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Sobrinho de Ana Hickmann nasce com lábio leporino; entenda o que é

Ana Hickmann  homenageou a irmã, Isabel, e o sobrinho, Francisco - Reprodução/Instagram
Ana Hickmann homenageou a irmã, Isabel, e o sobrinho, Francisco Imagem: Reprodução/Instagram

Gabriela Ingrid

Do UOL VivaBem, em São Paulo

31/01/2019 13h25

A apresentadora Ana Hickmann fez uma homenagem para sua irmã, Isabel Hickmann, e seu sobrinho, Francisco, em seu perfil no Instagram, na quarta-feira (30). Na legenda da foto em que a modelo aparece nua com o bebê de apenas dois meses, Ana comentou que "Chico" nasceu com fissuras no lábio e no céu da boca.

"Francisco nasceu com duas fissuras no lábio e também no céu da boca. Lindo, perfeito e cada dia mais gordinho. Deus abençoe esta família. Amo vocês", escreveu ela.

Mais conhecida como lábio leporino, a fenda labiopalatina tem diversas apresentações, podendo atingir o lábio, o palato (ou céu da boca) duro ou mole e até a gengiva. E ela é muito comum no Brasil. De acordo com Mauricio Yoshida, cirurgião plástico do Hospital Infantil Sabará e da Funcraf (Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Crânio-Faciais), a frequência dessas malformações por aqui é de uma criança com fissura para cada 650 nascidos.

As causas

Essas fendas estão relacionadas à embriologia da face, que é desenvolvida entre a quarta ou oitava semana de gestação. Se a criança tiver algum fator ambiental ou genético (ou os dois), ela pode ter comprometimento da fusão de alguns elementos do rosto, formando fissuras.

Quando o fator é ambiental, as causas podem ser diversas. "Uso de corticoide durante um momento crítico gestacional, excesso ou falta de vitamina A, anticonvulsivantes, anticoagulantes, algumas infecções como rubéola durante a gestação, hipotireoidismo materno, clomifeno (medicamento utilizado por mulheres que têm dificuldade de engravidar) estão entre esses fatores", explica Zan Mustacchi, presidente do Departamento de Genética da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Além disso, já foram encontradas relações com deficiência de ácido fólico durante a gravidez, consumo de álcool e tabagismo.

CHICO, por @joaoarraes ??

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Tratamento não é obrigatório, mas pode mudar vida da criança

A fenda labiopalatina pode ser tratada a partir dos três meses de vida ou mais de 6 kg, que é quando a criança tem condição clínica favorável --existem poucos cirurgiões que fazem logo ao nascer. Geralmente, quando a fissura afeta o lábio, este é operado a partir dos três meses. A queloplastia fecha o lábio e, quando a fissura é unilateral, gerando simetria no nariz, os cirurgiões já fazem a correção do posicionamento nasal no mesmo dia. 

Se há fissura no palato, a palatoplastia fecha o céu a boca e é indicada a partir dos 12 meses de vida. É importante que ela ocorra antes de a criança fazer um ano e meio, que é quando ela começa a adquirir a fala. "A musculatura tem que estar funcionando para ela falar normalmente, e a cirurgia ajuda", diz Yoshida.

Já a gengiva é corrigida com enxerto, que é feito entre os nove ou 10 anos de idade. 

Disponível pelo SUS, o tratamento é acessível e necessariamente multidisciplinar. Além do cirurgião, fonoaudiólogo, dentista, otorrinolaringologista e psicólogo devem acompanhar a criança por anos. "Geralmente até uns 20 ou 22 anos, para os especialistas acompanharem o crescimento crânio-facial. Dependendo do caso, várias operações podem ser feitas, gerando cicatrizes que podem limitar o crescimento da face, deixando-a côncava, ou melhor, com maxilar para trás", explica o cirurgião.

Apesar de não ser obrigatório, o ideal é que a criança seja operada, de acordo com Mustacchi. "A fisionomia fissurada gera estranheza. A nossa cultura é de imagem, a aparência, infelizmente, é importante. O fato de a expressão fenotípica ainda pesar no preconceito social impõe restrição à exposição de pessoas com fissura. Uma criança de quatro anos com lesão vai ser alvo de agressões na escola", alerta ele.

Além disso, se a fissura afetar o céu da boca, ela pode ter escape da fonação. "O palato é o assoalho do nariz, com ele aberto há escape de ar e ele fala num tom anasalado, prejudicando o relacionamento social. Mais um fator que impõe a necessidade da cirurgia prematura", diz Mustacchi.

Segundo ele, é importante saber que entre o nariz e o olho temos tubos de contato, que ligam essas estruturas, assim como entre o nariz e a orelha interna. Se o assoalho do nariz for aberto, resíduos líquidos ou sólidos ingeridos podem refluir por esse assoalho aberto e ir para vias da audição e do olho.

"Sabe quando subimos a serra e 'ouvido entope'? Perceba que, se você tampar o nariz, fechar a boca e engolir, sentirá a despressurização dentro da orelha. O assoalho do nariz, ou melhor, o céu da boca, quando em contato com substratos líquidos e sólidos pode ser contaminado", explica ele.

"Tem que favorecer a qualidade de vida e a socialização desses indivíduos o mais cedo possível. Portanto, a cirurgia é necessária", conclui. Yoshida concorda: "A cirurgia pode evitar todos esses desconfortos, além da parte estética, importante para quem é criança e pode ser alvo de bullying".

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Errata: o texto foi atualizado
Ao contrário do informado, o enxerto de gengiva é feito entre os nove e 10 anos de idade.

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