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Garoto vende abóboras para comprar cão que identifica hipoglicemia; Entenda

Ian (à esq.) usou seu carisma para vender abóboras e comprar um cão que alerta sobre hipoglicemia - Reprodução/ Facebook
Ian (à esq.) usou seu carisma para vender abóboras e comprar um cão que alerta sobre hipoglicemia Imagem: Reprodução/ Facebook

Maria Júlia Marques

Do UOL VivaBem, em São Paulo

29/10/2018 19h29

Toda criança quer um bichinho de estimação, mas algumas delas, como Ian Unger, realmente precisam de um cão para facilitar a rotina.

Ian é um garoto americano de seis anos, que foi diagnosticado com diabetes tipo 1 aos quatro anos. Sua família queria comprar um cachorro adestrado para identificar quando há quadro de hipoglicemia no menino. Sim, parece doido, mas cães conseguem fazer isso com treinamento especial.

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Tudo começou quando Ian estava animado para andar no ônibus escolar com seus colegas, mas levou um balde de água fria ao descobrir que não poderia por causa da doença.

A mãe da criança explicou que o colégio não quis se responsabilizar pelo transporte, uma vez que nenhum adulto ficaria monitorando a quantidade de açúcar no sangue de Ian no trajeto. “A opção era um ônibus vazio buscá-lo às 8h45, mas as aulas começam às 8h30. E ele só quer ser como todo mundo, colocá-lo em um ônibus sozinho e atrasado é injusto”, contou a mãe, Katrina Christensen, em entrevista à revista People.

Assim, a família decidiu achar logo um cão alerta. A ideia era ótima, mas um cachorro com tal treinamento custa cerca de 25 mil dólares e eles não tinha condições financeiras. “O Ian pediu para tentarmos arrecadar, imaginávamos que demoraria uns quatro anos para conseguirmos”, explicou Christensen.

No início, o garoto vendeu limonada, como nos filmes clássicos de crianças americanas. Porém, o calor estava acabando e não pareceu uma promessa de sucesso. O segundo plano foi usar o rancho da família e vender abóboras para o Dia das Bruxas.

Ian colocou a mão na massa e trabalhou duro, o que amoleceu o coração dos vizinhos e popularizou o negócio. “Foram aparecendo centenas de pessoas na nossa garagem e ele ajudou cada um a escolher a abóbora perfeita. Foi muito legal de ver”, contou a mãe.

Ao ser questionado qual era a receita de sucesso, o menino respondeu: “Amabilidade e fofura”.

No total, Ian conseguiu cerca de mil dólares vendendo abóboras e cem dólares com limonada. Parece pouco, mas sua história viralizou no Facebook e arrecadou incríveis U$ 24,890.

Com a conquista, Ian vai conseguir seu cachorro e está transbordando de alegria. Já informou que vai guardar o restante do dinheiro para ajudar outras crianças com diabetes que precisarem de ajuda.

Mas como um cachorro identifica a hipoglicemia?

O garoto conseguiu juntar dinheiro suficiente e terá um amigo canino para ajudá-lo - Reprodução/ Facebook
O garoto conseguiu juntar dinheiro suficiente e terá um amigo canino para ajudá-lo
Imagem: Reprodução/ Facebook
É importante saber que a hipoglicemia, baixa taxa de açúcar no sangue, pode causar problemas como tremores, desorientação e fadiga. Se o paciente não aumentar o nível do açúcar, pode sofrer convulsões e ficar inconsciente.

Ataques de hipoglicemia são muito comuns em pessoas com diabetes tipo 1, principalmente no meio da noite, em que a pessoa fica um longo período sem comer ou checar a glicemia. Durante essa baixa, a pessoa pode nem acordar. Nesses momentos o cão alerta é ainda mais útil, pois pode acordar seu dono no momento certo antes da queda, para checagem e reaplicação de insulina. Esses cães demoram de 6 a 10 meses para serem treinados.

Mas como eles conseguem? Um estudo feito pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra, encontrou um produto químico na respiração de humanos que indica o baixo nível de açúcar no sangue de pacientes com diabetes tipo 1.

Os pesquisadores notaram que o nível de isopreno químico aumenta significativamente com a hipoglicemia, chegando a dobrar sua quantidade. A hipótese é que o olfato dos cachorros é sensível ao isopreno e consegue identificar quando ele aparece em excesso.

“Os seres humanos não são sensíveis à presença de isopreno, mas cães, com seu incrível olfato, acham fácil identificá-lo e podem ser treinados para alertar seus donos sobre níveis de açúcar no sangue perigosamente baixos. Ele fornece um 'perfume' que pode nos ajudar a desenvolver novos testes para detectar hipoglicemia e reduzir o risco de complicações potencialmente fatais para pacientes que vivem com diabetes”, concluiu o estudo.

Para pesquisa, cientistas entrevistaram oito pacientes. Entre eles, uma voluntária tinha um labrador que, quando a hipoglicemia acontece, pula e coloca as patas no ombro da dona para avisá-la.

Outro estudo, desenvolvido pela Universidade de Saúde e Ciência de Oregon, nos EUA, mostrou que os usuários de cães alerta se sentem muito satisfeitos com seus melhores amigos, dando uma nota média de 8,9 entre 10 pontos para satisfação. Além disso, se disseram muito confiantes sobre a capacidade do cão identificar a hipoglicemia, com 7,9 de 10.

As análises mostraram ainda que os cachorros treinados forneceram alertas oportunos em 36% de todos os eventos de hipoglicemia registrados.

Uma publicação na revista científica Diabetes Therapy também concluiu que cães treinados podem reconhecer alertas de queda da glicemia em humanos usando apenas o olfato. 

“As pesquisas são de lugares confiáveis, não são achismos. Acredito que com o treinamento adequado o cachorro pode ser uma ajuda importante para os pacientes”, afirma Denise Franco, diretora da ADJ Diabetes Brasil, instituição de apoio a pessoas com a doença. “No Brasil, não conheço nenhum local que forneça esse curso para os cães, mas quem se interessar pode acreditar no trabalho”, completa.

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