ame para não desistir. Ao todo, eliminei 70 kg em cinco anos e sei que ainda posso evoluir. Quero perder mais um pouquinho de gordura, mas sempre levando em conta o meu biotipo. Conheço meus limites e não busco resultados inalcançáveis.

Minha alimentação é muito saudável, com base em ovos, frango, legumes e verduras. Mas também me permito comer algum alimento ou outro quando estou com vontade. A diferença é que faço isso com consciência. Se antes eu ia a um rodízio de pizza e comia 15 pedaços, hoje eu tenho moderação e no dia seguinte já estou de volta para meu plano alimentar. E isso não afeta meu resultado final porque não é algo constante. A exceção não muda a sua rotina.

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