PUBLICIDADE

Topo

Equilíbrio

Cuidar da mente para uma vida mais harmônica


Equilíbrio

Vaidade precoce: até quando é saudável que crianças imitem os adultos?

iStock
Imagem: iStock

Giulia Granchi

Do UOL VivaBem, em São Paulo

13/02/2019 04h00

Há décadas, a cena de uma criança (principalmente no caso das meninas) mexendo nas maquiagens das mães e ficando maravilhada com a quantidade de produtos coloridos e chamativos se repete nas mais diferentes famílias. Em meio a tantas opções de acessórios e até vídeos sobre beleza feitos por crianças da mesma idade, meninas que não fiquem interessadas são exceções. E os meninos não são diferentes: acompanham a rotina de cuidado dos pais e muitas vezes querem copiar o visual dos ídolos, como jogadores de futebol.

É normal que os pequenos se interessem pelos costumes dos adultos e até queiram imitar. "Isso faz parte de um processo natural de identificação e desenvolvimento emocional. O ideal é não inibir a criança, apenas reforçar que as ações dela com os objetos adultos configuram um momento de divertimento, algo fora do universo infantil", explica Melina Blanco Amarins, psicóloga e psicopedagoga materno infantil da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

Mas a brincadeira inocente pode se tornar um problema quando a criança demonstra necessidade de manter na rotina o que deveria ficar apenas no plano lúdico. "Se recusar a sair de casa sem os itens da rotina de beleza, deixar de brincar e fazer birra quando há interferência dos responsáveis são sinais de que o comportamento passou dos limites", indica Carolina Santilli, psicóloga especializada em psicologia da infância pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Nesses casos, os pais devem tentar limitar os itens, explicando a diferença do mundo da fantasia e a realidade. Se o quadro for crítico, é necessário que os pais avaliem seus próprios comportamentos, nos quais a criança pode estar se espelhando, e considerem a consulta com um profissional em psicologia.

As especialistas reforçam que ocasiões especiais, como festas de aniversário com a temática de salão de beleza e uma produção com penteados e pintura das unhas para eventos importantes também não devem ser consideradas como problemas por serem atividades incomuns na rotina; é importante, inclusive, que a criança acompanhe as atividades familiares para não se sentir excluída. "O cuidado deve estar apenas em não impor suas preferências à criança, mas deixá-la escolher o que ela quer nesses momentos", esclarece Amarins. 

Consequências futuras

Se aparência ganha importância demais logo na infância, a chance de os pequenos sofrerem problemas psicológicos no futuro é grande. "Isso acontece principalmente com as meninas, por uma questão cultural que prioriza a beleza externa. Mesmo quando são muito jovens, é comum elas serem elogiadas por pessoas dizendo que são bonitas ou bem vestidas", aponta Santilli. 

Deixar com que as crianças criem uma rotina de cuidados à aparência antes da adolescência significa dar poder à uma estrutura que ainda não tem maturidade para lidar com as escolhas do mundo adulto. "Além da ansiedade, é possível que, no futuro, desenvolvam transtornos como depressão, anorexia e bulimia", expõe a psicóloga do Hospital Albert Einstein.

Autoestima independente da aparência

Além das características física, focar os elogios em aspectos positivos comportamentais e no desenvolvimento da criança ajuda na quebra do vínculo entre aparência e autoestima e faz com que ela entenda que seu valor é construído por múltiplos fatores.

"Em geral, elas adoram mostrar o que aprenderam, e esperam elogios dos pais. Valorizar cada pequena conquista é importante para a construção da personalidade e autoestima", afirma Amarins.

SIGA O UOL VIVABEM NAS REDES SOCIAIS
Facebook - Instagram - YouTube

Equilíbrio