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Ficar muito tempo sentado prejudica cérebro, mas caminhar reverte problema

Ficar na mesma posição afeta o movimento do sangue para o cérebro - iStock
Ficar na mesma posição afeta o movimento do sangue para o cérebro Imagem: iStock

Gretchen Reynolds

Do New York Times

23/08/2018 15h15

Ficar sentado durante horas sem se mexer pode reduzir o fluxo de sangue para o cérebro, segundo um novo estudo com funcionários administrativos, descoberta que poderia ter implicações em longo prazo para a saúde cerebral. Porém, levantar-se e caminhar por apenas dois minutos a cada meia hora parece afastar esse declínio no fluxo sanguíneo cerebral e, talvez, até aumentá-lo.

Levar sangue ao cérebro é um desses processos internos automáticos em que a maioria das pessoas raramente pensa, ainda que seja essencial para a vida e a cognição. As células cerebrais necessitam de oxigênio e nutrientes que o sangue contém, e várias grandes artérias transportam sangue constantemente ao órgão.

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Como esse fluxo é muito necessário, o cérebro o regula com firmeza, acompanhando uma série de sinais fisiológicos, incluindo os níveis de dióxido de carbono em nosso sangue, para mantê-lo dentro de uma margem bastante estreita.

Contudo, a ocorrência de pequenas flutuações, tanto repentinas quanto duradouras, pode ter repercussão. Estudos anteriores em pessoas e animais indicam que quedas leves e de pouca duração no fluxo sanguíneo cerebral podem atrapalhar temporariamente nosso raciocínio e memória, enquanto os declínios de grande duração estão ligados a riscos mais elevados de algumas doenças neurodegenerativas, incluindo demência.

Outra pesquisa demonstrou que ficar sentado ininterruptamente enfraquece o fluxo de sangue para várias partes do organismo. A maioria dos estudos examinou as pernas, as mais afetadas por nossa postura, de pé ou não. Fique sentado por várias horas e o fluxo de muitos vasos sanguíneos das pernas pode diminuir.

Contudo, não se sabia se um declínio semelhante poderia ocorrer nas artérias que levam sangue para o cérebro.

Assim, para o novo estudo, publicado em junho em Journal of Applied Physiology, pesquisadores da Universidade de Liverpool John Moores, na Inglaterra, reuniram 15 funcionários administrativos, homens e mulheres adultos e saudáveis.

Os cientistas quiseram recrutar pessoas que habitualmente passam tempo à mesa, pois, para eles, muitas horas sentadas seriam normal.

Os pesquisadores pediram aos voluntários para visitar o laboratório de desempenho da universidade em três momentos separados. Em cada um, colocaram faixas especializadas na cabeça contendo sensores de ultrassom que registrariam o fluxo sanguíneo por meio da artéria cerebral média, um dos principais vasos que alimentam o cérebro.

Eles também respiraram em máscaras que mediram o nível de dióxido de carbono no começo da sessão, para que os cientistas pudessem ver se o gás iria incentivar mudanças no fluxo sanguíneo cerebral. Entre outros fatores, o nível de dióxido de carbono pode ser alterado por mudanças na respiração.

Na sequência, os homens e as mulheres passaram quatro horas simulando trabalho no escritório, sentados à mesa e lendo ou trabalhando em um computador.

Durante uma dessas sessões, não se levantavam, exceto para ir ao banheiro, que fica perto.

Durante outra visita, foram instruídos a levantar a cada 30 minutos e caminhar em uma esteira ergométrica montada ao lado das escrivaninhas. Eles caminhavam dois minutos em qualquer ritmo confortável, a uma velocidade média, sem pressa, de três quilômetros por hora.

Em uma sessão final, deixavam as cadeiras somente após duas horas, mas caminhavam nas esteiras por oito minutos no mesmo ritmo suave.

Os cientistas acompanharam o fluxo sanguíneo cerebral antes e durante cada intervalo de caminhada, bem como imediatamente após o fim das quatro horas. Também houve nova medição do nível de dióxido de carbono nesses instantes.

Como eles esperavam, o fluxo sanguíneo cerebral caiu quando as pessoas sentavam durante quatro horas seguidas. O declínio era pequeno, mas visível ao final da sessão.

Também era perceptível quando as pessoas se levantavam após passar duas horas sentadas, embora o fluxo crescesse durante o intervalo da caminhada. Ele logo voltava a cair, como constatou o ultrassom, e era mais baixo no final daquela sessão do que no começo.

Contudo, os cientistas descobriram que o fluxo sanguíneo cerebral subia levemente quando as quatro horas incluíam intervalos frequentes de dois minutos de caminhada.

Curiosamente, como os pesquisadores também determinaram, nenhuma dessas mudanças no fluxo sanguíneo cerebral foi determinada por alterações na respiração e nos níveis de dióxido de carbono, que permaneceram estáveis antes e após cada sessão.

Portanto, algo mais envolvendo o sentar e se movimentar afetava o movimento do sangue para o cérebro.

Sem dúvida, o estudo foi pequeno e de curto prazo e não investigou se as pequenas quedas no fluxo cerebral enquanto as pessoas estavam sentadas afetava o raciocínio.

O estudo também não foi pensado para nos dizer se os impactos no fluxo com as horas sentado se acumulariam ao longo do tempo ou se são transitórios e eliminados quando finalmente nos levantamos da mesa ao final do dia.

Entretanto, os resultados dão mais um motivo para evitar passar longos intervalos de tempo sentado sem interrupção, afirma Sophie Carter, doutoranda da Universidade de Liverpool John Moores, que dirigiu o estudo.

Eles também dão a informação útil de que os intervalos podem ser curtos, mas recorrentes.

"Somente os intervalos de caminhada frequente de dois minutos tiveram efeito geral na prevenção do declínio no fluxo sanguíneo cerebral", diz ela.

Assim, seria interessante configurar o computador ou telefone para soar a cada meia hora e levantar, sugeriu a cientista. Caminhe pelo corredor, suba ou desça a escada para ir ao banheiro no andar superior ou inferior ou dê algumas voltas pelo escritório.

O cérebro pode lhe agradecer dentro de alguns anos, quando não estiver mais amarrado àquela cadeira do escritório.

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