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Remédio para diabetes é testado contra câncer de cabeça e pescoço

Diabetes - iStock
Diabetes Imagem: iStock

Do VivaBem, em São Paulo

29/05/2018 13h41

O uso de metformina, um dos medicamentos antidiabéticos mais prescritos no mundo, foi associado a uma redução no risco de câncer de cabeça e pescoço. A descoberta foi feita em estudo realizado com mais de dois mil voluntários em cinco hospitais do Estado de São Paulo.

Os pesquisadores perceberam que a diminuição foi mais acentuada entre os voluntários considerados de alto risco para a doença (em torno de 60%), que significavam aqueles que consumiam mais de 40 gramas de álcool por dia (o equivalente a três latas de cerveja) e mais de 40 maços de cigarro em um ano.

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Victor Wünsch Filho, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), apresentou os dados no congresso "Next Frontiers to Cure Cancer", organizado pelo A.C. Camargo Cancer Center.

Segundo ele, estudos anteriores já haviam mostrado uma associação entre diabetes, uso de metformina e uma redução no risco de alguns tipos de câncer, como pulmão, cólon e pâncreas.

"No caso dos tumores de cabeça e pescoço, porém, os dados existentes na literatura científica eram muito contraditórios. Por isso decidimos investigar melhor", contou Wünsch para a Agência FAPESP.

O cientista diz que ainda é preciso tentar entender melhor o mecanismo de proteção, o tempo de uso e a dosagem da droga por meio de estudos específicos. "Somente assim poderemos avaliar se é viável usá-la na quimioprevenção da doença ou para prolongar a sobrevida dos pacientes com câncer", disse.

Segundo Wünsch, até o momento, só foi possível avaliar o efeito da metformina associado ao diabetes, pois são os portadores dessa doença os principais usuários do medicamento.

"Mas já há evidências de que o fármaco tem um efeito protetor importante por si só, que precisa começar a ser estudado na profilaxia do câncer e também no tratamento. Trata-se de uma droga barata e com poucos efeitos colaterais, então pode ser muito interessante", disse o pesquisador.

Tumores na cabeça são comuns

O câncer de cabeça e pescoço é mais prevalente nos países em desenvolvimento, representando o 9º tipo de tumor mais comum no mundo, com 700 mil novos casos anuais, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Entre os principais fatores de risco estão o consumo de tabaco e álcool, embora tenha crescido nos últimos anos o número de casos associados à infecção pelo papilomavírus humano (HPV), principalmente entre os pacientes mais jovens.

Os portadores da doença foram divididos em cinco subgrupos durante a pesquisa: cavidade oral, orofaringe, hipofaringe, laringe e orofaringe/hipofaringe não especificado.

Já no grupo controle foram incluídos 1.063 participantes sem a doença –pessoas que visitavam pacientes internados no hospital ou que estavam no serviço de saúde para atendimento ambulatorial de problemas não relacionados ao câncer, como doenças de pele, trato urinário, fraturas ou questões oftalmológicas.

O pesquisador explicou que foram excluídos aqueles que tinham doenças associadas ao uso de álcool e tabaco, além dos visitantes de pacientes com câncer de cabeça e pescoço, dada a grande probabilidade de estarem expostos aos mesmos fatores de risco dos doentes, o que poderia enviesar os resultados.

Diabetes e consumo de álcool

Análises estatísticas mostraram que no grupo dos casos de câncer a porcentagem de fumantes (68,0%) e bebedores (53,6%) foi bem maior que no grupo controle (16,3% e 43,5% respectivamente). Ao todo, 359 participantes foram confirmados como portadores de diabetes, sendo 150 (14,7%) entre os portadores de câncer e 209 (19,7%) entre os controles.

O diagnóstico de diabetes foi inversamente associado ao câncer de cabeça e pescoço tanto em homens quanto em mulheres e em todos os subtipos da doença considerados no estudo. Contudo, a redução do risco foi estatisticamente significativa apenas no sexo masculino (32% menor) e no câncer de faringe (57% menos risco).

Em geral, indivíduos com diabetes que usavam metformina apresentaram risco 46% menor de ter câncer de cabeça e pescoço quando comparados aos participantes sem diabetes. Entre indivíduos com diabetes que não usavam metformina não foi evidenciada estatisticamente uma diminuição do risco.

Entre os indivíduos com alto consumo de tabaco e álcool, os que eram portadores de diabetes e usavam metformina apresentavam 69% menos probabilidade de ter câncer que os indivíduos sem diabetes.

Os achados da pesquisa apontam para a necessidade de estudos mais aprofundados sobre a ação da metformina no câncer de cabeça e pescoço. (Com Agência FAPESP)

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