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Pesquisadores da USP descobrem mecanismo que desencadeia pneumonia

Fernanda Garcia/VivaBem
Imagem: Fernanda Garcia/VivaBem

Do UOL VivaBem*, em São Paulo

30/10/2018 10h20

Um estudo realizado por cientistas do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas, da USP, e da Faculdade de Medicina Tropical de Liverpool, no Reino Unido, descobriu  um mecanismo celular chave que controla a proliferação e o consequente transporte do pneumococo --a bactéria causadora da pneumonia-- do nariz para o pulmão. Observou-se também que, em humanos, a inflamação causada pelo vírus da gripe prejudica a resposta imune no controle do pneumococo.

“Para haver pneumonia, a bactéria precisa estar no pulmão. Só que essa mesma bactéria pode viver no nariz das pessoas por bastante tempo e não causar nenhum sintoma, principalmente em adultos saudáveis. Porém, por algum motivo, principalmente em pacientes mais vulneráveis, a bactéria sai do nariz e é transportada para o pulmão. Estudamos justamente os mecanismos que limpam a bactéria do nariz impedindo sua translocação até o pulmão, e como o vírus da gripe altera esse processo”, explica Daniela Ferreira, pesquisadora da Faculdade de Medicina Tropical de Liverpool e coordenadora da pesquisa.

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Publicado no periódico Nature Immunology, o artigo conta que, para chegar a essa conclusão, o grupo de pesquisadores convocou 140 voluntários a serem infectados com o vírus atenuado da gripe e o pneumococo. O procedimento é permitido no Reino Unido e, durante o estudo controlado com o vírus atenuado, nenhum voluntário teve pneumonia efetivamente.

No lado brasileiro do estudo, foram analisados e interpretados dados genéticos e celulares dos participantes.

Os voluntários foram infectados com o vírus atenuado da gripe, contida na vacina antigripal disponibilizada todos os invernos no Reino Unido. Depois de serem infectados pelo vírus, os participantes tiveram amostras da bactéria da pneumonia injetadas no nariz. Durante todo o estudo, realizado ao longo de um inverno, amostras de sangue, lavado nasal e células nasais dos voluntários foram analisadas.

O estudo demostrou que, por causa do vírus da gripe, houve um aumento muito grande das bactérias do nariz dos voluntários. “A partir do entendimento e análise dos mecanismos celulares, genéticos e da resposta imune foi possível comprovar que as mortes associadas com a gripe estão mais ligadas à pneumonia que segue uma gripe do que à gripe em si”, disse Helder  Nakaya, também pesquisador do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias financiado pela Fapesp e um dos autores do artigo.

Isso porque, conforme observado no estudo, o vírus da gripe silencia a resposta imune inata, principalmente a ação dos monócitos, leucócitos responsáveis por expulsar corpos estranhos como vírus e bactérias.

“Outro ponto importante é que a multiplicação excessiva da bactéria aumenta a predisposição do paciente em transmitir o pneumococo para outras pessoas. Portanto, existe o problema individual, de maior suscetibilidade à pneumonia, e o populacional, que tem mais transmissão da bactéria para outras pessoas”, diz Ferreira.

Como os pesquisadores acompanharam quais são os genes e mecanismos envolvidos nesse processo de transporte da bactéria até o pulmão, eles também identificaram marcadores biológicos, que são mais expressos quando a pessoa está com o vírus e a infecção bacteriana fora de controle. "Com isso, futuramente, poderemos trabalhar para desenvolver melhores vacinas e melhores terapias”, conta Ferreira.

Os mecanismos imunológicos de combate à colonização de pneumococos já foram bem estudados em camundongos, mas permaneciam ainda obscuros em humanos.

Outra constatação foi que a vacina com o vírus atenuado é positiva para o controle da pneumonia. A pneumonia é um importante problema de saúde em todo o mundo e mata mais crianças com menos de cinco anos do que qualquer outra doença. A carga da doença também é agravada em idosos, pessoas com doença pulmonar crônica, imunossupressão e coinfecção viral.

“O mais importante de todo esse processo é que a pessoa esteja imune à gripe. A vacina da gripe se mostrou benéfica também para evitar a pneumonia”, disse Ferreira.

O grupo agora analisa a situação inversa: quando primeiro ocorre a infecção pela bactéria e depois pelo vírus da gripe.

*Com informações da Agência FAPESP

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Errata: o texto foi atualizado
Diferente do informado nessa matéria, os pesquisadores do estudo são membros do Departamento de Análises Clínicas Toxicológicas da USP. O texto já foi corrigido.

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