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Sintomas e tratamentos da doença


Insatisfação sexual é queixa de 51% dos pacientes que sofreram AVC

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Imagem: iStock

Maria Júlia Marques

Do VivaBem, em Gramado*

05/08/2018 09h47

Quando um paciente sofre um AVC (Acidente Vascular Cerebral), os médicos se atentam inicialmente as sequelas motoras e cognitivas, mas sabe qual assunto é dificilmente abordado? A vida sexual de quem sofreu um acidente vascular cerebral.

"É claro que esse não é o primeiro assunto abordado na terapia, o paciente está de início precisa compreender como o AVC vai afetar a sua vida. Mas durante o desenvolvimento do trabalho o psicólogo procura abordar todas as áreas que envolvem o emocional, a satisfação com a vida em todos os aspectos", disse ao VivaBem Silvana Hartmann, psicóloga no Hospital Moinho dos Ventos, em Porto Alegre, durante XXI Congresso Iberoamericano de Doenças Cerebrovasculares, em Gramado (RS).

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O aparecimento das queixa começa depois que o paciente volta para casa e começa a recuperar sua vida e rotina.

Hartmann afirmou que a sexualidade ainda é um tabu, ainda mais entre os idosos. "Geralmente o assunto aparece de forma discreta, mas conseguimos ampliar e mostrar a importância de conversar sobre, para buscar saídas. De forma geral, as mulheres são as que trazem com maior frequência esse relato, com esse medo de que antes do AVC tinha um casamento ótimo, mas depois ficou sem a vida sexual", completou.

De acordo com a psicóloga, a insatisfação moderada ou completa da vida sexual ocorrem em até 51% dos pacientes. Homens costumam apresentar disfunção sexual e diminuição da libido, e mulheres têm queda na lubrificação vaginal.

Os psicólogos incentivam a conversa sobre sexo para tentar ajudar os pacientes com uma saída, acabando com a angústia sobre o tema. "As causas podem ser multifatoriais e precisam ser identificadas. Pode ser por ansiedade, efeito de medicação, pode ter relação com a lesão sofrida no cérebro, déficits cognitivos e sensoriais, medo de ter outro AVC durante o sexo," enumera a psicóloga.

Após o relato do paciente, o profissional encoraja e ajuda que haja uma conversa sobre o tema com outros médicos, para compreender se não conseguir transar é uma sequela do AVC, é algo pessoal e emocional, ou uma mistura de ambos.

"Tem medicações que podem ser dadas, o assunto pode ser debatido na terapia para deixar de ser tabu, pode ser preciso fazer adaptações na forma de ter prazer, o paciente pode ter que se reinventar, conhecer outras formas de se relacionar, existe uma gama de caminhos". O importante é tirar mais essa agonia da cabeça de quem sofreu um AVC, e ajudá-la a voltar a ter satisfação sexual, uma vez que ter acidente vascular cerebral não precisa interromper a vida sexual.

*A jornalista viajou a convite da Ipsen

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