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Quantos litros de sangue nós temos? Alguma parte do corpo não tem?

A quantidade de sangue em cada corpo varia de acordo com sexo, idade ou peso - iStock
A quantidade de sangue em cada corpo varia de acordo com sexo, idade ou peso Imagem: iStock

Maria Júlia Marques

Do UOL VivaBem, em São Paulo

21/02/2019 04h00

Resumo da notícia

  • O sangue é um tecido do corpo humano que conta com componentes responsáveis pelo transporte de oxigênio e defesa do organismo
  • É difícil precisar, mas temos em média 5 litros de sangue
  • É considerado grave perder 30% dessa quantidade total de sangue
  • As únicas partes do corpo que não têm sangue são unhas, cabelos e córneas

Um dia desses me perguntei se tinha alguma parte do corpo que não recebe sangue, não soube responder e não achei fontes confiáveis no Google. No dia seguinte, um amigo me contou que se cortou todo ao sofrer um acidente no boxe do banheiro e ficou desesperado pensando quanto sangue podia perder sem desmaiar ou morrer, nenhum de nós tinha ideia de qual era a resposta.

Fiquei pensando que temos sangue correndo nas veias o tempo todo, mas geralmente não sabemos muito sobre ele, somos péssimos anfitriões. Para tentar mudar essa história, conversei com especialistas para desvendar um pouco mais sobre este precioso líquido vermelho.

O que é o sangue?

Logo na primeira e mais básica pergunta sobre o assunto eu já tive uma grande surpresa! "O sangue é considerado um tecido do corpo humano, assim como a pele," diz Ricardo Chiattone, hematologista do Hospital Samaritano, em São Paulo. Você sabia disso? Nem eu... O sangue é considerado um tecido conjuntivo por ter grande quantidade de substância intracelular: o plasma, que é líquido. 

Além do plasma, em sua composição ainda há glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. E cada um tem uma função:

  • Glóbulos vermelhos "São responsáveis por carregar o oxigênio que vem dos pulmões para todo o corpo, o que é de tremenda importância, uma vez que o oxigênio é o que dá energia para os órgãos e tecidos permanecerem vivos", explica Chiattone. Para ser fácil de visualizar, imagine que os glóbulos vermelhos são carrinhos que levam energia para onde é preciso.
  • Glóbulos brancos Nossos fiéis soldados. Também chamados de leucócitos, são as células de defesa que lutam contra infecções e combatem vírus, protozoários, fungos e bactérias. "Eles têm vários subtipos e cada um deles possui funções específicas. Juntos, formam o sistema imunológico, são soldadinhos que compõem um forte exército", informa Fernanda da Cunha Vieira, hematologista do HCor, em São Paulo.
  • Plaquetas São aquelas que curam cortes ou raladas de joelho. "São nossas células responsáveis pela coagulação do sangue e entram em ação quando há machucados, fazendo o sangue coagular e criar aquela casquinha," afirma Chiattone.
  • Plasma É rico em proteínas e ajuda na coagulação de modo diferente das plaquetas. "A principal proteína é a albumina, que mantém a pressão que o vaso sanguíneo precisa para o sangue ficar dentro do vaso. Pessoas com deficiência de albumina incham pelo sangue escapar dos vasos e 'fugir' para os tecidos," conta Tatiana Covas, hematologista do Hospital Edmundo Vasconcelos.

E quanto sangue temos?

Se for para fazer uma média, os médicos estabelecem que temos cerca de 5 litros de sangue no corpo. A conta de forma mais específica pode ser feita seguindo a premissa de que há cerca de 75 ml de sangue por quilo do indivíduo.

Mas é bom lembrar que a quantidade varia bastante. "Tem diferença entre homem e mulher, entre a distribuição de gordura e massa magra. Quem possui mais músculo acaba com mais sangue para nutrir esse músculo, já quem tem a porcentagem de gordura possui menos sangue por não ter tamanha necessidade," exemplifica Covas.

Tudo isso é pensando na quantidade de sangue que temos circulando, além dela existe uma parcela que fica dentro dos órgãos e os médicos não conseguem quantificar.

Não existe benefício em ter mais ou menos sangue, é só uma questão de proporção mesmo. Quem tem menos sangue é menor e está adaptado para isso, e o inverso também é verdade. "Em casos raros, existem pacientes que precisam tirar o sangue por ter demais, que acaba carregando e depositando muito ferro, por exemplo, em órgãos nobres, prejudicando seu funcionamento. Mas não é comum," diz Vieira.

Quanto podemos perder?

O termo médico que determina a quantidade de sangue circulando no corpo é volemia. Quando há grande perda de sangue é pensando na volemia que as contas são feitas.

Gota de sangue - iStock - iStock
Perder muito sangue pode deixar pálido além de causar tontura, perda de consciência e taquicardia
Imagem: iStock
Perder de forma abrupta até 15% do sangue é algo tolerável, claro que será preciso cuidados como hidratação, mas ainda não é considerado fortemente preocupante. Agora quem perde mais de 30% do sangue de forma aguda precisa de transfusão e o quadro é grave.

"Se a perda é discreta, cerca de 15 ml de sangue por dia, o corpo vai aos poucos se adaptando e pode demorar para exibir sintomas. Mas se a pessoa perde 30% em minutos os sintomas são graves e rápidos," comenta Covas.

Além disso, as respostas corporais também dependem do histórico da pessoa, se ela é idosa, se tem alguma doença que pode agravar a situação, etc. 

Quais as sensações ao perder muito sangue?

O nosso corpo é muito esperto e está sempre a postos para agir rapidamente e tentar nos manter vivos. Ao perder muito sangue o organismo prioriza o funcionamento dos órgãos nobres (coração, pulmão, cérebro, rins e fígado) e isso causa sintomas claros.

"Quando a situação é preocupante, o corpo automaticamente faz uma vasoconstrição. É como se os vasos se apertassem para ali passar menos sangue e assim mandar mais sangue para os órgãos importantes," detalha Covas. Nesse processo você fica pálido e com língua, boca, olhos e extremidades mais claros que o habitual. "Este é o principal sintoma de anemia, você está perdendo o vermelho do sangue, tem menos hemoglobina, menor irrigação e o sangue que ainda circula está a caminho dos órgãos nobres", completa Covas.

Outro sintoma é tontura, um sinal de que você está tendo baixa oxigenação cerebral --ou seja, os glóbulos vermelhos estão em menor número e não dão conta do trabalho. O organismo tenta compensar, o coração bate mais rapidamente e traz sinais de taquicardia ao tentar aumentar a circulação do sangue e, além da palpitação, fica difícil manter a atenção, dá fraqueza, você perde a consciência e desmaia.

E o corpo todo tem sangue?

Sem pensar nas extremidades, cabelos e unhas, só a córnea não tem sangue. Ela é uma membrana que fica nos olhos e ajuda a dar foco na visão, não é vascularizada, é muito fininha e sua manutenção é feita por líquidos dos olhos, como a lágrima e o humor aquoso.

O restante do corpo tem sempre sangue, mas isso não quer dizer que todos os seus órgãos estão embebidos neste líquido vermelho. "O sangue não fica restrito só nas veias e artérias, existe todo um circuito emaranhado e cheio de ramificações que faz o sangue circular por cada pedacinho do corpo. É como o sistema de canos de uma casa: dentro dos banheiros não está alagado, mas você sabe que por ali estão passando diversos canos que garantem seu banho," diz Vieira. Se um cano estourar, é claro que faz uma sujeira --no caso do sangue, ocorre uma hemorragia interna. Mas se não há danos nos canos tudo funciona sem bagunça.

A importância do líquido é tamanha que se, por exemplo, uma pequena parte do intestino não é nutrida por sangue ela necrosa e morre. 

E enquanto o sangue está passando pelo corpo todo ele fica alerta no que pode ajudar. "O sangue passou no pulmão e os glóbulos brancos notaram que tem uma bactéria ali, já vão agir. Enquanto isso os glóbulos vermelhos viram que o coração está batendo mais devagar, mandam mais energia. O sangue encosta em tudo, passa em tudo para garantir a manutenção," conclui Vieira.

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