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Por que há tantos corruptos no país? A explicação pode estar no cérebro

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Imagem: iStock

Gabriela Ingrid

Do VivaBem, em Gramado (RS)

23/06/2018 10h24

Apesar do bombardeio de notícias envolvendo políticos corruptos, a corrupção em si não é uma exclusividade do poder público ou de empresários, mas também da sociedade, que de certa forma a exerce ou, pelo menos, a tolera. E a explicação para essa relação tão próxima com algo que todos (em tese) abominam está justamente no cérebro.

O psiquiatra Pedro do Prado Lima, pesquisador do InsCer (Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul) da PUCRS, afirma que a amígdala é uma região do cérebro relacionada à percepção de risco. Segundo ele, se estamos cometendo um ato desonesto, ela será ativada. “Mas estudos recentes mostraram que cada vez que a pessoa comete um ato errado que serve a si e prejudica os outros, a amígdala vai se tornando menos funcional, principalmente se essa pessoa não é pega”, explica ele.

Um estudo publicado no Nature Neuroscience 2016 mostrou que quando transgredimos e não somos punidos, a tendência é aumentar a transgressão com o passar do tempo. “E se essa transgressão prejudica uma pessoa, ela aumenta ainda mais rapidamente”, diz Lima.

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Antoine Bechara, professor de psicologia e neurociência na Universidade da Califórnia do Sul, nos Estados Unidos, sugere que a corrupção ainda está diretamente ligada à recompensa, ou seja, ao córtex pré-frontal. “É essa área do cérebro que nos permite controlar nosso comportamento e não realizar um ato errado. A moralidade tem um papel, você ensina às crianças desde cedo, mas o principal é haver uma punição por parte da sociedade. Se souber que nenhuma punição será sofrida, não há motivo para não participar de corrupção.”

Mas será que as pessoas corruptas têm um comprometimento no córtex pré-frontal? De acordo com Bechara, existem os psicopatas bem-sucedidos, que têm o córtex normal e inclusive podem ter um cérebro superior, ou seja, têm vantagem em enganar as pessoas. Mas os verdadeiros psicopatas têm uma patologia no córtex e não pensam nas consequências futuras do seu comportamento. “Preocupo-me mais com o psicopata que se dá bem, os que sabem burlar o sistema e não são pegos, mantendo o comportamento.”

Para saber quem é quem, basta medir respostas fisiológicas periféricas, marcadores cerebrais, mas quem faria isso, não é mesmo? A solução, para o professor de psicologia, está na aplicação da lei e, claro, na educação. “A melhor forma de combater a corrupção começa na infância. Ensinar o que é certo e o que é errado às crianças vai ajudar essa nova geração a ver as coisas de uma forma melhor. Se não tiverem medo, farão.”

Lima concorda: “A sociedade tem que sinalizar que aquilo é errado. Somos bombardeados com sinalizações de que “tanto faz e que não dá nada”, então nossa amígdala foi desativada para o risco e o perigo. A maioria dos pequenos atos desonestos se repete e evolui até se tornar grandes atos.”

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