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Como o autoconhecimento pode ajudar as mulheres a terem um orgasmo

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Carol Salles

Colaboração para o VivaBem

31/03/2018 04h00

Se você faz parte do time de mulheres que não consegue chegar ao orgasmo com facilidade —ou sequer o conhece —, relaxe: a culpa não é sua. Para "chegar lá", vários fatores entram na equação. Claro que estímulos físicos adequados, na intensidade e duração certas para cada mulher, são boa parte do caminho, mas não os únicos e nem os mais importantes.

Estar com a cabeça tranquila, sentir-se segura de si e ter o corpo relaxado conta muitos pontos. "Quando o ato sexual causa mais ansiedade do que descontração, o organismo libera hormônios e neurotransmissores que prejudicam a excitação e o orgasmo. Um deles é a adrenalina, que prepara o corpo para situações de alerta, em que seria necessário lutar ou fugir. Algo que definitivamente não combina com sexo", diz a ginecologista e sexóloga Renata Ribeiro, de Brasília.

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De maneira geral, o orgasmo pode ser descrito como um pico de prazer com duração de 3 a 15 segundos, em média
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Educação diferente

Isso pode acontecer com ambos os sexos, mas é fato especialmente com as mulheres. E não deveria ser nenhuma surpresa: enquanto os homens são incentivados desde pequenos a desenvolverem seu lado sexual e a manipular o órgão genital, as mulheres ainda crescem em meio a muitos tabus que dificultam se soltar na hora da transa. "A elas é ensinado que não se pode ter autonomia sexual. Desde pequenas, sentem o peso da repressão, crescem em meio a piadas constrangedoras, brincadeiras pejorativas em relação a sexo, etc.", constata Ana Cláudia Simão, psicóloga sexual e de casal, de São Paulo.

É claro que isso acaba se refletindo na vida sexual da mulher adulta. Por isso, para o orgasmo acontecer, é preciso aumentar os estímulos ao mesmo tempo em que se reduz, internamente, os tabus (por exemplo, acreditar que sexo é sujo e errado). Preocupações das mais variadas ordens também podem impedir uma vida sexual plena: falta de dinheiro, problemas com filhos, medo de traição ou de ser abandonada.

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O parceiro deve estar disponível para escutar, saber o que agrada, o que a mulher quer que ele faça
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Meditação e cumplicidade

Quais seriam, então, os caminhos para o prazer? Meditar, acredite, ajuda. Segundo Ribeiro, a técnica conhecida como mindfulness (atenção plena, em português) tem benefícios comprovados cientificamente no tratamento de problemas mentais e também sexuais. Um estudo de 2014, feito na Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, com 251 mulheres entre 18 e 67 anos mostrou que aquelas que naturalmente possuíam habilidades ligadas ao mindfulness (concentrar-se no momento, ter uma atitude não-julgadora com elas mesmas e com o/a parceiro/a) tinham mais facilidade em atingir o orgasmo durante o sexo do que aquelas que que não possuíam as mesmas habilidades.

Outro estudo, realizado na Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, concluiu que três sessões de terapia (com 90 minutos cada) baseadas em mindfulness ajudaram a aumentar o nível de satisfação sexual em mulheres que tiveram disfunções depois de passarem por tratamentos para cânceres ginecológicos (como de endométrio e cervical). "Como a incapacidade de se atingir o orgasmo pode ocorrer por falta de concentração, por pensamentos indesejáveis e intrusivos e dificuldade de viver o momento presente, essa técnica pode ter um efeito benéfico", explica a ginecologista.

Outra medida efetiva é o autoconhecimento. "Entender o próprio corpo é essencial para a vivência plena da sexualidade, já que ajuda a descobrir quais estímulos são os melhores para cada uma. Não há nenhuma outra prática que tenha se mostrado mais eficaz para mulheres que nunca atingiram o orgasmo do que orientações a respeito do conhecimento e estimulação do próprio corpo", afirma Ribeiro. "Vários estudos mostram uma facilidade maior de se atingir o orgasmo através da masturbação do que no ato sexual. Isso acontece porque não há julgamentos ou preocupação com o outro. Além disso, as chances de os estímulos terem intensidade e duração ideais é maior", avalia a especialista. Outro ponto importante é, claro, o parceiro. Ele deve estar disponível para escutar, saber o que agrada, o que a mulher quer que ele faça. "Cada vez menos há espaço para homens egoístas no sexo", finaliza Simão.

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